
Lázaro Ramos e Yuri Gomes em cena emocionante de Feito Pipa, ambientado no sertão cearense. (Foto: Instagram)
Destaque nos Festivais de Cinema de Berlim e Gramado, Feito Pipa foi selecionado como representante do Brasil para o Oscar de 2027. Com Yuri Gomes, Lázaro Ramos e Teca Pereira no elenco, o filme explora as relações familiares sob a perspectiva de um jovem que passa pelas transformações da infância, abordando laços afetivos, luto e a temática LGBTQIA+.
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Diferente dos últimos indicados brasileiros ao Oscar, Ainda Estou Aqui (2024) e O Agente Secreto (2025), Feito Pipa enfrenta desafios adicionais na corrida por uma vaga na cerimônia principal do Oscar de 2027, de acordo com especialistas consultados pelo Metrópoles.
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Segundo os especialistas, é provável que o filme entre na pré-seleção de 15 produções para a categoria de Melhor Filme Internacional, conhecida como shortlist. Para avançar à lista final, o longa deve intensificar sua campanha internacional, garantir distribuição nos Estados Unidos, obter apoio de figuras influentes da indústria e enfrentar a concorrência de produções destacadas em festivais como Cannes e Veneza.
Feito Pipa, o longa mais premiado da 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado, apresenta a história de Gugu (Yuri Gomes), um menino apaixonado por futebol e dança que vive com a avó Dilma (Teca Pereira) no sertão cearense. Criado de forma livre e afetuosa, ele enfrenta o desafio de possivelmente deixar a vida ao lado da avó para morar com o pai, Batista (Lázaro Ramos).
Para a crítica de cinema Isabella Faria, um dos pontos fortes de Feito Pipa é o apelo emocional e a capacidade da história de atravessar fronteiras sem depender de contexto histórico ou político prévio. A narrativa de amadurecimento, centrada na infância, nas relações familiares e nas temáticas LGBTQIA+, ressoa em qualquer cultura.
Pedro Butcher, professor do curso de Cinema e Audiovisual da ESPM, destaca o carisma do elenco e acredita que o filme pode se beneficiar do momento favorável do cinema brasileiro no exterior, impulsionado por Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto.
Por outro lado, os especialistas alertam para dois desafios importantes: a estreia no Festival de Berlim e a falta de uma distribuidora americana. A estreia em Berlim, ocorrida em fevereiro, exige um esforço extra para manter o filme na memória dos votantes, já que festivais como Cannes e Veneza, que ocorrem mais próximos da votação do Oscar, tendem a ser mais influentes.
Além disso, a ausência de um parceiro comercial nos Estados Unidos é vista como a principal urgência para o longa. Com a divulgação da shortlist do Oscar normalmente em dezembro, a equipe do filme teria três meses para fazer o filme circular e ser reconhecido nos EUA.
Isabella destaca que, sem o suporte de uma distribuidora em Los Angeles, a equipe precisa captar recursos de forma autônoma para custear a logística de uma campanha internacional, que inclui exibições privadas, viagens e anúncios na imprensa especializada.
Pedro ressalta que o caminho para superar o bloqueio comercial envolve tanto investimento financeiro direto quanto articulação política dentro da indústria cinematográfica. Conseguir apoio de pessoas influentes, como Walter Salles e Kleber Mendonça Filho, pode fazer a diferença para aumentar a visibilidade do filme.







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