
Representante brasileiro ao Oscar 2027 será definido em 16 de setembro, diz Academia (Foto: Instagram)
Nos próximos dias, a Academia Brasileira de Cinema vai anunciar qual filme representará o Brasil no Oscar 2027. A decisão será divulgada em 16 de setembro, mas a proximidade com um grande festival internacional gerou questionamentos sobre a data. A partir desta edição, filmes podem se tornar elegíveis ao Oscar de Melhor Filme Internacional ao vencer prêmios específicos em festivais, sem precisar ser o escolhido pela comissão brasileira.
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De acordo com as novas regras, seis festivais internacionais agora têm prêmios que permitem essa possibilidade. Assim, uma produção brasileira que ganhe um desses prêmios poderá buscar uma vaga no Oscar, mesmo que outro filme seja escolhido oficialmente para representar o país.
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É essa nova possibilidade que gerou dúvidas sobre a data de escolha brasileira. Neste ano, o filme Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins, estreia no Festival de Toronto, concorrendo ao Platform Award. O longa será distribuído mundialmente pela Netflix.
O vencedor será anunciado em 20 de setembro, quatro dias após a escolha do representante brasileiro. Se Vicentina Pede Desculpas vencer, poderá ser elegível ao Oscar, independentemente do filme indicado pela Academia Brasileira de Cinema.
A proximidade das datas levantou a hipótese de adiar a escolha do representante brasileiro para aguardar o resultado do Festival de Toronto. A ideia seria, dependendo do desempenho de Vicentina Pede Desculpas, permitir que um segundo filme fosse considerado para o Oscar.
O QUE DIZ A ACADEMIA BRASILEIRA DE CINEMA
Em nota ao Metrópoles, a presidente da Academia Brasileira de Cinema, Renata Almeida Magalhães, afirmou que a data de 16 de setembro será mantida para a escolha do representante, destacando que a decisão foi unânime pela comissão, que tem legitimidade para isso.
No caso de Vicentina Pede Desculpas, a presidente reitera que, se o filme vencer o Platform Award em Toronto, ele poderá ser inscrito diretamente no Oscar de Melhor Filme Internacional, independentemente da escolha da Comissão Brasileira.
“Se a Comissão Brasileira também escolher o filme e ele ganhar o Festival de Toronto, teremos apenas um título”, completou Renata.
Segundo a presidente, a decisão de manter o calendário visa dar aos produtores o maior prazo possível para preparar a inscrição.
“O prazo é curto e os produtores sempre nos pedem o maior prazo possível para que possam preparar o material exigido pelo Oscar para a inscrição dos filmes junto à AMPAS”, afirmou.
ESPERAR OU NÃO ESPERAR? O QUE DIZEM ESPECIALISTAS
Apesar de a Academia manter o cronograma, especialistas consultados pelo Metrópoles avaliam os critérios que podem influenciar a definição do representante brasileiro e os impactos da data escolhida para a disputa pelo Oscar.
Para a professora de Cinema e Audiovisual da ESPM, Cyntia Calhado, a comissão pode considerar diferentes aspectos na escolha, que vão desde a carreira internacional do diretor até a participação do filme em festivais. O desempenho em uma determinada mostra não é necessariamente o único fator considerado.
“Se entendermos que o critério será, por exemplo, a relevância internacional do diretor, temos uma possibilidade de escolha. Se for o filme que concorreu no festival internacional mais importante, é outra escolha. Se são as características da história, é outra escolha. Ou os atores com maior visibilidade internacional, por exemplo. Então, são critérios muito variados. Dependendo desses critérios, teremos uma escolha”, explica.
A professora também ressalta que o momento do anúncio pode impactar na preparação para a disputa. “Quanto mais cedo o representante do país é anunciado, mais tempo há para fazer a campanha”, afirma. Segundo ela, a circulação dos filmes em festivais e a repercussão na imprensa internacional também fazem parte desse processo.
O crítico de cinema Marcio Sallem, por sua vez, avalia que o Brasil não está necessariamente escolhendo seu representante tarde. “O momento da escolha pode fazer diferença, porque, como dito antes, o tempo é fundamental para a preparação e execução da campanha do filme. Contudo, o Brasil não está tomando essa decisão tarde, mas em sintonia com as indicações nos anos anteriores”, frisa.
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