Descoberta arqueológica suspende obras na estação da Linha 6-Laranja em SP

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Obras paralisadas no canteiro da futura estação 14 Bis-Saracura, no Bixiga (Foto: Instagram)

As obras da futura Estação 14 Bis-Saracura na Linha 6-Laranja do metrô foram interrompidas devido à descoberta de novos achados arqueológicos no canteiro de obras localizado no Bixiga, na Bela Vista, região central de São Paulo. A concessionária Linha Uni informou que está aguardando novas diretrizes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para planejar a retomada das atividades no local.

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As descobertas arqueológicas foram relatadas em um documento enviado em julho ao Iphan por uma empresa de consultoria em arqueologia que acompanha as obras da Linha Uni. O relatório menciona estruturas, como alicerces de alvenaria, pisos cimentícios e sistemas de drenagem, além de artefatos cujas características indicam uma ligação com práticas religiosas de matriz africana.

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Os vestígios foram encontrados a aproximadamente 2,2 metros de profundidade. De acordo com o Iphan, há indícios da existência de uma estrutura que poderia ser um terreiro, além de outros objetos ligados à religiosidade afro-brasileira.

A área, denominada Área 6, continua a investigação de outras áreas próximas, como a Área 4, onde já haviam sido encontrados vestígios históricos de um quilombo do século XIX, o Quilombo Saracura.

Em 2022, durante as escavações para a linha que conectará a Brasilândia ao centro de São Paulo, um sítio arqueológico do Saracura já havia sido descoberto. Por isso, a estação 14 Bis foi renomeada para 14 Bis-Saracura e, posteriormente, recebeu a antiga quadra da escola de samba Vai-Vai.

Na época, a descoberta levou à suspensão das obras na Linha 6-Laranja em janeiro de 2023 para a recuperação dos materiais.

A Linha Uni afirmou que aguarda orientações do Iphan sobre como proceder com os materiais encontrados. A partir dessas diretrizes, será possível reorganizar o cronograma das atividades no local.

“A Concessionária segue rigorosamente as orientações do órgão, responsável por definir os procedimentos a serem adotados, mantendo diálogo constante com as autoridades competentes e com a comunidade local”, destacou a Linha Uni.

Movimentos sociais defendem a “musealização” da estação de metrô. Em países como a Grécia, Espanha e Áustria, estações integradas a museus arqueológicos já são uma realidade.

LINHA 6-LARANJA
Após oito anos de atraso em relação ao projeto original, o governador Tarcísio de Freitas inaugurou, no mês passado, o primeiro trecho da Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo, que conectará a zona norte ao centro da capital paulista quando concluída, no final de 2027. O investimento total previsto é de R$ 19 bilhões.

As primeiras estações em operação são João Paulo I, Freguesia do Ó, Santa Marina, Água Branca, Sesc-Pompeia e Perdizes, atualmente em operação assistida. Elas funcionam em horário reduzido, das 10h às 15h, somente em dias úteis, com intervalos médios de 19 minutos entre os trens, segundo o governo de São Paulo.

Ainda segundo o governo paulista, a expectativa é de que mais duas estações sejam inauguradas ainda este ano: Brasilândia e Itaberaba-Hospital Vila Penteado, ambas na zona norte da capital. Quando concluído, o modal ligará a Brasilândia à estação São Joaquim, da Linha 1-Azul, no centro de São Paulo.

A entrega de obras atrasadas herdadas pelo governo atual se tornou um trunfo eleitoral para Tarcísio, que buscará a reeleição em outubro deste ano. O contrato original da Linha 6 foi assinado em 2013 pelo então governador Geraldo Alckmin, com a promessa de concluir os 15,3 km de extensão e as 15 estações em 2018.

No decorrer do projeto, as empreiteiras Odebrecht, Queiroz Galvão e UTC, contratadas para a execução da obra bilionária, se envolveram no escândalo de corrupção da Operação Lava Jato, levando à paralisação da construção. O projeto só foi retomado em 2020, sob a gestão de João Doria, com a assinatura de um novo contrato com a construtora espanhola Acciona.

Como revelou o colunista Demétrio Vecchioli, do Metrópoles, o governo Tarcísio decidiu investir R$ 3,7 bilhões adicionais para que a Acciona completasse a primeira fase da Linha 6 até outubro deste ano, a tempo da eleição.

Tarcísio tem capitalizado politicamente a conclusão de obras com histórico de atrasos — além da Linha 6-Laranja, o governador já entregou trechos do Rodoanel Norte e da Linha 17-Ouro do monotrilho. Em ambos os casos, ele criticou a ineficiência das gestões anteriores e os casos de corrupção — atualmente aliado do PT, Alckmin apoia a candidatura do ex-ministro Fernando Haddad contra Tarcísio em São Paulo.

A entrega do primeiro trecho da Linha 6, em 2 de julho, ocorreu poucos dias antes do prazo limite estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que ocupantes de cargos públicos que disputarão a eleição em outubro participem de inaugurações. Desde 5 de julho, esses políticos não podem mais realizar tais eventos públicos.

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