
Flávio Bolsonaro venceu no DF, mas Lula ampliou sua votação em 2026. (Foto: Instagram)
Apesar da vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais no Distrito Federal, os resultados apontaram crescimento do eleitorado do presidente reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Se, no segundo turno de 2022, a família Bolsonaro dominava a capital com ampla vantagem, a disputa direta de 2026 registrou avanço petista.
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No segundo turno de 2022, o ex-presidente da República Jair Bolsonaro recebeu 1.041.331 votos no Distrito Federal, o equivalente a 58,81% dos votos válidos. Quatro anos depois, seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL), teve 979.542 votos no segundo turno de 2026, somando 54,28%. A diferença representa uma perda de 61.789 votos em números absolutos e uma queda de 4,53 pontos percentuais na preferência do eleitorado brasiliense.
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Na direção oposta, Lula ampliou sua presença na capital federal. Em 2022, o candidato do PT obteve 729.295 votos (41,19% dos válidos) no DF. Em 2026, sua candidatura à reeleição chegou a 825.224 votos, alcançando 45,72%. Foram 95.929 eleitores a mais em relação à eleição anterior.
O crescimento também foi significativo dentro do próprio pleito de 2026: do primeiro para o segundo turno, Lula passou de 675.627 para 825.224 votos no DF, um acréscimo de quase 150 mil votos na capital.
O rearranjo de forças no Distrito Federal já apresentava sinais no primeiro turno de 2026. Em 2 de outubro de 2022, Jair Bolsonaro liderou no DF com 910.397 votos (51,65% dos válidos), com vantagem de 260.863 votos sobre Lula, que somou 649.534 votos (36,85%).
No primeiro turno de 2026, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro recebeu 909.616 votos (51,31%), uma queda de 781 votos e de 0,34 ponto percentual em relação ao resultado de seu pai em 2022. No mesmo estágio da disputa, Lula avançou para 675.627 votos (38,11%), reduzindo a vantagem da oposição no 1º turno de 14,80 para 13,20 pontos percentuais.
MOBILIZAÇÃO E VOTO CRÍTICO
Para o analista político e advogado Melillo Dinis, a redução da vantagem da direita e o crescimento de Lula são resultado de uma combinação de fatores que não se limita à militância partidária.
Dinis avalia que houve mobilização, mas também votos de centro, pragmáticos e de resistência a Flávio. Segundo ele, nem todos os eleitores de Lula se identificam com a esquerda: alguns fazem sua escolha por comparação, pela avaliação do governo ou para barrar a vitória do adversário. A urna registra o voto, mas não revela uma declaração de apoio irrestrito.
O analista também aponta limites na força do sobrenome Bolsonaro. Para ele, a transferência eleitoral não ocorre automaticamente, como uma herança em cartório, o que indica obstáculos para Flávio repetir a votação do pai. Dinis pondera, contudo, que o DF continua majoritariamente conservador: houve redução da vantagem, mas não uma inversão da maioria, já que a direita venceu na capital pela segunda eleição consecutiva.
TRANSFERÊNCIA DE VOTOS PARA GRASS
Leandro Grass (PT), candidato de Lula ao Governo do Distrito Federal (GDF), não conseguiu receber 86.094 votos a mais do presidente reeleito. Para o especialista político, isso se explica porque as eleições para o governo local seguem lógicas diferentes na conquista dos votos.
Melillo destacou que a candidatura local precisava convencer também quem apoiava Lula para a Presidência, mas ainda tinha dúvidas sobre a opção para o GDF. A imagem ao lado do presidente pode servir à campanha, afirmou, mas a confiança para governar precisa ser construída no próprio Distrito Federal.
Na avaliação do especialista, o aumento de votos é um sinal, mas não uma tendência consolidada para o futuro. Dinis considera que o DF é mais disputável do que sugere a imagem de uma fortaleza inexpugnável da direita, mas ressalta que votar em Lula não significa aderir de forma permanente à esquerda.
VOTAÇÃO POR ZONA ELEITORAL
O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) repetiu o cenário do primeiro turno, quando venceu em apenas duas Zonas Eleitorais (ZEs) do Distrito Federal, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O candidato petista manteve a dianteira nas Asas Sul e Norte, com 52,36% e 56,33%, respectivamente.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) registrou seus maiores percentuais em Taguatinga, com 59,45%, e Samambaia, com 58,59%. Ele também venceu em todas as demais ZEs da capital.
A maior alta percentual de Lula entre os turnos ocorreu na ZE de Santa Maria. Na região, o candidato petista subiu de 36,17% no primeiro turno para 45,19% no segundo, um avanço de nove pontos percentuais.
Tags: bolsonarismo, Bolsonaro, Distrito Federal, eleições, Governo Lula, Lula, presidência, Segundo turno, voto







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