Viajar sozinha ganha espaço entre as mulheres

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Viajar sozinha já faz parte dos planos de muitas brasileiras: quatro em cada dez já fizeram uma viagem sem companhia, segundo levantamento do Ministério do Turismo. Lazer, liberdade e autoconhecimento estão entre as principais motivações. (Foto: Instagram)

Antes, viajar parecia depender de uma combinação difícil para as mulheres: tempo livre, dinheiro e, sobretudo, alguém disposto a acompanhá-las — e nem sempre é fácil conciliar agendas.

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Hoje, porém, esperar por uma companhia para viajar já não é tão necessário. De acordo com dados do Ministério do Turismo, quatro em cada dez brasileiras já fizeram uma viagem sozinhas.

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A pesquisa aponta que elas buscam principalmente lazer, independência e autoconhecimento.

Quando não é preciso combinar preferências e horários com outra pessoa, a viajante consegue organizar um roteiro mais alinhado aos próprios interesses.

Viajar sem companhia, assim, tornou-se uma escolha cada vez mais frequente entre as brasileiras. Em busca de descanso, liberdade, autoconhecimento ou novas experiências, milhares de mulheres têm incluído destinos pelo mundo em seus planos.

“Durante a viagem, decidi que com certeza deveria fazer aquilo mais vezes. Senti a liberdade de escolher o que queria fazer, porque tanto o destino quanto a programação dependiam apenas de mim. Foi incrível.”

Tamires Moreira, publicitária

Para a jovem de 26 anos, a melhor viagem solo foi ao Rio de Janeiro. “Ficar em um hostel me permitiu fazer amizades e também aproveitar momentos sozinha. A cidade oferece muitas atividades, como explorar o calçadão de Copacabana, andar de bondinho e conhecer o Cristo Redentor.”

O primeiro destino que ela visitou sozinha foi Vitória (ES), em janeiro deste ano. A viagem foi muito importante para a jovem, pois marcou uma virada em sua vida.

“No fim de 2024, perdi minha mãe, e essa viagem marcou o renascimento de uma nova Tamires; alguém que ainda está passando pelo luto, mas procura alternativas para atravessar esse processo de maneira mais leve. Viajar se tornou uma delas”, conta.

Em 2025, Tamires começou a viajar na data do aniversário. Neste ano, por exemplo, comemorou sozinha pela primeira vez, ao mesmo tempo que lidava com o fim de um relacionamento de pouco mais de três anos. “De certa maneira, essa viagem foi uma tentativa de me reencontrar e descobrir quem sou além de fazer parte de um casal.”

A turista avalia que viajar sozinha foi uma oportunidade de se conhecer melhor e também um desafio para ir mais longe. “Essa experiência me deu coragem para fazer coisas que hoje faço, como ir sozinha a shows, bares, restaurantes etc.”

A primeira viagem solo da psicóloga Aline Rocha, de 25 anos, ocorreu em 2022, para a Austrália. Ela decidiu viajar porque queria realizar um sonho. “Tomei essa decisão depois de sonhar por muitos anos em conhecer esse país, cercado pela cultura jovem do surf e do skate, que admiro muito.”

A experiência transformou completamente a maneira como Aline enxergava o mundo e a vida. “Senti que era dona de mim e também o peso de depender apenas de mim para cuidar de vários aspectos, da segurança às questões financeiras, em um ambiente totalmente novo.”

Dois anos depois, ela viajou com a família para o Rio Grande do Norte e, na região, fez amizade com jovens que falavam bastante inglês. Viajantes solo, eles contaram que estavam gostando muito de Pipa e que ainda não se conheciam antes de se hospedarem em um hostel local.

“Eu nunca tinha conhecido de perto a cultura de hostel, só conhecia residência estudantil. Fiz amizade com eles, me conectei com todos e senti que aquela troca me fez sentir viva. Alguns meses depois, estava sozinha nesse mesmo hostel, em Pipa, vivendo alguns dos melhores dias da minha vida”, relata.

Aline também conheceu sozinha Portugal e Espanha, além da Inglaterra e Irlanda. Depois, passou a explorar mais o litoral do Brasil para aprender a surfar enquanto viaja.

