
Jogos como xadrez, cartas e dominó podem estimular diferentes habilidades cognitivas, mas hábitos saudáveis também são essenciais para a saúde do cérebro. (Foto: Instagram)
Exercitar a mente e estimular a reserva cognitiva são cuidados que podem trazer benefícios durante toda a vida. Segundo o neurocirurgião e doutor em neurologia pela Universidade de São Paulo (USP) Emerson Magno de Andrade, desafiar o cérebro com atividades como xadrez, jogos de cartas ou de tabuleiro pode ajudar a preservar memória, atenção, raciocínio, velocidade de processamento e planejamento. O especialista afirma que esse tipo de estímulo também contribui para adiar sinais de declínio cognitivo.
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Embora considere importantes os exercícios mentais, Emerson enfatiza que cultivar hábitos saudáveis ao longo dos anos tem um papel ainda maior para a saúde neurológica.
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“O sono, a atividade física e as relações sociais têm grande importância. É fundamental cuidar de fatores de risco modificáveis: colesterol alto, baixa escolaridade, perda auditiva, pressão alta, tabagismo, obesidade, depressão, sedentarismo, diabetes, excesso de álcool, poluição do ar e isolamento social. Se todos fossem controlados, quase metade dos casos de demência poderia ser evitada ou adiada”, comenta.
Na avaliação do especialista, a qualidade do descanso e a adoção do padrão de alimentação mediterrânea também merecem atenção. “Os jogos ajudam, mas não são as ferramentas mais importantes”, ressalta.
CONFIRA OS JOGOS QUE AJUDAM A DEIXAR A MENTE “AFIADA”
Entre as atividades que Emerson recomenda para estimular diferentes habilidades cognitivas estão xadrez, buraco, bridge, dominó e treinos adaptativos de velocidade de processamento.
No xadrez, explica ele, o jogador precisa planejar, antecipar as jogadas do adversário, manter diferentes possibilidades na memória e alterar a estratégia durante a partida. “E nenhuma partida é igual à outra”, acrescenta.
Buraco, bridge, dominó e outros jogos de tabuleiro também são boas opções para exercitar memória, raciocínio e cálculo. Emerson aponta ainda uma vantagem das atividades feitas em grupo. “Elas também envolvem o indivíduo com outras pessoas. Essa convivência ao redor da mesa conta muito, porque o isolamento social é um dos fatores de risco para demência”, comenta.
Entre as opções mencionadas, os treinos adaptativos de velocidade de processamento são, de acordo com o neurocirurgião, os que hoje apresentam algumas das evidências científicas mais interessantes. “São exercícios no computador ou no celular que se tornam mais difíceis conforme a pessoa melhora”, explica.
AFINAL, QUAL O MELHOR?
Para Emerson, cada modalidade demanda habilidades distintas. Por isso, pode ser mais interessante variar os estímulos em vez de praticar sempre a mesma tarefa.
“Não adianta escolher apenas uma função. Memória, atenção, raciocínio, velocidade de processamento e planejamento atuam em conjunto, e o jogo deve estimular várias delas ao mesmo tempo”, afirma.
O especialista destaca que a atividade precisa continuar apresentando algum nível de desafio. “É necessário que ela continue sendo nova, exija esforço e fique mais difícil com o tempo. O problema surge quando o jogo se torna automático e não exige esforço mental. Quando estamos no piloto automático, o cérebro deixa de ser desafiado e o benefício praticamente desaparece”, comenta.
Os jogos on-line também podem ajudar. Segundo Emerson, uma vantagem do formato digital é permitir que a dificuldade seja ajustada de acordo com o desempenho de quem joga. “Às vezes, o digital ajusta o nível de dificuldade sozinho e mantém a pessoa no limite do que consegue fazer. Isso torna a atividade ainda mais eficaz”, explica.
TEMPO IDEAL
Apesar de não haver uma fórmula definitiva para frequência e duração, o médico avalia que é possível reservar de 20 a 30 minutos para a prática, de três a cinco vezes por semana. “Desafiar o cérebro faz bem em qualquer idade”, conclui.
Tags: Bem-Estar, cérebro, Demência, longevidade, memória, Saúde







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