
O calor intenso muda a rotina de abelhas e formigas, que buscam água e abrigo em áreas mais frescas. Quando as temperaturas ultrapassam os limites tolerados, porém, a reprodução e a sobrevivência podem ser afetadas. (Foto: Instagram)
O calor intenso pode alterar os horários de atividade de abelhas e formigas, ampliar a busca por água e exigir esforço coletivo para resfriar os ninhos. Essas mudanças ajudam a proteger os integrantes, mas, quando as temperaturas passam dos limites tolerados, podem comprometer a reprodução e a sobrevivência.
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Segundo o biólogo Victor Maciel, especialista em reprodução animal, as estratégias incluem levar ovos e larvas para áreas mais frescas e, em algumas espécies, ventilar o abrigo movimentando as asas.
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Abelhas também recolhem água, cuja evaporação contribui para resfriar a colmeia, explica Francine Cária, bióloga especialista em biomedicina e professora do Colégio Galois. No entanto, essas respostas imediatas não devem ser confundidas com mudanças climáticas duradouras.
“Um dia muito quente provoca respostas imediatas nos animais, e isso, por si só, não indica mudança climática”, afirma Francine. Para estabelecer essa relação, é preciso monitorar as populações durante anos e levar em conta fatores como desmatamento e urbanização.
INSETOS ALTERAM O HORÁRIO DE BUSCA POR ALIMENTO
Para escapar das temperaturas mais elevadas e evitar a perda de água, algumas espécies concentram a busca por recursos no começo da manhã, no fim da tarde ou à noite. De acordo com o biólogo, as operárias continuam exercendo suas funções, mas podem adaptar a rotina.
“Um aumento tolerável na temperatura coloca, sim, os insetos em maior atividade metabólica e maior grau de agitação”, explica. Se o calor supera o limite que suportam, porém, pode haver letargia, com redução da atividade em decorrência do estresse térmico.
Quando os métodos de resfriamento não bastam, algumas áreas do ninho podem ser abandonadas. Maciel observa que o calor também pode diminuir a fertilidade da fêmea que põe os ovos e prejudicar o desenvolvimento das larvas, reduzindo a população.
Formigueiros próximos à superfície e colmeias expostas estão entre os casos mais vulneráveis citados pelo especialista. Já abrigos protegidos ou localizados em áreas mais profundas do solo podem proporcionar condições mais favoráveis.
A SECA INTENSIFICA OS EFEITOS
A falta de chuva pode prejudicar a vegetação e diminuir a produção de flores, dificultando o acesso das abelhas ao néctar e ao pólen. Com a alimentação e a sobrevivência comprometidas, a polinização também pode cair, afetando a produção de frutos e sementes.
Mudanças nas populações de formigas e cupins podem interferir na dispersão de sementes, na movimentação do solo e na decomposição da matéria orgânica. Os efeitos, no entanto, variam conforme a espécie.
“Alguns insetos apresentam maior tolerância às mudanças climáticas e às condições impostas pela urbanização, podendo até ampliar sua distribuição e aumentar suas populações”, afirma Francine.
Nas cidades, a escassez de vegetação e o calor retido pelo asfalto e pelo concreto podem fazer com que alguns insetos procurem abrigo e água nas proximidades das construções. Essa aproximação também depende de fatores como restos de comida e lixo disponível.
Tags: calor, ciência, El Nino







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