Ex-presidente do Paraguai Santiago Peña depõe após ser preso

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Preso após ser destituído, Santiago Peña presta depoimento em Assunção (Foto: Instagram)

O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña compareceu na manhã deste sábado (7/11) à sede do Ministério Público do Estado, em Assunção, para prestar depoimento. Ele está preso desde a noite da última sexta-feira (6/11), por determinação da Justiça.

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Destituído do cargo nesta sexta, Peña foi detido pela Polícia Nacional em sua casa, na capital do país, Assunção. A prisão ocorreu pouco depois de o Senado paraguaio decidir, por unanimidade, pelo impeachment do político.

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O ex-presidente da República, Santiago Peña, comparece à sede da Fiscalía General del Estado para prestar depoimento, acompanhado de seu advogado, Dr. Ricardo Preda.

— Fiscalía Paraguay (@MinPublicoPy), 7 de novembro de 2026

Segundo a Justiça, foram identificados indícios de abuso de confiança e de outros crimes que Peña teria cometido no escândalo bancário que abalou o Paraguai nesta semana.

O Ministério Público começou a investigar o agora ex-presidente após uma denúncia apresentada por parlamentares da oposição. Eles acusaram Peña de enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, corrupção e fraude administrativa.

Eleito presidente em 2023, o político de 47 anos foi acionista de uma empresa ligada ao Ueno Bank até março de 2025. Após Peña assumir o governo do Paraguai, a instituição financeira recebeu grandes quantias em depósitos de órgãos públicos, que chegaram a US$ 850 milhões (cerca de R$ 4,5 bilhões).

O banco foi dissolvido na última terça-feira (3/11), depois que o Banco Central do Paraguai (BPC) o considerou insolvente — isto é, sem recursos para cumprir seus compromissos financeiros.

Durante a crise, Santiago Peña chegou a apresentar renúncia ao Congresso. O pedido não foi aceito e, com isso, ele foi afastado do cargo por meio de um impeachment e perdeu a imunidade política.

CRISE NO PARAGUAI

  • As operações do Ueno Bank, instituição financeira digital, foram suspensas em 3 de novembro pelo Banco Central do Paraguai. A autoridade monetária considerou o banco insolvente, ou seja, incapaz de honrar seus compromissos financeiros, e deu início a um processo de resolução.
  • O Ministério Público paraguaio solicitou a abertura de uma investigação criminal sobre a instituição e a prisão de dirigentes.
  • As apurações incluem suspeitas sobre a administração do banco e empréstimos concedidos a empresas ligadas ao grupo controlador, que poderiam ter comprometido o patrimônio da instituição.
  • Carlos Carvallo, presidente do Banco Central desde 2023, renunciou ao cargo. Antes de comandar a autoridade monetária, ele havia presidido o Ueno Bank.
  • Peña também foi afetado pela crise e passou a ser alvo de um pedido de impeachment.
  • O ex-presidente foi acionista da Ueno Holding, empresa ligada ao grupo controlador do banco, até março de 2025.

Peña publica “despedida”

Santiago Peña divulgou, nessa sexta-feira (6/11), uma mensagem de “despedida” nas redes sociais e disse que decidiu renunciar ao cargo para evitar novos prejuízos ao país. Segundo ele, sua permanência na Presidência poderia ampliar a divisão e a instabilidade política.

A publicação foi feita antes do encerramento da sessão do Senado paraguaio, que aprovou por unanimidade o impeachment de Peña.

Tags: Justiça, Paraguai, Prisão

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