José Junior fala sobre Frota e a 5ª temporada de Arcanjo Renegado

Publicado por

–


A quinta temporada de “Arcanjo Renegado” estreia em 12 de novembro, com mais ação, desdobramentos políticos e Alexandre Frota no elenco. (Foto: Instagram)

A quinta temporada de Arcanjo Renegado estreia no dia 12 de novembro e deve aprofundar os conflitos apresentados nos episódios anteriores. Em entrevista à coluna Fábia Oliveira, José Júnior, criador da série, antecipou que os novos capítulos terão mais cenas de ação e desdobramentos políticos, mantendo a proposta de aproximar a ficção de acontecimentos do cotidiano brasileiro.

++ Sistema de IA mostra como pessoas estão criando conteúdo diário sem gravar vídeos

“Elevamos bastante a quantidade de ação, que desperta muita identificação no público, e haverá desdobramentos na trama. Vamos mostrar cada vez mais a realidade do Rio de Janeiro”, afirmou.

++ Bomba! Astro de Hollywood, Joe Manganirllo revela ter amputado membro

Segundo José Júnior, algumas situações da trama foram filmadas há cerca de um ano, mas acabaram encontrando semelhanças com fatos recentes, como as guerras entre facções e as operações policiais em comunidades. O roteirista e produtor também ressaltou que o enredo político aborda questões das esferas estadual e federal. Para ele, essa conexão com a realidade é uma das características da produção.

“Está cada vez mais, por assim dizer, ligada à realidade, uma marca de Arcanjo Renegado e também dos projetos da AfroReggae Audiovisual”, declarou.

A nova temporada também terá Alexandre Frota no elenco. Depois de cerca de dez anos longe da televisão como ator, ele viverá um secretário de Segurança Pública. José Júnior disse que acompanha a trajetória do artista há décadas e contou que a parceria vai além da série: a produtora está preparando um documentário de quatro episódios sobre a vida de Frota. “O Frota é um ser único”, resumiu.

O criador de Arcanjo Renegado elogiou o empenho do ator na preparação para o papel e afirmou estar satisfeito com a escolha. “Ele já está fazendo um trabalho incrível de pesquisa e me envia bastante material que reúne para o personagem. É um cara muito estudioso e dedicado”, contou.

Na conversa, José Júnior também comentou os capítulos mais controversos da trajetória de Frota, seus sonhos para o país e os planos de expansão da AfroReggae Audiovisual, que incluem filmes e até um jogo eletrônico inspirado em seus projetos.

LEIA A ENTREVISTA COMPLETA COM JOSÉ JUNIOR:

O que o público pode esperar da nova temporada de Arcanjo Renegado?

A quinta temporada dá continuidade à quarta, já que as duas são interligadas. Aumentamos bastante a quantidade de ação, que tem grande identificação com o público, e haverá desdobramentos na trama. Vamos retratar cada vez mais a realidade do Rio de Janeiro. Por uma triste coincidência, muita coisa que filmamos há um ano tem acontecido nos dias atuais, como as guerras de facções e a atuação da polícia em favelas. Parte do enredo político tem relação com o momento atual, tanto na esfera estadual quanto na federal. A série está cada vez mais conectada à realidade, característica de Arcanjo Renegado e dos projetos da AfroReggae Audiovisual.

Arcanjo Renegado sempre abordou temas como violência, corrupção, política e segurança pública. Há um limite entre retratar a realidade e correr o risco de influenciar debates que acontecem fora da ficção?

Não posso dizer que exista um limite quando se trabalha com verossimilhança. Nossa produção se inspira muito em questões observadas no dia a dia. Arcanjo é uma série muito carioca e regional, mas trata de demandas presentes no Brasil inteiro. Corrupção, violência e problemas sociais não são temas apenas do Rio: são questões nacionais. Nas décadas passadas, havia um termo antigo que dizia que o Rio era a caixa de ressonância. Isso é verdade. Adaptando a expressão aos dias atuais, o Rio é um grande hub de questões positivas e negativas. A cidade acaba exportando esses temas não só para o Brasil, mas para o mundo.

Alexandre Frota está voltando à dramaturgia depois de cerca de dez anos afastado da televisão como ator e interpretará um secretário de Segurança Pública. Por que ele foi escolhido para o papel? O que chamou sua atenção na trajetória dele e motivou a ideia de fazer também um documentário?

