Projeto de Niemeyer para Museu de Arte da Pampulha ganha nova solução

Publicado por


IA revela ‘disco voador’ de Niemeyer sobre a Lagoa da Pampulha (Foto: Instagram)

Belo Horizonte — Uma estrutura branca em forma de "disco voador", desenhada por Oscar Niemeyer, poderia ter transformado a paisagem de um dos principais pontos turísticos de Belo Horizonte. Este projeto futurista seria erguido sobre a Lagoa da Pampulha, ao lado do Museu de Arte da Pampulha (MAP), para resolver um antigo problema: o prédio original não foi concebido para ser um museu.

++ Sistema de IA mostra como pessoas estão criando conteúdo diário sem gravar vídeos

O projeto nunca saiu do papel, mas imagens geradas por inteligência artificial agora revelam como ele poderia ter sido. Paralelamente, mais de vinte anos depois, a prefeitura está implementando uma nova solução em outro ponto da Pampulha para preservar o acervo e permitir a futura restauração do MAP.

++ Bomba! Astro de Hollywood, Joe Manganirllo revela ter amputado membro

Conforme o arquiteto Marcelo Palhares Santiago, a proposta do "disco voador", apresentada por Niemeyer em 2004, incluía um anexo de concreto e vidro para abrigar parte da estrutura do MAP.

Com a tecnologia, Marcelo, membro do ARQBH Arquitetura de BH, ilustra como o projeto teria sido, revitalizando uma história da Pampulha desconhecida por muitos.

"O processo começa sempre pela pesquisa. Eu analiso os desenhos originais de Niemeyer e os textos onde ele detalha o projeto, comparando com a pesquisa histórica […] Só então gero as imagens, ajustando e recriando múltiplas vezes até que o resultado corresponda ao que foi desenhado. É um trabalho meticuloso, não é só apertar um botão", explicou.

Ele ainda destaca: "Toda imagem é marcada como reconstituição por IA, uma hipótese visual, jamais como foto ou documento histórico. Sem esse aviso, deixa de ser pesquisa e vira informação falsa".

A necessidade de um novo espaço se relaciona com a própria história do museu. "O prédio do MAP não foi feito para ser museu: foi construído para ser um cassino, e é considerado por muitos críticos a obra-prima de Niemeyer. Porém, quando o jogo foi proibido em 1946 e o espaço virou museu em 1957, o que era encantamento virou problema. As grandes paredes de vidro, belas de ver, permitem a entrada direta de sol e radiação ultravioleta, que destroem obras de arte", disse Marcelo.

Outra dificuldade está no espaço usado para guardar as obras que não ficam expostas ao público. A chamada reserva técnica foi adaptada no subsolo do prédio, sem as condições ideais para a preservação do acervo. Durante décadas, uma das soluções discutidas foi a construção de um anexo. O projeto acabou sendo encomendado ao próprio Niemeyer.

O “DISCO VOADOR” DE NIEMEYER
Além da proposta do grande volume circular branco, de concreto e vidro, pousado literalmente sobre as águas da lagoa, ao lado do MAP, que, segundo Marcelo, não passou do estudo porque construir sobre o espelho d’água esbarra na legislação ambiental e nas regras de proteção do conjunto tombado, houve uma segunda proposta.

Em vez de avançar sobre a lagoa, Niemeyer projetou um prédio branco, baixo e horizontal no terreno vazio em frente ao museu.

Segundo o arquiteto, essa versão chegou mais perto de ser executada. O projeto foi aprovado pela PBH e pelos órgãos responsáveis pela proteção do patrimônio, mas também nunca foi construído.

“O detalhe irônico é que, nas duas versões, ao propor um espaço para corrigir os defeitos do cassino como museu, Niemeyer repetiu exatamente os mesmos vícios do prédio original: grandes fachadas de vidro e reserva técnica no subsolo. O desfecho dessa história está acontecendo agora”, disse.

NOVA ESTRUTURA ESTÁ EM OBRAS
Mais de duas décadas depois, a solução para parte dos problemas do MAP está sendo construída em outro ponto da Pampulha.

A prefeitura trabalha na implantação do MAP – Núcleo de Pesquisa e Informação, anteriormente chamado de Casa MAP. O espaço vai armazenar o acervo que não está em exposição, além da biblioteca e do centro de documentação.

A estrutura ocupa um imóvel que abrigava a antiga estação de bombeamento de água da Pampulha, construída nos anos 1940, na Avenida Otacílio Negrão de Lima. O local fica dentro da área reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco.

A mudança é também uma etapa necessária para a restauração do prédio principal do MAP. Antes do início da intervenção, as obras de arte precisam ser retiradas do museu e levadas para um local adequado.

De acordo com a prefeitura, as obras do MAP – Núcleo estão na segunda etapa e em estágio avançado. A previsão é que sejam concluídas em dezembro de 2026.

A transferência do acervo está prevista para começar em dezembro, após a conclusão das obras, e deverá durar seis meses. Segundo a prefeitura, o edital para contratar o transporte das obras já foi publicado no Diário Oficial do Município (DOM).

“Esta transferência possibilitará que as obras de arte possam ser preservadas seguindo os melhores critérios de conservação e deixará o edifício sede disponível para o início das obras de restauração”, finalizou a prefeitura.

RESTAURAÇÃO DO MUSEU
Além disso, a PBH informou que a licitação para a restauração do edifício principal do Museu de Arte da Pampulha será lançada ainda neste ano. Um novo anexo para o museu também está em fase de planejamento.

“O anexo possibilitará o crescimento do acervo em condições adequadas de segurança, o retorno das grandes exposições deste rico acervo, além das possibilidades de construção de parcerias com outras instituições e o recebimento de acervos externos”, explicou a PBH.

Enquanto as obras avançam, também estão sendo preparadas as áreas que vão receber as obras de arte. Os espaços terão controle de temperatura e umidade, mobiliário específico e sistemas de segurança.

“Além da obra de reforma do espaço, já acontecem, simultaneamente, a preparação das reservas técnicas que irão receber os acervos com climatização, instalação de mobiliário técnico adequado, sistemas de segurança, dentre outros”, disse.

LINHA DO TEMPO

  • Década de 40: O prédio principal é projetado por Oscar Niemeyer para funcionar como Cassino da Pampulha. Na mesma época, é construída a antiga estação de bombeamento de água da Pampulha no entorno.

  • 1946: Ocorre a proibição dos jogos de azar no Brasil, o que força o encerramento das atividades do cassino.

  • 1957: O edifício do antigo cassino é adaptado e inaugurado oficialmente como Museu de Arte da Pampulha (MAP).

  • 2004: Niemeyer apresenta a primeira proposta de anexo, apelidada de “disco voador” — uma estrutura circular de concreto e vidro projetada sobre as águas da Lagoa da Pampulha, que não avançou devido a restrições ambientais e de tombamento.

  • 2008: Niemeyer desenvolve a segunda proposta de anexo, consistindo em um prédio baixo e horizontal no terreno em frente ao museu. Apesar de aprovado pela Prefeitura e pelos órgãos de patrimônio, o projeto não chegou a ser executado.

  • Dezembro de 2026: Previsão de conclusão das obras do MAP – Núcleo (antiga Casa MAP / estação de bombeamento).

    Fonte: PBH

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *