
Advogados são investigados por fraude na exportação de cassiterita da Terra Yanomami (Foto: Instagram)
Uma investigação sobre um esquema de fraude envolvendo a exportação de cassiterita, que foi substituída por pó de brita, chegou a dois advogados em São Paulo. De acordo com a Polícia Federal (PF), o minério envolvido no esquema era oriundo da Terra Indígena Yanomami, em Roraima, e sua verdadeira origem era ocultada por documentos falsificados para simular uma procedência legal.
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Guilherme Luiz Altavista Romão e Santiago André Schunck, conforme documento obtido pelo Metrópoles, teriam contratado doleiras para operacionalizar o esquema financeiro que resultou em um prejuízo de cerca de US$ 48 milhões para a multinacional suíça Gerald Metals.
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O esquema foi descoberto após a abertura de contêineres enviados do Brasil para Tailândia, China e Malásia. Os primeiros carregamentos continham menos de 1% de estanho, quando deveriam ter concentrado de cassiterita, conhecido como "ouro negro". A investigação revelou que 109 dos 129 contêineres enviados foram abertos e todos continham areia ou brita no lugar do minério.
Schunck e Romão são apontados como intermediários entre Diego Possebon, o principal articulador da fraude, e duas doleiras que realizavam as transferências. O mecanismo de dólar-cabo permitia que valores em dólares movimentados nos EUA fossem compensados por transferências em reais no Brasil, sem transporte físico de dinheiro.
Segundo a representação, a operação previa uma comissão de 3% sobre as transações, com 1% destinado ao escritório de Schunck e Romão.
Diego Possebon é identificado como responsável por intermediar a compra dos minérios extraídos da Terra Indígena Yanomami. Na estrutura investigada, Schunck e Romão, classificados como "executores", teriam contratado as doleiras para internalizar parte dos valores pagos pela Gerald Metals, além de fornecer suporte logístico, jurídico e de crise.
O Metrópoles tentou contato com Schunck e Romão, mas não obteve resposta até a publicação. A defesa de Possebon não foi localizada. Eduardo Maurício, advogado das doleiras, afirmou que o caso está sob segredo de Justiça, mas que "demonstra gravidade devido à extração ilegal de minérios em terras indígenas, o que pode causar grave crise humanitária". A PF informou que não comentará sobre investigações em andamento.
O espaço segue aberto para manifestações.
OPERAÇÃO DISCO DE OURO
O golpe contra a Gerald Metals e o esquema de lavagem de dinheiro por dólar-cabo são parte dos fatos investigados na Operação Disco de Ouro, deflagrada em dezembro de 2023.
Conforme a representação, o minério do esquema provinha da Terra Indígena Yanomami. Diego Possebon é apontado como responsável por intermediar a compra do minério com uma empresa norte-americana e a Gerald Metals.







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