Lula busca argumentos para defender o Supremo e recebe resposta inesperada

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Lula e Edson Fachin no STF (Foto: Instagram)

O pronunciamento do presidente Lula sobre a crise no Supremo foi impulsionado pelo impacto negativo que o desgaste na Corte tem gerado em sua campanha à reeleição.

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A preocupação principal é com a associação de sua imagem à de Alexandre de Moraes. A equipe de campanha chegou a solicitar pesquisas qualitativas para entender a percepção do eleitorado sobre o caso e avaliar os possíveis impactos eleitorais.

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Em conversas com ministros do Supremo, Lula surpreendeu ao pedir argumentos para defender a Corte. Foi alertado sobre a importância de ser cauteloso com discursos críticos, já que o governo depende da Corte, especialmente para contestar decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Também foi lembrado de que o STF tem 130 anos de história e já superou diversas crises, sendo capaz de se defender por si só.

Nesta sexta-feira (4/9), conforme revelou a coluna de Igor Gadelha, Lula se reuniu com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. A coluna apurou que surgiu a sugestão de que Fachin assumisse a parte do caso Master que envolve Moraes, retirando essa parte da investigação da relatoria de André Mendonça, como uma forma de tentar apaziguar a crise na Corte. Auxiliares de Mendonça não veem a ideia com maus olhos.

A proposta tem apoio entre ministros do Supremo, mas a aceitação não é total. Pelas regras da Corte, a escolha de um novo relator deve seguir os critérios regimentais de distribuição, sem que o presidente possa decidir quem será o responsável pelo inquérito.

Se a sugestão for acatada, o inquérito do Master terá seu terceiro relator. O primeiro foi o ministro Dias Toffoli, que foi afastado da relatoria após a revelação de que recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro. Mendonça assumiu o caso em substituição a Toffoli.

A permanência de Mendonça na relatoria é vista como a continuidade da crise que o opõe ao colega Alexandre de Moraes.

Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que revela conversas de Moraes com Vorcaro, incluindo uma consulta sobre deixar o país diante de um iminente pedido de prisão e um suposto repasse de informações sobre o andamento das investigações.

Moraes, por sua vez, solicitou a investigação de Mendonça sob a alegação de que o ministro teria, em tese, praticado várias condutas inadequadas, como improbidade administrativa, crime de responsabilidade e abuso de autoridade, além de quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos.

A solução de dividir o caso Master seria também uma forma de evitar que Mendonça fosse afastado do inquérito por ter se reunido com Daniel Vorcaro em seu instituto privado para, segundo o próprio ministro, tratar de um julgamento em curso no Supremo envolvendo precatórios.

Se o assunto era um processo em julgamento na Corte, o fato de Mendonça ter recebido o banqueiro em um local privado, fora da agenda e em um encontro intermediado por um advogado levantou questionamentos sobre sua conduta. O ministro deixou a sociedade no instituto após a reportagem do ICL revelar o caso.

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