Atividade elétrica no cérebro pode manter pensamentos organizados, aponta estudo

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Ondulações cerebrais sincronizam memórias (Foto: Instagram)

Ao reconhecer um rosto familiar, seu cérebro rapidamente associa essa imagem a um nome, local ou talvez uma lembrança. Essas informações não são necessariamente processadas na mesma área do cérebro, mas se conectam de forma tão fluida que parecem ser um único pensamento.

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De acordo com uma pesquisa da Universidade da Califórnia em San Diego, cientistas sugerem que o cérebro une partes separadas de um pensamento através de breves explosões de atividade elétrica conhecidas como ondulações.

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O estudo foi conduzido pelo médico-cientista Ilya Verzhbinsky e pelo neurocientista Eric Halgren, sendo publicado em 12 de agosto na revista Nature Neuroscience. “Uma ondulação é uma explosão muito breve de oscilações rítmicas na excitabilidade dos neurônios – cerca de 90 ciclos por segundo, com duração de apenas um décimo de segundo”, explicou Verzhbinsky ao ScienceAlert.

Para alcançar os resultados, foram analisados registros elétricos cerebrais de 35 pacientes com epilepsia severa e resistente ao tratamento, que já estavam sob monitoramento com eletrodos implantados no cérebro por razões médicas. Foram conduzidos testes de memorização de imagens.

Foi identificado que as ondulações permitem que células distantes sincronizem seus ritmos e disparem sinais juntas. Quando duas áreas distantes entram no mesmo ritmo, as células têm de 30% a 49% mais chances de realizar esses disparos sincronizados.

Segundo os cientistas, essa coordenação de disparos aconteceu em regiões nos dois hemisférios do cérebro, separadas por até 220 mm, sem enfraquecimento pela distância e sem a necessidade de uma área específica atuar como "maestro".

Outro achado foi que, ao realizar testes de lembrança com três imagens simultaneamente, a sinalização coordenada aumentou até 19%. Isso indica que a repetição de padrões desses disparos acelerou o tempo de reconhecimento das imagens.

A pesquisa pode fornecer insights sobre como informações armazenadas no cérebro se combinam em uma única experiência.

Apesar das descobertas, os cientistas destacam que o estudo apenas observou os sinais, não provando uma relação direta de causa e efeito, já que a pesquisa foi limitada a um tipo específico de tarefa de memória e os eletrodos estavam em locais específicos dos pacientes analisados.

Portanto, é prematuro utilizar essa descoberta como alvo para tratamentos médicos antes de testar o padrão em cérebros saudáveis, concluíram os pesquisadores.

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