
Lucas Pavanato participa de entrevista por videoconferência enquanto âncoras acompanham no estúdio. (Foto: Instagram)
Lucas Pavanato (PL), o deputado federal eleito com mais votos em São Paulo, declarou que sua prioridade inicial é o afastamento de ministros do Supremo Tribunal Federal. "Meu primeiro foco é limitar os poderes do Supremo Tribunal Federal, o impeachment de Alexandre de Moraes, que será discutido no Senado, e eu vou pressionar para que aconteça", afirmou em entrevista.
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É responsabilidade do Senado processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade. Para que sejam condenados, é necessário o voto de dois terços dos senadores. A Câmara dos Deputados não participa deste processo.
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Durante a entrevista, Pavanato também ressaltou que uma das pautas mais relevantes para ele é a redução da maioridade penal. "Está parada há anos no Congresso. A maioria da população apoia essa medida, mas o Congresso não responde por medo de se posicionar. Vou me posicionar da melhor forma e trabalhar para que esse projeto avance, se possível, com uma proposta mais abrangente que pretendo apresentar. Se não for possível, avançaremos com o que já está lá, reduzindo a maioridade penal para 16 anos em crimes hediondos", destacou.
O deputado eleito também se manifestou a favor do fim da reeleição para presidente, governador e prefeitos. "Isso reduz um pouco o incentivo ao populismo eleitoral. A pessoa, na véspera da eleição, toma medidas apenas para se reeleger. Claro que ainda haverá incentivo para eleger um sucessor, mas a redução não é tão significativa. Acho que é uma medida que demonstra desprendimento", avaliou. "Um ano a mais de mandato sem eleição permitirá que o presidente tenha mais tempo para realizar o que precisa ser feito."
Antes de se filiar ao PL, Pavanato fazia parte do Movimento Brasil Livre (MBL) e do partido Novo, onde defendia a terceira via e criticava o bolsonarismo — sua ideologia política atual. Quando questionado sobre Renan Santos (Missão), do MBL, Pavanato afirmou que ele é "irrelevante".
"Há apenas um deputado federal e um estadual do MBL em todo o Brasil", apontou. "Renan teve menos votos no Brasil do que eu em São Paulo. Nem mesmo o candidato à Presidência deles supera um simples deputado do PL", acrescentou.
IMPULSIONAMENTO NAS REDES
Nas eleições deste ano, Lucas Pavanato gastou R$ 1,352 milhão com impulsionamento de conteúdos, representando 50,02% do total de R$ 2.702.190,9 em despesas de campanha.
Pavanato explicou que "via de regra" não faz impulsionamento, mas "na eleição é diferente". "Optei por gastar a maior parte com meu público digital", contou.
"Usamos o impulsionamento para alcançar pessoas que já me conheciam. E, graças a Deus, há pessoas relevantes e conhecidas que gostam de mim e me apoiaram nesta eleição. Isso ajudou a furar um pouco a bolha e alcançar o público que eu precisava", detalhou.
Questionado sobre uma declaração recente sobre a extrema direita colocar opositores "no devido lugar" e sobre sua atuação contra pessoas trans, Pavanato afirmou que a esquerda é minoria na política, mas que ele não se referia às "minorias identitárias que a esquerda tenta dividir".
"Eu disse que eles são hegemônicos nas instituições hoje. A esquerda, mesmo sendo a minoria da sociedade, ocupa espaços e tem a maioria do poder, mas agora somos maioria no Congresso e vamos colocar a minoria no seu devido lugar", enfatizou. "Nunca ataquei nenhuma pessoa trans. Eu só acho que a biologia não pode ser negada", completou.
Em agosto, no entanto, a Justiça Eleitoral de São Paulo determinou a retirada de uma publicação de Pavanato contra a deputada federal Érika Hilton (PSol), reeleita este ano. Ele havia postado um vídeo chamando-a de "travesti do Lula". A juíza também ordenou que Pavanato não fizesse mais posts transfóbicos contra Érika.