O Frota é um ser único. Estamos fazendo uma série sobre a vida dele, com quatro episódios. Antes mesmo de começar o projeto, eu já sabia muita coisa sobre o Frota. Lembro que ele me marcou pela primeira vez nos anos 80, interpretando um personagem chamado Valério — não me recordo de qual novela. Depois, fez Luizão, produtor de cinema em Roque Santeiro, que se envolvia com uma mulher bem mais velha, interpretada por Yoná Magalhães. Em seguida, emplacou um sucesso atrás do outro. Participou de uma peça icônica que não assisti, Blue Jeans, fez cinema e foi o primeiro grande personagem de reality show no Brasil, em Casa dos Artistas. Depois, tornou-se uma espécie de consultor de reality shows de outros canais. Passou a fazer filmes adultos, também foi produtor de funk por um período e entrou na política. Teve altos e baixos.

O AfroReggae é uma marca que lida bastante com esses altos e baixos, tanto na ONG quanto na produtora AfroReggae Audiovisual. Minha proximidade com ele começou no ano passado, quando já havíamos pensado em convidá-lo para a quinta temporada de Arcanjo Renegado. Não aconteceu naquela ocasião, e o papel também era outro. Eu o chamei para participar dos nossos projetos. Para ser sincero, não penso nele apenas para Arcanjo: também gostaria de vê-lo em outras séries. Gosto muito dele como pessoa e como artista, embora não atue há bastante tempo. Acho que ele vai contribuir muito conosco, assim como nós vamos contribuir com ele.

Acredito que ele fará muito bem o papel do secretário de Segurança Pública. Já está realizando um trabalho incrível de pesquisa e me envia bastante material que está reunindo para o personagem. É muito estudioso e dedicado. Curiosamente, todos que souberam que ele faria a série — alguns atores que estão no elenco e outros que não estão — me parabenizaram pela escolha. Diziam que ele é incrível e que deveria estar com a gente. Confesso que estou muito feliz por ter Frota conosco. Gosto muito dele e tenho certeza de que o público vai gostar do personagem e de vê-lo novamente nas telas.

A trajetória dele inclui televisão, cinema, filmes adultos, dependência química, política e agora a volta à dramaturgia. Ele aceitou falar sobre todos esses momentos, inclusive os mais difíceis e controversos?

Ele aceitou falar de tudo, 100%. Durante a pesquisa, inclusive, apontou vários caminhos para nós. Fez algo incrível ao nos contar, ano a ano, seus altos e baixos. Está com a mente muito aberta, superaberto. Acho que passou por uma transformação.

Há algum projeto que você ainda considera um “grande sonho” e não conseguiu realizar?

Não tenho um projeto que seja um sonho. Já tive. Quando liderava a ONG, meu sonho era que não houvesse mais crianças no narcotráfico. Posso dizer que esse continua sendo um sonho: acabar com as guerras de facções nas favelas e com a opressão que a população preta, pobre e favelada sofre no Brasil em relação à violência e à fome. São sonhos para os quais podemos encontrar o tom e a consciência. Profissionalmente, porém, não tenho o sonho de fazer uma série. Tenho desejos e projetos que quero realizar, histórias que quero contar, mas não os colocaria na categoria de sonho, e sim de vontade. Talvez meu sonho seja ver meus netos e tudo o que já mencionei: um mundo melhor, um país melhor. Meus sonhos estão mais nessa direção.

Daqui a dez anos, o que você gostaria de estar contando sobre o AfroReggae, o audiovisual brasileiro e as pessoas que passaram pelos seus projetos?

Tenho muita dificuldade para falar do futuro. Espero que, daqui a 10 anos, o mercado audiovisual seja menos branco. Que tenhamos conseguido transformá-lo, ajudado a mudar o setor e impactado muitas vidas. Fico muito feliz quando recebo mensagens ou sou abordado por pessoas que me reconhecem e dizem o quanto se inspiram no AfroReggae, em mim ou em uma série que influenciou suas vidas. Acho que, daqui a 10 anos, nosso portfólio será muito maior.

Tenho muita vontade de começar a fazer mais cinema. Nosso primeiro filme, chamado Na Linha de Fogo, será lançado no primeiro semestre do ano que vem. Espero também que, nesse período de 10 anos, possamos lançar um jogo eletrônico inspirado em algum dos nossos projetos, como Arcanjo Renegado. O AfroReggae tem um projeto chamado Afro Games, que forma atletas e é a maior iniciativa de transformação de atletas do mundo dentro de uma favela. Espero que possamos lançar algum jogo inspirado em um dos nossos projetos, sejam eles já existentes ou que ainda venham a existir.

Tags: Arcanjo Renegado, José Júnior, Alexandre Frota, AfroReggae Audiovisual, televisão

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *