Centrão revê relação com PL de olho nas reeleições de Motta e Alcolumbre

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Centrão revê relação com o PL em meio às articulações para as eleições das presidências da Câmara e do Senado. (Foto: Instagram)

O Centrão reavalia sua relação com o PL para a próxima legislatura, em meio às articulações pela reeleição dos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

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Embora partidos do bloco tenham apoiado Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, dirigentes procuram manter espaço nas negociações com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e impedir que os bolsonaristas avancem sobre o comando do Congresso Nacional – sobretudo agora que o derrotado nas urnas fugiu para os Estados Unidos (EUA) e deixou seus aliados sem direção.

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O cenário evidencia a diferença entre alianças eleitorais e acordos parlamentares. União Brasil, PP e Republicanos apoiaram Flávio no segundo turno, mas integrantes dessas siglas já indicam que o posicionamento na eleição presidencial não representa adesão automática a uma estratégia comum com o PL no Legislativo.

ARTICULAÇÃO NA CÂMARA

Na Câmara, a articulação em torno de Hugo Motta ganhou força com a entrada do PT na mobilização pela reeleição do deputado. A federação composta por PT, PCdoB e PV declarou apoio ao atual presidente da Casa, elevando para 361 o total de deputados eleitos ligados a partidos que apoiam sua recondução.

O apoio, porém, vem acompanhado de uma condição: a federação ameaçou sair do bloco se PL e Novo passarem a fazer parte do grupo. A posição foi informada a Motta, que disse que as siglas serão consultadas antes de qualquer decisão sobre a entrada de novos partidos.

A resistência dos petistas integra uma estratégia para restringir o espaço da oposição na estrutura de poder do Legislativo.

A composição tem o objetivo de dificultar uma possível candidatura do PL, que elegeu 121 deputados federais e terá a maior bancada da Câmara a partir de fevereiro de 2027.

A movimentação também aproxima o Centrão do governo Lula na disputa pelo comando da Câmara, mas não representa necessariamente um alinhamento completo entre os partidos nas votações da próxima legislatura.

A ameaça do PT também evidencia o desafio de Motta para conciliar os interesses das legendas de centro e de esquerda que apoiam sua reeleição com a pressão do PL por mais espaço.

O partido de Flávio Bolsonaro deve tentar ganhar protagonismo na distribuição das comissões permanentes da Câmara. Entre os colegiados estratégicos estão a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional e a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado.

As comissões são importantes para analisar projetos, debater temas prioritários e fiscalizar ações do governo. Controlar esses espaços pode aumentar a influência do PL sobre a agenda legislativa e oferecer à oposição instrumentos para pressionar o Palácio do Planalto.

A disputa por esses cargos deve pesar nas negociações com o Centrão. Mesmo sem assegurar a presidência da Câmara, o PL poderá reivindicar espaço nos colegiados com base no tamanho de sua bancada.

Para os partidos de centro, o desafio será conciliar a distribuição dos cargos com a articulação para manter Motta à frente da Casa.

UNIÃO BRASIL E PP APOIAM ALCOLUMBRE

No Senado, a federação União Progressista, composta por União Brasil e PP, anunciou que apoiará a reeleição de Davi Alcolumbre. A decisão reduz as chances de a senadora Tereza Cristina (PP-MS) disputar o comando da Casa com o apoio das duas siglas.

Nesse contexto, o PL marcou para 4 de novembro uma reunião para decidir se lançará o senador Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado. Ele é um dos nomes considerados pela oposição para enfrentar Alcolumbre na eleição prevista para 1º de fevereiro de 2027.

Parte da oposição defende um acordo entre Marinho e Tereza Cristina para impedir que os votos contrários à recondução do atual presidente se dividam. A avaliação é que uma candidatura única teria melhores condições de obter o apoio de diferentes bancadas.

Alcolumbre, por sua vez, recebeu indicações de apoio de MDB, PSD, PT, União Brasil e PP. Juntas, as cinco legendas terão 33 senadores na próxima legislatura, oito a menos do que os 41 votos necessários para eleger o presidente da Casa.

A disputa também é estratégica para a oposição devido ao poder do presidente do Senado de decidir sobre o andamento de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Marinho defende alterações nas regras de análise dessas denúncias, tema de interesse do grupo bolsonarista.

Apesar de ter a maior bancada da Casa, o PL precisará de alianças para vencer a eleição. A decisão sobre Marinho e a possibilidade de um acordo com Tereza Cristina serão decisivas para avaliar a capacidade da oposição de enfrentar a articulação de Alcolumbre.

Tags: Câmara dos Deputados, Davi Alcolumbre, Hugo Motta, Rogério Marinho, Senado

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