
Inflamação tipo 2 pode estar associada a doenças crônicas como asma grave, dermatite atópica e rinossinusite. (Foto: Instagram)
Em situações normais, o sistema imunológico combate uma ameaça e depois desativa sua resposta. Em alguns casos, porém, essa reação se torna exagerada e persistente: na inflamação tipo 2, as defesas interpretam agentes comuns, como mofo, poeira e poluição, como grandes perigos e seguem ativadas.
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Como essa resposta imunológica desregulada persiste, ela pode lesionar os tecidos do corpo ao longo do tempo. A inflamação tipo 2 está por trás de doenças crônicas que podem atingir, ao mesmo tempo, o sistema respiratório, a pele e o trato digestivo.
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Em vez de proteger o organismo de ameaças externas, a resposta imunológica permanece ativa de forma contínua e desproporcional, dando origem a quadros como asma grave, dermatite atópica e rinossinusite crônica.
“Essas doenças podem surgir separadamente ou em conjunto. É relativamente comum, por exemplo, uma pessoa ter rinite e asma, ou dermatite atópica e alergias respiratórias”, afirma a pediatra e alergista Fernanda America, integrante da plataforma de consultas médicas INKI.
O impacto na rotina dos pacientes vai além dos sintomas físicos e pode prejudicar a qualidade do sono e a saúde mental.
AGENTES EXTERNOS E GATILHOS COTIDIANOS
O surgimento e a piora das crises dependem da sensibilidade de cada pessoa e da exposição a fatores ambientais. Entre as causas mais comuns de reações alérgicas estão elementos cotidianos, como ácaros em colchões e estofados, mofo, pólen e proteínas liberadas por animais de estimação.
A poluição do ar, a fumaça de queimadas e produtos químicos usados na limpeza também irritam as mucosas e intensificam a resposta inflamatória.
“A inflamação tipo 2 é uma reação do sistema imunológico que, se permanecer excessivamente ativada, pode contribuir para o desenvolvimento de doenças alérgicas e inflamatórias crônicas”, explica a pneumologista Gilda Elizabeth, do Hospital Brasília.
De acordo com a médica, os gatilhos variam conforme a predisposição de cada indivíduo. “Fumaça de cigarro, material particulado e fragrâncias intensas podem irritar as vias aéreas e agravar doenças preexistentes, mesmo sem uma alergia específica”, explica.
IMPACTOS NO SONO E NA SAÚDE EMOCIONAL
Sem controle, a inflamação pode provocar um ciclo de privação de sono e desgaste emocional. A coceira intensa causada pelas lesões na pele costuma se agravar à noite. Já sintomas como falta de ar, chiado no peito e tosse interrompem o descanso e podem levar a fadiga crônica e dificuldade de concentração durante o dia.
O sofrimento emocional também pode surgir do medo constante de novas crises respiratórias ou do constrangimento causado por lesões visíveis na pele.
“O paciente pode ter medo de novas crises, de dormir, de fazer exercícios ou de ficar distante de ajuda médica. Além disso, lesões aparentes na pele podem provocar constrangimento, isolamento, irritabilidade e redução da autoestima”, ressalta Gilda.
RISCOS DA AUTOMEDICAÇÃO E NOVOS TRATAMENTOS
O tratamento dessas doenças requer acompanhamento médico regular e cuidados diários, como hidratar a pele continuamente, manter os ambientes limpos e praticar atividades físicas de forma moderada.
O uso frequente de medicamentos sem orientação, por outro lado, representa um risco adicional para a saúde.
“Conforme a via de administração, o período, a dose e a maneira de usar, podem ocorrer efeitos como aumento da glicose e da pressão arterial, ganho de peso, supressão adrenal, atrofia cutânea e estrias. O problema é recorrer repetidamente a esses medicamentos sem reavaliar as alternativas.”
Segundo a alergista Fernanda, os imunobiológicos são medicamentos desenvolvidos para bloquear pontos específicos da resposta imunológica. Em vez de apenas diminuir a inflamação de modo amplo, eles agem sobre moléculas ou células diretamente envolvidas na doença. Ainda assim, ela afirma que esses medicamentos não são indicados para todos.
A medicina avançou na identificação das vias biológicas relacionadas à inflamação tipo 2, o que permitiu desenvolver terapias personalizadas.
“A grande mudança foi poder oferecer um tratamento mais personalizado. Hoje, conseguimos identificar características clínicas e laboratoriais que ajudam a escolher os pacientes com maior chance de responder a determinado medicamento”, explica Fernanda.
Os imunobiológicos modernos agem diretamente para atenuar alvos específicos do sistema imune. A análise de biomarcadores no sangue também ajuda a indicar o tratamento mais adequado para cada caso.
Tags: alergia, Saúde







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