
A história de Anastasia Romanov, a grã-duquesa cuja morte deu origem a um dos mistérios mais famosos da Rússia. (Foto: Instagram)
Anastasia Nikolaevna Romanov entrou para a história da Rússia e inspirou a trama de Anastasia, animação da Fox Animation Studios lançada em 1997. Nascida em junho de 1901, em Peterhof, perto de São Petersburgo, a grã-duquesa teve pouco tempo para viver. Aos 17 anos, foi assassinada com a família por um pelotão de fuzilamento bolchevique. Sua morte, porém, deu origem a rumores que nunca foram esclarecidos.
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A filha caçula do czar Nicolau II, último imperador da Rússia, e da czarina Alexandra foi morta junto dos demais familiares em um porão onde todos eram mantidos presos pelos bolcheviques, depois da etapa final da Revolução Russa de 1917.
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UMA INFÂNCIA EM MEIO À REVOLUÇÃO
De acordo com o livro As Irmãs Romanov, de Helen Rappaport, o nascimento da princesa causou grande frustração na corte russa, que esperava a chegada de um menino.
A irmã de Nicolau, a grã-duquesa Xenia, teria exclamado na ocasião: “Meu Deus! Que decepção! Uma quarta menina”.
O filho seguinte da imperatriz Alexandra foi um menino, mas nasceu com hemofilia. No início do século 20, crianças com a doença raramente chegavam à idade adulta. A condição gerou insegurança em relação à sucessão do trono russo, e a família ocultou o diagnóstico do jovem czarevich Alexei.
Apesar do clima tenso no palácio e da revolução de 1905, Anastasia teve uma infância cheia de energia. Com base na obra de Rappaport, a escritora americana Nancy Bilyeau descreveu a princesa como a mais baixa e menos delicada das filhas, de cabelos loiro-escuros e olhos azuis.
Rappaport também relatou que Anastasia era conhecida pela vivacidade e pelo humor. Ela gostava de fazer travessuras e pregar peças, nem sempre agradáveis, e costumava passar rasteiras nas pessoas.
MISTÉRIO SOBRE A MORTE DA PRINCESA
Segundo o portal Britannica, depois das execuções, muitas mulheres de fora da Rússia reivindicaram a identidade de Anastasia, alimentando especulações sobre sua morte.
Todas afirmavam ter sobrevivido à execução e conseguido escapar do território russo. Algumas também diziam ser herdeiras da fortuna da família Romanov, mantida em bancos suíços.
A mais conhecida dessas candidatas era uma mulher que se identificava como Anna Anderson. Alguns críticos, no entanto, contestavam sua identidade e diziam que seu nome verdadeiro era Franziska Schanzkowska, de origem polonesa. Em meados de 1970, Anna tentou ser reconhecida como legítima herdeira da fortuna Romanov, mas os tribunais da Alemanha Ocidental rejeitaram o pedido e destinaram o que restava do patrimônio imperial à duquesa de Mecklenburg.
Na década de 1990, foram feitos diversos testes genéticos em tecidos de Anna e nos restos mortais de integrantes da família real russa. Os resultados, porém, não apontaram qualquer vínculo entre ela e os Romanov.
A lenda de que Anastasia teria sobrevivido inspirou a peça francesa Anastasia, escrita por Marcelle Maurette e produzida em 1954. Outra adaptação foi o filme americano Anastácia, a Princesa Esquecida, lançado em 1956. A atriz sueca Ingrid Bergman, nascida em 1915, protagonizou a produção e ganhou o Oscar de melhor atriz pelo papel principal.
RELAÇÃO ENTRE ANASTASIA ROMANOV E A DISNEY
O fim do czarismo e a Revolução Russa compõem o contexto histórico da vida de Anastasia. Lançado em 1997 e dirigido e produzido por Don Bluth e Gary Goldman, o filme foi inspirado na história da princesa e nas dúvidas em torno de sua morte. A Disney detém atualmente os direitos do longa-metragem, após comprar a 20th Century Fox em 2019. Por esse motivo, Anastasia não é considerada parte da franquia oficial de princesas da plataforma de streaming global.
A trama começa em 1916, quando Anastasia tenta escapar da multidão bolchevique que invade o palácio da família. Segundo a lenda, a grã-duquesa é deixada para trás, perde a memória em meio ao caos e desperta em um orfanato. Sem se lembrar de quem é, passa a acreditar que sempre viveu ali. Ela é procurada, e quem a encontrasse receberia uma grande fortuna.
Na história, ao completar 18 anos e atingir a maioridade, Anastasia sai do orfanato e conhece Dimitri, um plebeu que vive nas ruas de São Petersburgo. O rapaz se impressiona com a semelhança entre ela e a princesa, que estava sendo procurada.
A narrativa inclui outros personagens que dão simbolismo à animação. Grigori Rasputin, por exemplo, aparece como um feiticeiro das trevas e o principal antagonista. Ele se torna inimigo da princesa e é apresentado como responsável por provocar a Revolução Russa.
Na vida real, Grigori Yefimovich Rasputin viveu de 1869 a 1916 e foi um místico itinerante da Sibéria. Ele ganhou destaque na corte russa após ser aceito pela família imperial, graças a métodos que ajudavam a aliviar as crises de dor do príncipe Alexei.
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As demais notas e reportagens da coluna podem ser consultadas na página de Claudia Meireles.
Tags: curiosidades, Família real, história, Princesa, realeza, Rússia







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