
Onda azul histórica amplia derrotas republicanas e marca eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. (Foto: Instagram)
O que atingiu Donald Trump e o Partido Republicano nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos foi muito além de uma enorme onda azul. Sem exagero, um tsunami azul segue causando estragos e entrará para a história do país reconhecido universalmente como o berço da democracia.
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O episódio reúne uma série de feitos inéditos: a eleição do primeiro senador assumidamente gay; da primeira mulher negra governadora; da primeira indígena governadora; da primeira mulher indígena senadora; do primeiro muçulmano senador; da primeira mulher de origem latina governadora do Texas; do primeiro negro governador da Flórida; do primeiro negro governador do Wisconsin; do primeiro negro governador de Nevada; e do primeiro governador de origem latina da Califórnia.
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Depois que todos os votos forem contados, os democratas deverão vencer o voto popular nacional em todas as disputas para a Câmara dos Representantes por uma diferença de 13 pontos percentuais, de acordo com estimativas do The New York Times. Será a maior margem de vitória desde as eleições realizadas após o escândalo Watergate, que levou à renúncia do então presidente Richard Nixon em agosto de 1974.
Os democratas podem conquistar até sete cadeiras no Senado que, na eleição presidencial anterior, penderam para os republicanos por mais de 10 pontos percentuais. Não há precedente moderno de qualquer partido ter alcançado resultado tão expressivo em estados que haviam se inclinado fortemente para o lado oposto. Além disso, os democratas venceram não apenas em estados republicanos quaisquer: triunfaram no Texas e no Kansas, dois estados que simbolizam o domínio republicano no centro do país há uma geração. E as vitórias não foram apertadas, mas amplas, com vantagem de dois dígitos inclusive no Texas.
Na última década, Trump transformou o Partido Republicano que conhecíamos. Em seu lugar, colocou um partido mais jovem, menos abastado, menos envolvido com a política e mais ligado à classe trabalhadora. Em resumo, uma legenda menos conservadora e mais atenta às questões econômicas. No segundo mandato, contudo, foi desmontando sua coalizão gradualmente.
As tarifas que impôs e os preços elevados da gasolina durante seu atual mandato afastaram os eleitores da classe trabalhadora, atraídos no primeiro mandato por seu histórico de gestão econômica e pela promessa de reduzir os custos. A decisão de entrar em guerra com o Irã afastou uma geração que cresceu lamentando as guerras intermináveis no Iraque e no Afeganistão. Já a corrupção, que virou tema central da campanha, e a condução do caso Epstein repeliram eleitores anti-establishment, desconfiados da elite de Washington.
Os excessos das políticas de imigração de Trump também ajudaram a afastar os eleitores hispânicos que o apoiaram em massa em 2024 — e que foram fundamentais para manter o Texas como estado republicano. Na votação nacional para a Câmara dos Representantes, os democratas conquistaram 70% a 28% dos votos entre os jovens e 69% a 30% entre os eleitores hispânicos.
Nos últimos dois anos, Trump se dedicou à tarefa insana de enfraquecer a democracia americana. A resposta das urnas a esse esforço foi inequívoca: ela segue forte. Isso é importante para os Estados Unidos e, por consequência, para um mundo ameaçado pelo avanço da extrema-direita.
Tags: Donald Trump, democracia, eleições nos Estados Unidos, Republicanos, Texas, extrema-direita







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