ATUAÇÃO COMO VEREADOR
Na entrevista, Pavanato apontou o projeto que proíbe publicidade relacionada a apostas em São Paulo como "um dos mais importantes" de seu mandato como vereador.
O plenário da Câmara Municipal de São Paulo aprovou, em setembro deste ano, em primeiro turno, a proposta do vereador João Jorge (MDB) com coautoria de cerca de 30 parlamentares, incluindo Pavanato. O texto ainda precisa passar por uma segunda votação para ser sancionado.
Contudo, Pavanato disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva proibiu as casas de apostas no país e zerou impostos de importações para "fingir que é bonzinho". "O Lula é um vagabundo, basicamente regulamentou as apostas para torná-las viáveis no país. Agora, na reta final, antes da eleição, viu que as pesquisas mostram que a maioria é contra as apostas e as proibiu", disparou.
Lucas Pavanato aprovou apenas seis projetos na Câmara Municipal desde o início do mandato como vereador em janeiro de 2025. Em todas as proposições, ele é um dos co-autores, ao lado de outros vereadores de direita.
Como vereador, Pavanato foi relator na CPI Pancadões e associou o funk ao crime organizado. Depois, usou o gênero musical em sua campanha e na comemoração da eleição como deputado federal.
Questionado sobre a contradição, Pavanato afirmou que seu posicionamento é "contra o funk da periferia". "Critiquei apologia, sexualização e objetificação de mulheres e continuo criticando isso. Acho que são músicas extremamente nocivas", disse.
Por outro lado, o deputado eleito se manifestou contra o feminismo, movimento que defende a igualdade de direitos e oportunidades entre homens e mulheres. Nesta eleição, Pavanato apadrinhou a antifeminista Eduarda Campopiano (PL), eleita a deputada estadual mais votada para a Assembleia Legislativa de São Paulo.
"O feminismo é contra inclusive o quê? O que é mulher? A definição de mulher. Se eu pergunto para uma feminista o que é mulher hoje em dia, ela não sabe definir. Diz que é qualquer pessoa que se identifica. Se mulher pode ser tudo, mulher não é nada. O feminismo distorce o papel da mulher", afirmou.
CONTRATAÇÃO DE FERNANDO HOLIDAY
O gabinete de Lucas Pavanato na Câmara Municipal de São Paulo pagou R$ 400 mil à empresa de consultoria do ex-vereador Fernando Holiday, padrinho político do vereador. O valor corresponde a 20 repasses mensais de R$ 20 mil para "serviços de assessoria de marketing", conforme notas fiscais.
Antes de ser eleito como o vereador mais votado da capital em 2024, Pavanato foi assessor de Fernando Holiday, que teve dois mandatos como vereador, chegando a ser chefe de gabinete do aliado. Impulsionado pelas redes sociais, Pavanato foi eleito com cerca de 3 milhões de votos, sendo o mais votado do estado e o segundo mais votado no Brasil.
Já havia sido revelado que, antes de ter mandato, entre 2023 e 2024, Pavanato recebeu R$ 127 mil em serviços de consultoria de marketing para o mandato de Holiday.
A contratação ocorreu quando Pavanato não estava lotado como comissionado no mandato do ex-vereador. Após ser eleito vereador, os papéis se inverteram: Pavanato passou a contratar Holiday pelo mesmo tipo de serviço.
Na entrevista, Pavanato justificou a contratação afirmando que está dentro das regras da Câmara e que Holiday é um "marqueteiro de primeira". "Ele entende muito de marketing e comunicação. Foi vereador durante dois mandatos, tem formação, pós-graduação em ciência política e formação em história", afirmou.
SEGUNDO TURNO
Lucas Pavanato é aliado de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência que estará no segundo turno contra o presidente Lula. Pavanato e outros deputados eleitos com votações expressivas, como Nikolas Ferreira (PL), estão engajados na campanha.
Segundo ele, há um grupo de mobilização, com agendas previstas em São Paulo, assim como eventos no Nordeste e no Norte. "O máximo que eu puder fazer para o Flávio Bolsonaro ser eleito, eu vou fazer", disse.







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