
Clebio Lopes “Jacaré” em evento de campanha exibindo bandeiras do União Brasil. (Foto: Instagram)
O candidato a deputado federal Clebio Lopes “Jacaré” (União-RJ) utilizou recursos públicos destinados à sua campanha para contratar uma empresa da qual é sócio. O empresário alocou R$ 100 mil do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, conhecido como Fundão, para cobrir esses custos.
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De acordo com a prestação de contas enviada à Justiça Eleitoral, a empresa 2U Like Comunicação e Marketing LTDA recebeu R$ 100 mil da campanha de Clebio por serviços de “marketing e mídia”. O pagamento foi realizado em 31 de agosto.
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A empresa favorecida tem Clebio Lopes como sócio-administrador. O quadro societário também inclui a Estrela Cadente Gestão e Participações Societárias SA, onde Clebio atua como presidente.
Em comunicado, a assessoria de comunicação do candidato declarou que a empresa é uma referência no mercado e que a contratação foi feita de acordo com as normas eleitorais.
Clebio, que é empresário, busca pela terceira vez uma cadeira como deputado federal. No entanto, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) rejeitou seu registro de candidatura, acolhendo a impugnação do Ministério Público Eleitoral. Há possibilidade de recurso.
O Ministério Público Eleitoral destacou que Clebio enfrenta uma ação penal, acusado de liderar uma organização criminosa voltada a fraudes e obtenção de vantagens na administração pública. Em 2022, ele foi preso na terceira fase da operação Apanthropía, conduzida pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).
Ao solicitar o indeferimento da candidatura, o MP Eleitoral afirmou que Clebio “não é apenas um participante de organização criminosa, mas seu líder, responsável por estruturar e comandar um esquema sofisticado destinado à captura da Administração Pública Municipal de Itatiaia”.
Os elementos reunidos na ação penal revelam uma verdadeira organização criminosa destinada à apropriação do aparelho estatal e ao exercício informal do poder político, o que compromete a normalidade e a legitimidade das eleições, como reconhecido pelo TSE em precedentes anteriores, afirmou o órgão ministerial.
A campanha de Clebio Lopes “Jacaré” recebeu R$ 1 milhão da Direção Nacional do União Brasil, oriundos do Fundo Especial, para financiar a campanha. Além desse montante, o candidato recebeu R$ 23 mil em doações de pessoas físicas, conforme informações do portal do TSE.
Além de recursos próprios e de terceiros, os candidatos podem receber recursos do Fundo Partidário, do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e de outras fontes previstas na legislação.
O QUE DIZ O CANDIDATO
Em nota à coluna, a assessoria de comunicação de Clebio Lopes “Jacaré” afirmou que a empresa é uma referência no mercado de publicidade, com anos de atuação. “A contratação foi realizada de acordo com as normas eleitorais e com preços praticados no mercado”, completou.
A nota também destacou que, “entre outras empresas no mercado e considerando a complexidade do trabalho e a atuação direcionada, optaram pela referida empresa”.
DINHEIRO EM ESPÉCIE
Ao registrar sua candidatura na Justiça Eleitoral este ano, Clebio Lopes “Jacaré” declarou um patrimônio que ultrapassa os R$ 57 milhões. No entanto, destacou-se a quantia em espécie declarada: R$ 11,95 milhões.
O valor em dinheiro vivo já havia gerado controvérsias em eleições anteriores. Em 2024, por exemplo, quando concorreu à Prefeitura de Nova Iguaçu (RJ), declarou R$ 4,2 milhões em moeda nacional e R$ 98 mil em moeda estrangeira. Em 2022, a quantia declarada em espécie foi de mais de R$ 5 milhões.
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