Venezuela enfrenta luto e tensões políticas após terremotos devastadores

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Voluntário carrega vítima entre escombros em La Guaira após terremotos na Venezuela (Foto: Instagram)

Uma semana após os devastadores terremotos que atingiram a Venezuela, o país ainda enfrenta o luto pelas vítimas, busca por sobreviventes e tensões políticas entre o governo e a oposição, que permanecem intensas mesmo diante da crise humanitária.

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De acordo com o último relatório do governo venezuelano, os terremotos resultaram em pelo menos 1.943 mortes e mais de 10 mil feridos. Além disso, mais de 15 mil pessoas foram forçadas a deixar suas casas.

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Até o momento, o governo chavista não divulgou oficialmente o número de desaparecidos. Entretanto, uma plataforma criada pela sociedade civil para auxiliar nas buscas já registra mais de 40 mil casos de pessoas não localizadas desde os sismos.

Nas áreas mais atingidas, como o estado de La Guaira, há relatos de escassez de alimentos, interrupção de serviços básicos e falta de conectividade.

OS NÚMEROS DA TRAGÉDIA

  • A Venezuela foi abalada por dois terremotos consecutivos, de magnitudes 7,2 e 7,5, na noite de quarta-feira (24/6).
  • Esses foram os tremores mais intensos registrados no país desde 1900.
  • Estimativas indicam que 855 edifícios foram afetados, com 189 totalmente colapsados.
  • Dados preliminares da Nasa sugerem que quase 60 mil edifícios podem ter sido danificados.
  • As áreas mais afetadas incluem o estado de La Guaira e partes de Caracas.
  • O número oficial de desaparecidos ainda não foi divulgado, mas a ONU e iniciativas civis estimam mais de 40 mil pessoas desaparecidas.
  • Após os principais tremores, vários outros de menor intensidade foram registrados nos dias seguintes.

Após entrevistas no local, a Acnur constatou que 4 em cada 10 pessoas deslocadas pelos terremotos em La Guaira estão vivendo em condições precárias, nas ruas ou em abrigos improvisados.

“Esses abrigos não atendem aos padrões mínimos de proteção”, afirmou Carlotta Wolf, porta-voz da Acnur.

Atualmente, equipes de resgate de aproximadamente 30 países estão na Venezuela, incluindo grupos do Brasil, Vietnã, El Salvador, República Dominicana, Espanha, Cuba, Colômbia, México e Estados Unidos.

Apesar dos esforços de resgate, a disputa política entre o chavismo — que permanece no poder mesmo após a queda de Nicolás Maduro — e a oposição continua.

CHAVISMO X OPOSIÇÃO
Nos últimos dias, a oposição venezuelana acusou o governo de Delcy Rodríguez de politizar a crise e usar a distribuição de ajuda humanitária em benefício próprio.

As denúncias incluem controle do acesso de voluntários às áreas mais afetadas e burocracias que centralizam a distribuição de ajuda nas mãos de órgãos estatais ou do PSUV.

“A situação tornou-se caótica com forças corruptas ligadas ao regime de Delcy Rodríguez obstruindo a ajuda internacional”, disse um morador de Caracas ao Metrópoles, sob anonimato por segurança. “Relatos de agentes da Guarda Nacional e Polícia Nacional impedindo a assistência civil são comuns nas redes sociais”.

Sobre a centralização da ajuda, o governo de Delcy Rodríguez afirma que a medida busca impor ordem e facilitar a distribuição nas zonas mais afetadas.

Devido à situação, civis e opositores venezuelanos enviaram um manifesto aos EUA, solicitando ajuda da administração Donald Trump.

O documento, acessado pela reportagem, pede apoio de Washington e da comunidade internacional para substituir as atuais lideranças por um governo de emergência. A carta foi assinada por 15 organizações e 94 pessoas.

Além disso, a líder da oposição, María Corina Machado, acusou o governo de impedir seu retorno ao país ao fechar o espaço aéreo da Venezuela.

Na segunda-feira (29/6), ela afirmou que embarcaria do Panamá para a Venezuela, mas teve o retorno bloqueado. No início desta semana, autoridades chavistas restringiram o espaço aéreo para voos comerciais até 7 de julho, priorizando voos de ajuda humanitária.

O Metrópoles tentou contato com a Embaixada da Venezuela no Brasil para esclarecimentos, mas não obteve resposta até a publicação. O espaço segue aberto para manifestações.

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