
Casa parcialmente submersa após enchentes intensas provocadas pelo El Niño. (Foto: Instagram)
O aquecimento das águas do Pacífico, conhecido como El Niño, tem um impacto direto no regime de chuvas no Brasil. Em alguns momentos, esse fenômeno aumenta a quantidade e a intensidade das precipitações em certas regiões, levando a episódios de alagamentos e enchentes. Nessas circunstâncias, além dos danos imediatos, há um aumento no risco de doenças associadas à água contaminada.
++ Sistema de IA mostra como pessoas estão criando conteúdo diário sem gravar vídeos
De acordo com Andrei Polejack, diretor de pesquisa e inovação do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), o fenômeno começa com o aumento da temperatura da superfície do mar em uma área do oceano próxima à América Central.
++ Bomba! Astro de Hollywood, Joe Manganirllo revela ter amputado membro
No Brasil, os efeitos geralmente resultam em mais chuvas no Sul e na região amazônica, enquanto outras áreas enfrentam secas. Quando as chuvas são intensas e rápidas, o solo e os sistemas urbanos não conseguem absorver a água adequadamente.
“Isso ultrapassa a capacidade de suporte do ambiente. A água não escoa como deveria e tende a se acumular, favorecendo enchentes, especialmente em áreas urbanas com drenagem inadequada”, afirma.
Com a água invadindo ruas e residências, o problema deixa de ser apenas de infraestrutura e passa a afetar a saúde pública. O infectologista Henrique Valle Lacerda, do Hospital Brasília, explica que as enchentes rompem a barreira entre água limpa, esgoto e lixo, dispersando microrganismos.
“A água contaminada pode entrar em contato com a pele, olhos e mucosas, além de contaminar alimentos e fontes de água potável”, aponta.
Esse ambiente também aumenta a exposição a fezes e urina de animais e favorece ferimentos por destroços, que podem ser portas de entrada para infecções.
Após a retirada da água, o risco persiste. Locais e recipientes com água parada podem se tornar criadouros do mosquito Aedes aegypti, elevando a chance de dengue, chikungunya e zika nas semanas seguintes.
Entre as doenças mais comuns após enchentes estão a leptospirose, doenças diarreicas, hepatite A e infecções de pele.
“A leptospirose é contraída pelo contato com água ou lama contaminada por urina de animais infectados, principalmente roedores”, explica Lacerda. As gastroenterites geralmente ocorrem pela ingestão de água ou alimentos contaminados por fezes, envolvendo vírus, bactérias e parasitas.
O médico infectologista André Bon, do Hospital Universitário de Brasília (HUB), ressalta que o contato com a água também pode causar traumas e ferimentos.
“Muitas vezes há detritos submersos que não são visíveis. Esses ferimentos podem evoluir para infecções e, em alguns casos, aumentar o risco de tétano”, afirma.
No caso da leptospirose, os primeiros sintomas incluem febre, dor de cabeça, calafrios, náuseas e dores musculares, especialmente nas panturrilhas.
“Quem teve contato com água de enchente e apresenta os sintomas deve procurar atendimento e informar a exposição”, orienta Lacerda.
Casos mais graves podem evoluir com falta de ar, diminuição da urina e coloração amarelada da pele e dos olhos, exigindo atendimento imediato.
A principal orientação é evitar o contato com a água de alagamentos sempre que possível. Quando isso não for evitável, o uso de proteção, como botas, ajuda a reduzir o risco. “Alimentos que tiveram contato com a água devem ser descartados para evitar contaminação”, orienta Bon.
Medidas de higiene, atenção a ferimentos e atualização da vacinação, especialmente contra o tétano, também são cuidados importantes após enchentes.
Embora o El Niño seja um dos fatores que influenciam o aumento das chuvas, especialistas destacam que os impactos das enchentes também estão ligados à ocupação urbana e infraestrutura. Quando esses eventos ocorrem, os efeitos vão além dos danos materiais, refletindo diretamente na saúde da população.







Leave a Reply