
Isaac chega animado para mais uma sessão de equoterapia no IFB Planaltina. (Foto: Instagram)
Toda quinta-feira, Isaac Aquino dos Santos, de 8 anos, acorda empolgado para vestir a roupa da equoterapia. O menino, que possui autismo nível 3 de suporte e deficiência intelectual, já sabe que é dia de encontrar os cavalos e participar das atividades no Campus de Planaltina do Instituto Federal de Brasília (IFB). Para a mãe, Daniela Aquino, de 35 anos, a transformação desde o início do tratamento é evidente no filho. "O Isaac é outra criança", comenta.
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A equoterapia é indicada para pessoas com síndrome de Down, síndrome de Rett (um distúrbio neurológico que causa perda progressiva de habilidades motoras), transtorno do espectro autista (TEA), depressão, paralisia cerebral, acidente vascular cerebral (AVC) e distrofia muscular.
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Durante as sessões, que duram aproximadamente 50 minutos e ocorrem uma vez por semana, são trabalhados aspectos como postura, equilíbrio, coordenação motora, controle corporal, comunicação e socialização.
Em agosto, Isaac completou três anos de equoterapia. Segundo Daniela, além do desenvolvimento motor, o menino apresentou avanços na socialização, no controle corporal e na autonomia. A mãe relata que o psiquiatra dele acompanha os relatórios produzidos pela equipe e pela escola, e considera a equoterapia a atividade em que o filho mostra maior progresso.
A família chegou ao projeto após uma indicação feita por profissionais do Centro de Ensino Especial. Depois de reunir a documentação necessária, ele entrou na lista de espera até ser chamado.
"Hoje eu só pego a blusa da equoterapia e ele já levanta da cama todo animado, pega as botinhas e fica pronto, esperando para ir para a aula. Quando eu fecho a porta de casa, ele entra no carro correndo", destacou Daniela.
Quando não é dia de terapia com os cavalos, Isaac não pode ver nada que lembre os animais. "Se ele abrir a gaveta e ver as roupinhas, fica querendo ir para a equoterapia", disse.
BENEFÍCIOS
Um dos principais diferenciais destacados pelo coordenador do projeto e educador físico Luciano Cedraz na terapia é o movimento tridimensional proporcionado pelo cavalo.
Durante a caminhada, o animal realiza movimentos para frente e para trás, para os lados e para cima e para baixo. Esses estímulos são utilizados pela equipe como parte do trabalho de equilíbrio, postura e coordenação.
A escolha do animal também é feita de acordo com as características de cada participante. Segundo Cedraz, o temperamento e o movimento do cavalo são considerados para que a atividade seja adequada às necessidades de cada criança. "Tem cavalo que acalma o agitado, e agita o apático".
Para Luciano, o acompanhamento precisa considerar cada criança individualmente. O objetivo não é apenas colocar o participante sobre o cavalo, mas construir uma estratégia terapêutica e pedagógica a partir das necessidades identificadas pela equipe. "Em alguns casos, a sessão pode exigir adaptações específicas e maior atenção à postura ou ao comportamento", pontuou.
Além do trabalho físico, a equipe utiliza brincadeiras e atividades em dupla para estimular a convivência. "Crianças podem ser colocadas juntas durante as sessões para conversar, brincar e realizar tarefas. A ideia é transformar o contato com o cavalo em uma oportunidade de trabalhar também habilidades sociais", relatou.
CRIANÇAS ATENDIDAS
Atualmente, o projeto atende cerca de 180 crianças, sendo aproximadamente 80% encaminhadas pela Secretaria de Educação de Estado de Educação do DF (SEE-DF) e 20% estudantes dos cursos técnicos e superiores do próprio IFB.
- O atendimento é gratuito e voltado a pessoas com diferentes deficiências e transtornos, incluindo crianças com autismo, síndrome de Down e outras condições que podem se beneficiar das atividades;
- O coordenador do projeto, Luciano Cedraz, explica que o ingresso começa com uma avaliação médica;
- A documentação é encaminhada ao profissional responsável, que indica ou contraindica a participação e aponta os objetivos que devem ser trabalhados;
- Depois da aprovação, a criança entra na lista de espera, que pode chegar a cerca de um ano e meio.
Antes do início das sessões, a equipe também reúne informações da escola e de outros profissionais que acompanham a criança. Em alguns casos, os professores do projeto visitam a unidade de ensino para entender melhor a rotina e as necessidades do aluno.
“Às vezes, os relatórios escritos nem sempre conseguem retratar de maneira completa o comportamento e as dificuldades apresentadas pelos alunos no dia a dia”, disse Cedraz.
A criança passa ainda por avaliações pedagógica e psicomotora. A partir dessas informações, a equipe elabora um plano de aproximadamente seis meses, com objetivos, estratégias e cuidados específicos.
MELHORA NA COMUNICAÇÃO
Outra família que percebe mudanças é a de Emanuelle Lopes, de 13 anos. A adolescente, diagnosticada com autismo nível 1, participa da equoterapia há aproximadamente um ano. A avó, Janaína Rodrigues, 53 anos, conta que a neta ficou mais comunicativa, segura e tranquila.
“Ela mudou, está mais falante e segura”, afirma Janaína.
Segundo a avó, antes de começar a atividade, Emanuelle apresentava crises frequentes. Com o acompanhamento, Janaína percebeu uma mudança no comportamento e afirma que a adolescente passou a ficar mais calma depois das sessões. A família também relaciona o tratamento a uma melhora no desempenho escolar.
“O desempenho dela na escola melhorou muito, cerca de 90%. No bimestre passado, minha neta ganhou um certificado de aluna destaque do colégio, algo que antes não acontecia”, conta a avó.
Emanuelle mora no Vale do Amanhecer e vai ao Campus Planaltina todas as quintas-feiras. Atualmente, a equoterapia é a única terapia que ela realiza. A adolescente gosta de desenhar e sonha em trabalhar como ilustradora.
“Ela melhorou muito nos desenhos. O projeto está ajudando muito minha neta”, diz Janaína.
A iniciativa funciona no espaço do antigo Colégio Agrícola de Planaltina, onde o projeto começou a ser desenvolvido ainda nos anos 2000. Com a transformação da instituição em Instituto Federal, a atividade passou a integrar a estrutura do IFB por meio de parceria com a Secretaria de Educação.
O projeto conta com um plantel de cavalos utilizados nas atividades e uma equipe formada por profissionais e estudantes. A intenção, segundo o coordenador, é ampliar e modernizar a gestão dos atendimentos, inclusive com a criação de ferramentas digitais para reduzir o volume de tarefas administrativas.







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