INTERESSES TURÍSTICOS

O levantamento do ministério, realizado entre agosto e setembro de 2025 com 2.712 mulheres de todas as regiões do país, identificou os principais motivos para essas viajantes conhecerem destinos sem companhia:

  • Busca por momentos de lazer (72,6%)
  • Desejo por independência e liberdade (65,1%)
  • Anseio por autoconhecimento (41,4%)
  • Compromissos profissionais (37,6%)

O interesse por atividades culturais, como visitar museus e centros históricos, foi citado por 68% das mulheres que participaram da pesquisa.

O ecoturismo é preferência de 64%, seguido por experiências de bem-estar (44,9%), compromissos de trabalho (38,5%), participação em eventos e festivais (36,6%) e interesse pela gastronomia (30,1%).

Uma parcela expressiva das entrevistadas (36%) viaja sozinha apenas pelo Brasil. As regiões mais visitadas são Sudeste (73%) e Nordeste (66%), seguidas por Sul (50%); Centro-Oeste (37%) e Norte (30%).

A faixa etária mais comum entre as viajantes solo é de 35 a 44 anos (34,6%). Em seguida estão as mulheres de 45 a 54 anos (22,1%) e de 25 a 34 anos (21,7%). A maioria recebe entre três e dez salários mínimos, e 67,7% não têm filhos.

SEGURANÇA A BORDO

Apesar do crescimento das viagens solo entre mulheres, a segurança segue como um aspecto determinante na escolha do destino.

Seis em cada dez entrevistadas dizem, inclusive, já ter desistido de viajar por medo da violência.

Além disso, mais de 60% afirmaram ter passado por alguma situação que gerou sensação de insegurança durante uma viagem sem companhia.

A pesquisa também mostra que os riscos não se limitam à violência física. O receio de furtos, golpes e fraudes contra turistas também aparece entre as preocupações.

Para Tamires, é importante pesquisar bastante o destino ao preparar um roteiro, principalmente em relação à segurança. “Uso IA apenas para organizar o que vou fazer em cada dia. Defino o roteiro depois de pesquisar muito as experiências de outras mulheres que viajam sozinhas; assisto a muitos vlogs de viagem no YouTube.”

Tamires também deixa uma sugestão para quem pensa em viajar sozinha pela primeira vez: “Se estiver com medo, vá mesmo assim. Pesquise bastante sobre os destinos e escolha lugares com atrações de que você goste, em vez de optar por um destino que está em promoção ou na moda. Fique em hostel: é a melhor maneira de fazer amizades, mesmo se você for tímida, como eu”.

“Para mim, viajar é uma oportunidade de sair do que já conheço e dar um novo sentido à minha história a partir de cada experiência, troca cultural e paisagem que vejo pela primeira vez.”

Aline Rocha, psicóloga

Na opinião de Aline, não existe uma quantidade mínima de dias para viajar. Afinal, viagens solo curtas ou longas podem ser transformadoras. “Já vivi uma vida em cinco dias, por exemplo. Quando viajar, o ideal é se jogar no meio de outros viajantes; acredite, o aprendizado será intenso e lindíssimo.”

Para quem vai viajar sozinha pela primeira vez, Aline considera essencial ter dinheiro suficiente para evitar perrengues e experiência para se manter segura. “Além disso, se jogue, viva e se permita ir sem ter todas as respostas, descobrindo as coisas pelo caminho”, aconselha.

RANKING DAS CIDADES MAIS SEGURAS

A Berkshire Hathaway Travel Protection divulgou uma lista das cidades consideradas mais seguras para visitar:

  • Amsterdã (Países Baixos)
  • Reykjavik (Islândia)
  • Barcelona (Espanha)
  • Copenhague (Dinamarca)
  • Seul (Coreia do Sul)
  • São Francisco (Estados Unidos)
  • Honolulu (Estados Unidos)
  • Londres (Reino Unido)
  • Bangkok (Tailândia)
  • Nova York (Estados Unidos)

Tags: turismo, mulheres, viagem

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