
Lula e Flávio Bolsonaro duelam sobre “tarifaço” americano (Foto: Instagram)
Às vésperas da implementação das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, o tema tornou-se o principal foco da agenda política e eleitoral no Brasil.
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O debate sobre as tarifas, especialmente a questão de quem é responsável pela imposição das alíquotas, passou a dominar as discussões entre os principais pré-candidatos à presidência e seus apoiadores, polarizando o debate público.
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A repercussão das tarifas também alterou a dinâmica da corrida eleitoral, relegando a segundo plano temas que vinham dominando o noticiário político e econômico nas últimas semanas, como as investigações envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Em meio à intensificação da crise comercial e diplomática, os candidatos à presidência passaram a focar seus discursos na relação entre Brasil e Estados Unidos, nos impactos econômicos das tarifas e na disputa sobre quem deve ser responsabilizado pela medida.
As tarifas contra o Brasil foram propostas pelo USTR após uma investigação comercial sobre produtos brasileiros. O órgão acusa o Brasil de práticas comerciais desleais.
De acordo com o USTR, o Brasil adota práticas desleais em áreas como comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, além de tarifas preferenciais, falhas no combate à corrupção, restrições ao mercado de etanol e falta de repressão ao desmatamento ilegal.
As alíquotas foram sugeridas pela pasta e, antes de serem implementadas, precisam passar por uma audiência que ocorrerá na próxima segunda-feira (6/7). Após a audiência, as alíquotas ainda precisam do aval de Donald Trump. A data prevista para a imposição das alíquotas é 15 de julho de 2026.
Na avaliação do cientista político Valdir Pucci, o tarifaço já se tornou uma "bandeira de campanha eleitoral". O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), principais pré-candidatos ao Palácio do Planalto, já apostam em discursos sobre o tema com tom eleitoral.
De um lado, o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) aposta no discurso da soberania nacional e acusa os Bolsonaro de articular as alíquotas com a Casa Branca em benefício próprio.
“O PT vai bater muito na questão da soberania, da defesa dos interesses nacionais durante a campanha eleitoral e vai trazer essa questão do tarifaço à tona. Em todos os momentos o Flávio vai ser cobrado pela posição que ele tomou diante desse tarifaço. O Flávio, por outro lado, acredito que vai tentar trazer a campanha para o assunto da segurança pública”, avalia Valdir.
Flávio Bolsonaro também explora a questão das tarifas por um ângulo em que tenta responsabilizar o governo do presidente Lula pela medida. Embora o tema venha sendo relacionado ao senador, Flávio acusa a gestão petista de agir com “hostilidade” contra os Estados Unidos, o que teria motivado as tarifas.
Com a iminente imposição das taxas — marcada para o dia 15 de julho — Lula e Flávio trocam acusações nas redes sociais e em discursos públicos durante encontros com o eleitorado. O governo brasileiro também usou plataformas oficiais para responsabilizar o parlamentar pelas taxas.
Em nota publicada pelo Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty criticou as ações de quem classificou como “traidores da Pátria”, em referência à família Bolsonaro, que foi criticada nominalmente em uma declaração do governo após o anúncio das tarifas.
Na avaliação de Raquel Alves, analista política da BMJ Consultores, a proximidade da data limite para negociar as taxas é o que tem deixado o tema em evidência nas últimas semanas. Isso não afasta, contudo, o impacto do caso Master sobre as eleições.
“A proximidade da reunião com os Estados Unidos e da data-limite deixa essa sensação de que o caso virou o tema central [da pauta política], mas a agenda da corrupção comove mais os corações e a mente do brasileiro”, avalia.
A analista relembra ainda que o envolvimento de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi o que mais abalou a pré-campanha do senador ao Planalto. A revelação de áudios entre Flávio e o banqueiro teve impacto em pesquisas eleitorais, com redução nas intenções de voto — que o filho de Jair Bolsonaro ainda não conseguiu reverter nas sondagens.
O caso, avaliam os especialistas consultados pelo Metrópoles, pode ter mais impacto na decisão do eleitor no momento do voto em outubro. Valdir Pucci defende que o eleitor brasileiro é mais pragmático em temas internacionais e demonstra especial atenção com assuntos domésticos, como educação, saúde e segurança.
Raquel, por outro lado, enfatiza que os dois casos têm impactos diferentes em grupos de pessoas diferentes.
“O tema da soberania pode até ser um tema geral, mas para quem é atingido pelas tarifas essa é uma questão mais importante. Se você é uma pessoa que trabalha em um setor que foi atingido pelas tarifas, perdeu o emprego ou está com medo de perder o emprego, isso vai pesar mais do que um debate etéreo sobre corrupção. Agora se você não tem ligação direta com essa questão, se não consegue ver a ligação das tarifas com inflação, por exemplo, ou outras coisas, a agenda da corrupção é mais próxima, então vai acabar tendo mais peso na hora de votar”, conclui.







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