
Mensagens encontradas pela Polícia Civil no celular da mãe de Oruam mencionariam uma ordem atribuída a Marcinho VP para “fechar a política”. (Foto: Instagram)
O rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam, teria transmitido à mãe uma ordem atribuída ao pai, Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, para “fechar a política”.
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A mensagem foi localizada por investigadores da Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) no celular de Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, mãe de Oruam.
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Márcia foi alvo de uma operação policial em abril deste ano, durante uma investigação sobre a movimentação financeira do Comando Vermelho (CV).
Investigadores da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) encontraram no celular mensagens trocadas entre Márcia e o rapper. Trechos das conversas foram obtidos.
Em uma delas, Oruam relata o que teria ouvido do pai depois de visitá-lo, em março de 2025, no Presídio Federal de Campo Grande (MS).
“Meu pai mandou fechar a política.”
Na avaliação dos investigadores, a mensagem sugere que Marcinho VP poderia interferir diretamente em atividades políticas realizadas em áreas sob influência do CV, embora esteja preso há mais de duas décadas.
O relatório, porém, não detalha quais atividades seriam afetadas pela ordem nem aponta políticos, partidos ou campanhas eleitorais envolvidos. A investigação segue em andamento.
Em outra conversa, Márcia afirma que o outro filho, Lucas Nepomuceno, estaria usando a influência do pai e “correndo atrás” dos próprios interesses.
Segundo a polícia, Oruam pergunta como poderia agir da mesma forma, já que o irmão “teria pego tudo para ele”.
A DRE considera o diálogo um indício de disputa entre os irmãos pelo acesso aos recursos e à influência de Marcinho VP.
Para os investigadores, as mensagens fortalecem a suspeita de que o traficante continua participando ativamente da administração de interesses ligados ao Comando Vermelho, apesar de estar preso.
Não foi possível localizar a defesa dos citados.
DINHEIRO DO TRÁFICO
As conversas também trouxeram informações sobre a movimentação de recursos atribuídos a Marcinho VP.
Em uma troca de mensagens com a mãe, Oruam conta que foi a um ponto de controle territorial de traficantes no Complexo do Alemão para receber dinheiro da chamada “caixinha” do pai.
De acordo com a investigação, a expressão designa valores movimentados pela organização criminosa.
Os policiais afirmam que Oruam e Lucas mantinham contato com lideranças do CV, entre elas Edgar Alves de Andrade, o Doca, e Wilton Carlos Rabello Quintanilha, conhecido como Abelha.
A investigação também encontrou pedidos de dinheiro feitos por Márcia a integrantes da facção.
Em um dos casos, a companheira de Marcinho VP teria pedido R$ 10 mil a Doca para quitar uma fatura de cartão de crédito.
Em outra conversa, Márcia solicitou que Luiz Paulo Silva de Souza, conhecido como Magrão, levasse a Eduardo Fernandes de Oliveira, o 2D, um pedido de dinheiro para despesas da família.
O pedido era de R$ 8 mil para um chá de bebê e R$ 20 mil para comprar móveis, somando R$ 28 mil.
Segundo a investigação, Márcia orientou que os valores fossem descontados posteriormente de “Nego”, apelido atribuído a Marcinho VP.
Tags: Comando Vermelho, Oruam, Marcinho VP, Polícia Civil do Rio de Janeiro







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