
Lula deve iniciar nesta semana conversas com partidos sobre a composição do próximo governo. A definição dos ministros é esperada para dezembro, e a fidelidade às pautas do Executivo deve pesar na distribuição dos cargos. (Foto: Instagram)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não demonstra pressa para definir a composição de seu quarto mandato. A partir desta semana, representantes do presidente começarão a conversar com partidos e lideranças políticas sobre os novos integrantes da Esplanada dos Ministérios.
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A escolha dos nomes, contudo, só deve ser concluída em dezembro, segundo aliados do titular do Planalto.
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A prioridade do próximo governo será a fidelidade dos partidos selecionados para integrar o alto escalão do Executivo federal.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, foi escolhido por Lula para iniciar conversas com partidos do centro sobre a formação do governo no quarto mandato do petista. Os encontros devem ter início na terça-feira (3/11), depois do feriado de Finados.
De acordo com auxiliares de Lula, a divisão dos espaços no governo entre as legendas do Centrão deverá considerar o nível de compromisso de cada partido com as pautas e os projetos do Executivo.
Assim, o critério tende a ser mais exigente do que no mandato atual. Na gestão, partidos com ministérios na Esplanada votaram diversas vezes contra o governo no Congresso Nacional, sem um compromisso de fidelidade firmado com o Executivo. No terceiro mandato, Lula entregou pastas a siglas como MDB, PSD e União Brasil, mas sofreu derrotas em votações relevantes no Legislativo.
Desta vez, a exigência de fidelidade deve aumentar para assegurar a governabilidade de Lula, em meio a um Congresso dominado pela oposição.
Além de Edinho, outros representantes e o próprio presidente devem conversar com lideranças do Centrão a partir desta semana.
CENTRÃO APOIOU FLÁVIO
No segundo turno da eleição presidencial, os principais partidos do Centrão manifestaram apoio a Flávio Bolsonaro (PL), derrotado nas urnas. Estão entre eles Republicanos, a federação União Progressista (formada por União Brasil e PP), Podemos e MDB.
Sem o apoio formal das siglas, Lula procurou obter manifestações individuais de lideranças políticas, entre elas o presidente do Senado Federal Davi Alcolumbre (União-AP) e o presidente da Câmara dos Deputados Hugo Motta (Republicanos-PB).
No caso de Motta, por exemplo, o Republicanos apoiou Flávio nacionalmente, mas o diretório estadual do partido na Paraíba divergiu da direção nacional e declarou apoio a Lula.
BUSCA POR GOVERNABILIDADE
- A partir do ano que vem, Lula terá de lidar com um país dividido e um Congresso Nacional cuja oposição estará ainda mais fortalecida.
- O PL, partido de Flávio Bolsonaro, terá as maiores bancadas nas duas Casas a partir de fevereiro de 2027. Na Câmara dos Deputados, 121 dos 513 deputados serão do PL, ante 70 do PT. No Senado, o PL terá 29 dos 81 senadores. O PT ficará com 10.
- A relação com o Legislativo já foi um dos principais entraves do terceiro mandato de Lula. Em 2023, a medida provisória que reorganizou a Esplanada dos Ministérios quase perdeu a validade e acabou aprovada no último dia do prazo, com alterações contrárias ao governo, sobretudo nas atribuições dos ministérios do Meio Ambiente e dos Povos Indígenas.
- Os impasses se repetiram em outras votações, inclusive quando vetos presidenciais foram derrubados. No Senado, uma das maiores derrotas foi a rejeição, em abril deste ano, de Jorge Messias, indicado por Lula para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
ACOMODAÇÃO DE ALIADOS
Nos bastidores, começam a avançar as conversas sobre possíveis nomes para cargos no governo. Entre os cotados estão políticos vistos como importantes para a reeleição de Lula, como o senador Camilo Santana (PT-CE), o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e o deputado federal André Janones (Rede-MG).
O nome de Camilo Santana, ex-ministro da Educação, ganhou força para ocupar a Casa Civil no próximo mandato. O petista já era considerado um auxiliar bem-sucedido à frente do MEC e saiu fortalecido depois de coordenar a vitória no primeiro turno do governador Elmano de Freitas (PT), no Ceará.
No segundo turno, o ex-ministro também teve destaque na articulação política da campanha de Lula.
Já Fonteles, reeleito com ampla vantagem no Piauí, é cotado para o Ministério da Fazenda. Ele foi secretário estadual da Fazenda durante o governo de Wellington Dias, mas precisaria renunciar ao mandato para assumir um cargo na Esplanada.
Na segunda etapa do pleito, ele reforçou a coordenação de comunicação da campanha petista, quando Lula buscava renovar a linguagem usada nas redes sociais.
Na quinta-feira (29/10), porém, o governador do Piauí negou publicamente ter conversado com o presidente Lula sobre a possibilidade de assumir algum cargo no novo mandato do petista.
Os dois são considerados possíveis sucessores de Lula na disputa presidencial de 2030, já que o petista não poderá concorrer a uma nova reeleição.
Outros nomes também são cotados para chefiar o Ministério da Fazenda a partir de 2027, entre eles o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Alckmin é visto como alguém capaz de transmitir equilíbrio ao mercado financeiro, por ser bem-visto pelo setor.
ALIADOS SEM MANDATO
A composição do novo governo também precisará abrir espaço para aliados próximos de Lula, incluindo políticos de esquerda e centro-esquerda que não conseguiram se eleger neste ano.
A necessidade de acomodar esses aliados diminui o espaço para negociar com partidos de centro. Ao mesmo tempo, Lula terá de assegurar apoio parlamentar para aprovar projetos, medidas provisórias e propostas que exigem quórum elevado.
NOMES A SEREM ACOMODADOS
- O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT-SP), que disputou o governo de São Paulo a pedido de Lula, mas foi derrotado no primeiro turno por Tarcísio de Freitas (Republicanos);
- As candidatas de Lula ao Senado por São Paulo, que também não conquistaram vagas, deverão ser aproveitadas na nova gestão: a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (PT-SP) e a ex-ministra do Planejamento e Orçamento Simone Tebet (PSB-SP);
- Os candidatos derrotados nas disputas pelos governos estaduais João Campos (PSB), em Pernambuco, e Eduardo Paes (PSD-RJ), no Rio de Janeiro;
- A ex-ministra da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência Gleisi Hoffmann (PT-RS), que concorreu ao Senado pelo Paraná;
- O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), aliado de primeira hora e líder do governo no Congresso, não conseguiu se reeleger pelo Amapá e também precisará de espaço;
- O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), que disputou o Senado e não venceu. Ele comandou a Secretaria de Comunicação e foi secretário extraordinário para reconstrução do Rio Grande do Sul após as enchentes de 2024;
- O senador Renan Calheiros (MDB) e seu filho, Renan Filho (MDB), também senador e ex-ministro dos Transportes. Nenhum dos dois conseguiu se eleger em Alagoas: o pai disputou uma vaga no Senado, enquanto o filho concorreu ao governo estadual.
Além dos aliados derrotados nas urnas, Lula terá de encontrar espaço para pessoas próximas que optaram por não disputar as eleições e se dedicar à campanha.
É o caso dos deputados federais Guilherme Boulos (PSol-SP), atualmente à frente da Secretaria-Geral da Presidência; Alexandre Padilha (PT-SP), ministro da Saúde; e José Guimarães (PT-CE), atual ministro das Relações Institucionais.
Tags: articulação política, Centrão, Esplanada dos Ministérios, Governo Lula, Lula







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