Crise bancária que derrubou presidente também afeta serviços públicos no Paraguai

Publicado por

–


A crise do Banco Ueno deixou milhares de clientes sem acesso ao dinheiro e atingiu instituições públicas do Paraguai. Bombeiros já reduziram operações, enquanto órgãos de previdência e energia tentam recuperar recursos retidos. (Foto: Instagram)

A falência do Banco Ueno, o maior banco digital do Paraguai, provocou uma crise que derrubou o presidente Santiago Peña e deixou milhares de pessoas sem acesso ao dinheiro investido. Os efeitos sobre a população podem se ampliar nos próximos dias, à medida que a crise atingir os serviços públicos do país.

++ Sistema de IA mostra como pessoas estão criando conteúdo diário sem gravar vídeos

Dados do governo paraguaio apontam que a instituição financeira mantinha recursos do Instituto de Seguridade Social, responsável pela previdência paraguaia, da Administração Nacional de Eletricidade (ANDE), estatal de fornecimento de energia, e do Corpo de Bombeiros Voluntários do Paraguai.

++ Bomba! Astro de Hollywood, Joe Manganirllo revela ter amputado membro

Os bombeiros, que no Paraguai atuam como voluntários e não são servidores públicos, já sentem os efeitos do escândalo financeiro. Desde sexta-feira (6/11), as operações passaram a funcionar com capacidade reduzida.

BANCO UENO QUEBROU

  • Na última terça-feira (3/11), o Banco Central paraguaio dissolveu o Banco Ueno após constatar que o nível de solvência da instituição havia caído para menos da metade do necessário.
  • Com 2,9 milhões de clientes — cerca de 40% da população paraguaia —, o Ueno era o maior banco digital do país. Após a dissolução, milhares de pessoas ficaram sem acesso aos valores depositados.
  • O Ministério Público acusa a empresa de manipular a situação patrimonial do banco para dar credibilidade às operações, além de conceder empréstimos e fazer concessões a empresas ligadas ao grupo controlador.
  • A dissolução do Ueno levou à saída de Santiago Peña da Presidência do Paraguai. Até o ano passado, ele era acionista do grupo controlador do banco.
  • O Congresso paraguaio aprovou o impeachment de Peña em dois dias: na quinta, a Câmara abriu o processo por unanimidade; na sexta, o Senado votou pela destituição do presidente. Peña também é investigado criminalmente por suposto envolvimento no escândalo financeiro.
  • Na noite de sexta-feira (6/11), Peña foi preso pela Polícia Nacional. O ex-presidente foi detido em casa, em Assunção, capital paraguaia.

BOMBEIROS

O Corpo de Bombeiros Voluntários do Paraguai foi a primeira instituição a sofrer um impacto concreto e precisou reduzir a capacidade de operação de seus veículos. Segundo o jornal ABC, do Paraguai, o quartel de Itá tinha apenas um veículo em uso nessa sexta-feira (6/11).

A diretoria nacional dos bombeiros informou que cerca de 2 bilhões de guaranis (US$ 313 mil) arrecadados na última coleta da organização estão congelados no Banco Ueno, assim como recursos próprios de quartéis. De acordo com a diretoria, a situação prejudica a “capacidade operacional dos quartéis e a continuidade dos serviços de emergência”.

Os bombeiros também afirmam estar trabalhando para que “estes recursos sejam expressamente protegidos e excluídos de qualquer mecanismo de perdão, conversão, reestruturação ou adiamento que possa afetar a sua disponibilidade e destino”.

PREVIDÊNCIA

O Instituto de Seguridade Social do Paraguai, responsável pela previdência, mantém cerca de US$ 355 milhões depositados no Banco Ueno. Conforme o órgão, a quantia equivale a 9% de todo o fundo previdenciário do governo paraguaio.

A previdência, porém, assegura que a crise não afetará os pagamentos a aposentados e pensionistas. A conselheira Mirtha Arias afastou o temor de falta de recursos e garantiu que os pensionistas receberão “integralmente no dia 17 de novembro”.

O instituto busca recuperar os valores congelados no Ueno junto ao Banco Central e já iniciou um processo, apresentando documentos para assegurar a manutenção dos fundos.

Além disso, 32 mil aposentados receberiam os pagamentos por meio do Banco Ueno. A previdência afirma que está trabalhando para transferir essas contas para outras instituições bancárias.

ENERGIA ELÉTRICA

A Administração Nacional de Eletricidade (Ande), estatal paraguaia de fornecimento de energia elétrica, também mantinha recursos no Banco Ueno. O presidente da Ande, Miguel Baéz, disse à mídia paraguaia que a instituição tem depósitos referentes a empréstimos do Banco Interamericano de Desenvolvimento e de Taiwan.

Assim como outros órgãos, a Ande solicitou ao Banco Central um “tratamento especial” para os fundos da empresa. Baéz acrescentou que a crise do Ueno também pode afetar a companhia, já que usuários da estatal recorrem a aplicativos do banco para fazer pagamentos.

QUEDAS NO GOVERNO

A crise do Banco Ueno provocou uma série de saídas no governo de Santiago Peña.

  • O presidente Santiago Peña sofreu impeachment nessa sexta-feira (6/1).
  • Com a saída de Peña, o vice-presidente Pedro Alliana, do mesmo partido Colorado, deve assumir o Executivo paraguaio.
  • Javier Giménez, chefe do Gabinete da Presidência de Peña, deixou o cargo nessa sexta, assim como Roberto Moreno, assessor jurídico da Presidência.
  • Carlos Cavallo, diretor do Banco Central, renunciou ao cargo na quarta.
  • Enrique Riera, ministro do Interior, também deixou o cargo nessa quinta.

Tags: crise econômica, crise política, Paraguai, serviço público

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *