Flávio, o “Bolsonaro vacinado”, dá positivo para raiva e golpe

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Carta de Flávio Bolsonaro sobre o resultado eleitoral é alvo de críticas. (Foto: Instagram)

Flávio Bolsonaro divulgou nesta quarta, dos EUA, uma carta em que não reconhece o resultado da eleição presidencial. Lula foi reeleito com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% dele próprio. O texto repete a essência golpista da pauta do pai: derrota é fraude, e o juiz, perseguidor. Se ainda houvesse dúvidas, cai a máscara do “Bolsonaro vacinado”, que seria a versão civilizada da família. Flávio chegou a dizer que aceitaria o resultado das urnas. Menos de 24 horas depois de afirmar que ficaria para liderar a oposição, deixou o país. A hidrofobia política é a mesma, sem, vá lá, o “carisma” do original…

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Tudo na carta está errado, a começar pelo timbre. A primeira versão trazia um brasão com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, com “Z”, no lugar de “República Federativa do Brasil”. O país deixou de ter esse nome em 1967, e o “Z” já havia sido retirado da ortografia oficial décadas antes.

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Segundo Paulo Capelli, um aliado pediu ao ChatGPT que adicionasse o brasão, e a ferramenta apresentou o modelo antigo. O valentão que prometia salvar a pátria delegou a um robô a escolha do símbolo nacional e nem conferiu o resultado. O texto teve três versões em menos de uma hora. Na primeira, ele se identificava como “presidente eleito”. Só na versão seguinte passou a ser “líder do Brasil”. Eleito por quem, cara-pálida? O PL, seu partido, já havia reconhecido a vitória de Lula na segunda-feira.

No auge da sandice, comparou-se a De Gaulle no exílio. O homem que organizou a França Livre contra a ocupação nazista é citado por alguém que tem Steve Bannon como parceiro internacional. Em 19 de janeiro de 2025, em Washington, Bannon pediu que representantes da AfD (Alternativa para a Alemanha) se levantassem para receber uma saudação e, em seguida, chamou Eduardo Bolsonaro ao palco. Como relataram vários veículos, o episódio foi acompanhado por um gesto de braço estendido, alusivo à saudação nazista.

A neonazista AfD, vale dizer, é o partido de Beatrix von Storch, neta de Schwerin von Krosigk, ministro das Finanças durante o nazismo e um dos poucos a servir Hitler do começo ao fim do regime. Jair Bolsonaro a recebeu no Planalto em 19 de julho de 2021. O encontro não apareceu na agenda oficial, e a foto só foi divulgada no dia 26 daquele mês. A família também cultiva relações com a ultradireita francesa: em 2025, Eduardo organizou uma rede de pressão contra o STF que incluía a eurodeputada Virgine Joron, ligada ao partido de Marine Le Pen.

Esse partido descende da Frente Nacional, e a história da França mostra de que lado ficou, na Segunda Guerra, a extrema direita que condenou De Gaulle à morte, em agosto de 1940. Comparar-se ao general é deixar para a posteridade uma cena de humor involuntário.

Há também o plano de comandar a oposição de dentro dos Estados Unidos, com o aval de Donald Trump, a quem a carta agradece. É importante lembrar o que estabelecem as leis. A Constituição, no artigo 17, inciso II, veda que partidos recebam recursos de entidade ou governo estrangeiros ou fiquem subordinados a eles; já a Lei dos Partidos, no artigo 28, prevê o cancelamento do registro pelos mesmos motivos. A oposição se faz com voto, mandato e presença — não à distância, com o apoio de uma potência que impõe sanções ao país.

A propósito: não se sabe qual será a fonte de renda de Flávio no exterior. Será a mesma que paga o custo da vida milionária de Eduardo? O “exilado” ainda não esclareceu o orçamento da “Resistência”.

A pergunta final permanece, e a elite brasileira deve uma resposta: afinal, o que ela viu em um bravateiro que defendia o encarceramento de adolescentes — propôs reduzir a maioridade penal de 18 para 14 anos —, mas foge diante da primeira adversidade? É um Falstaff de Henrique IV, o fanfarrão que fingiu estar morto no campo de batalha para escapar da espada e ainda se gabou da “discrição”. Falstaff é cômico porque é covarde. Os Bolsonaros são perigosos porque, além de covardes, têm eleitores.

Enquanto eles estiverem à frente da extrema direita, o pensamento progressista talvez possa comemorar, mas não deve baixar a guarda. Afinal, na versão corrente de Brecht, a cadela do fascismo está sempre no cio. A eleição para o Senado está aí para provar isso. A verdadeira resistência precisa se fortalecer.

Eis o ponto: eles são o que são e não conseguem negar a própria natureza. A esta altura, só os coniventes acreditam na conversa. Até os tolos já abandonaram o barco.

Tags: Flávio Bolsonaro, golpe, Lula

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