
Brasil além do instável: à beira de uma ruptura (Foto: Instagram)
Utilizando o conceito dos três tipos de “equilíbrio” da Física — “estável”, “indiferente” e “instável” —, o Brasil está além de instável, quase caindo em uma ruptura difícil de recuperar.
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O país enfrenta sua maior crise desde 1929, quando Getúlio Vargas assumiu a Presidência, com uma transformação radical no sistema político, econômico e social. O problema atual é a ausência de um “Getúlio” e a presença de atores incapazes de moldar o país.
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No Brasil, o Executivo não opera, sem um plano de desenvolvimento e com gastos em programas improdutivos que ameaçam o equilíbrio fiscal de 2027. O Legislativo não legisla, focado em Emendas Parlamentares e sua própria perpetuação. O Judiciário enfrenta uma crise sem precedentes no STF. Sem o tripé institucional, o país não avança.
Economicamente, o Brasil estagnou de um PIB de US$ 2,2 trilhões em 2010 para US$ 2,3 trilhões em 2025, enquanto o mundo cresceu de US$ 86 trilhões para US$ 118 trilhões no mesmo período. A taxa de reinvestimento na economia é de 17% do PIB, comparada à média mundial de 26%. A elite econômica prefere se divertir a investir.
Nas eleições presidenciais deste ano, o voto oscila entre o ruim previsível e a renovação arriscada. A terceira via, sem demérito ao autor e sua obra, não apresenta um projeto para o Brasil, mas sim de autoajuda.
A economia está em declínio, a concentração de renda cresce e a crise ecológica se intensifica, com o desespero das pessoas no “salve-se quem puder”. Todos, inclusive a elite, esquecem que a sobrevivência de uma sociedade industrial-tecnológica depende de sociedades minimamente organizadas. Se ocorrer uma ruptura, sem lideranças para nos tirar da crise, todos afundaremos, com uma possível “balcanização” do país.
Muita calma, pois “o andor é de barro”.
Ricardo Guedes é formado em Física pela UFRJ e Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago.







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