
Na síndrome de couvade, pais e parceiros podem sentir sintomas semelhantes aos da gravidez. (Foto: Instagram)
A gravidez costuma trazer sinais que afetam o corpo da mulher, como mudanças no apetite, enjoos matinais, atraso menstrual e sensibilidade nas mamas, entre outros sintomas. Apesar de essas manifestações interferirem no organismo materno, elas não são necessariamente exclusivas da mãe. A síndrome de couvade, também chamada de gravidez compartilhada, ocorre quando “o pai ou parceiro da gestante começa a apresentar sintomas parecidos com os da gravidez, mesmo sem estar grávido”, explica a psicóloga Cibele Pejan.
++ Sistema de IA mostra como pessoas estão criando conteúdo diário sem gravar vídeos
Embora possam parecer incomuns, os sintomas sentidos pelo homem são reais e podem afetar seu organismo de maneira semelhante à gravidez. “A pessoa não está ‘inventando’ nem ‘fazendo cena’. Ela realmente pode sentir náusea, cansaço, mudanças no apetite, alterações de humor e outros desconfortos. O corpo muitas vezes expressa o que está sendo vivido emocionalmente”, afirma.
++ Bomba! Astro de Hollywood, Joe Manganirllo revela ter amputado membro
MANIFESTAÇÕES MAIS FREQUENTES
Os principais sinais da síndrome de couvade são muito parecidos com os que as mulheres apresentam durante a gravidez. Cansaço, irritabilidade, mudanças no sono, ansiedade, enjoos, ganho ou perda de peso, dores no corpo e maior sensibilidade emocional estão entre os sintomas citados pela psicóloga.
A questão, então, é saber se a síndrome tem origem hormonal, emocional ou nas duas. Segundo a especialista, ambas as possibilidades podem estar envolvidas.
“É muito provável que sejam os dois fatores. Há um componente emocional relevante, relacionado à ansiedade, ao vínculo com a gestação e ao impacto da chegada do bebê. Também existem hipóteses de alterações fisiológicas e hormonais associadas a esse processo”, diz Cibele.
A ansiedade e a conexão com a gestação podem estar entre as causas que levam o homem a desenvolver a síndrome. O aspecto emocional pode ser um importante estímulo para que o corpo reaja de formas diversas.
“Quanto maior o envolvimento emocional da pessoa com a gravidez, mais intensa pode ser essa mobilização. Em alguns casos, ela se manifesta como carinho, identificação e empatia; em outros, como preocupação, medo e ansiedade diante das mudanças que virão”, afirma a psicóloga.
A SÍNDROME DE COUVADE É COMUM OU AINDA É POUCO ESTUDADA?
Embora o tema seja conhecido, Cibele ressalta que ainda faltam estudos aprofundados. A síndrome não é considerada incomum no campo médico, mas ainda não há base teórica e clínica suficiente para determinar a frequência desses sintomas.
“Sabemos que não é tão raro quanto parece, mas ainda precisamos de pesquisas mais amplas para compreender melhor por que acontece e com que frequência”, afirma.
Diante disso, é importante identificar se os sinais são passageiros ou se refletem um sofrimento psíquico mais significativo.
A especialista alerta que “sintomas leves e passageiros geralmente fazem parte de um período de adaptação. Porém, se começam a prejudicar o sono, o trabalho, a relação do casal ou causam sofrimento intenso, é importante observar com mais atenção. A intensidade e o impacto na vida são os principais sinais de alerta”.
Isso evidencia que a saúde mental masculina e a parentalidade podem afetar diretamente outras áreas da vida do homem. A gestação pode mexer profundamente com as emoções de pais e parceiros, e cada um reage de maneira diferente às mudanças que acompanham a chegada de uma nova vida. Segundo a especialista, muitos homens não se sentem à vontade para falar sobre medos e inseguranças, e o corpo acaba manifestando essas questões.
“O homem ou companheiro sente medo, insegurança e responsabilidade, mas não encontra espaço para falar disso; o corpo acaba falando.”
COMO ACOLHER OS SINTOMAS?
Para amenizar o sofrimento emocional e físico, é importante levar a sério o que o parceiro ou pai relata. Para Cibele, o primeiro passo é não ridicularizar o que ele está sentindo.
A psicóloga destaca que envolver o parceiro na gestação pode ajudá-lo a conversar sobre medos, expectativas e sentimentos. Também é importante incentivar cuidados com a rotina, o sono e a saúde emocional.
Se os sintomas aumentarem ou persistirem, é necessário procurar ajuda profissional. Conversar com um psicólogo ou médico pode ser útil para enfrentar esse período de grandes mudanças.
Tags: gestação, gravidez, homem, saúde mental







Leave a Reply