
Donald Trump com símbolos das eleições de meio de mandato ao fundo. (Foto: Instagram)
As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos tiveram início na segunda-feira, 19 de outubro, com a votação antecipada em alguns estados. O presidente Donald Trump enfrenta um desafio que pode colocar em risco a maioria republicana no Congresso: a deterioração de sua popularidade entre eleitores latinos.
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Após terem contribuído para a vitória republicana em 2024, muitos desses eleitores agora expressam descontentamento com o custo de vida e as políticas de imigração do governo, de acordo com pesquisas recentes.
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Uma pesquisa da NBC News em parceria com a Telemundo, realizada entre 21 e 28 de setembro, revela que 59% dos eleitores latinos preferem que os democratas assumam o controle do Congresso após as eleições de novembro, enquanto 35% optam pelos republicanos. A diferença de 24 pontos percentuais é o dobro da vantagem que os democratas tinham em 2024, quando lideravam por 12 pontos.
Esse resultado representa uma inversão em relação ao crescimento republicano observado na última eleição presidencial. Em 2024, Trump conseguiu uma parcela significativa do voto latino, reduzindo a vantagem histórica dos democratas e expandindo seu apoio entre homens e trabalhadores que esperavam melhorias econômicas prometidas pelo republicano.
Agora, a insatisfação com os preços, a gestão econômica e as operações de imigração ameaçam a capacidade do Partido Republicano de repetir esse desempenho.
As eleições de meio de mandato estão programadas para 3 de novembro, e todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, além de 35 vagas no Senado, estarão em disputa. Os republicanos atualmente controlam ambas as Casas, e perder a maioria em uma delas pode dificultar a aprovação dos projetos de Trump e aumentar a fiscalização do Executivo pelo Congresso.
Nessa conjuntura, o voto latino pode influenciar disputas em estados e distritos competitivos. No entanto, a vantagem democrata apontada pelas pesquisas não garante apoio ao partido, já que a insatisfação com o governo pode não se traduzir em apoio consistente à oposição. O desafio dos democratas é mobilizar eleitores descontentes, enquanto os republicanos tentam reconquistar a confiança dos latinos que apoiaram Trump em 2024, mas que agora demonstram preocupação com a economia e a política migratória.
O cenário econômico é ainda mais desfavorável para Trump: apenas 20% dos eleitores latinos aprovam a gestão do custo de vida pelo republicano, enquanto 76% desaprovam, segundo pesquisa da Equis Research. A insatisfação também se reflete na confiança partidária, com os democratas em vantagem sobre os republicanos na condução da economia, revertendo o cenário observado entre os latinos durante a campanha de 2024.
Outro levantamento, divulgado pela Axios com base em dados da Equis Research, também indica vantagem democrata. Na intenção de voto para o Congresso, o partido aparece com 57% das preferências dos latinos, contra 31% dos republicanos. Nos distritos mais competitivos, a diferença é ainda maior. A maioria dos latinos acredita que as políticas de Trump prejudicaram a economia.
A política migratória também pesa contra Trump. Embora o controle da fronteira tenha sido uma das principais bandeiras republicanas, dois terços dos latinos ouvidos pela NBC News e Telemundo consideram que o governo foi longe demais na fiscalização migratória. As operações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) também afetam pessoas próximas aos entrevistados: mais de um quarto afirmou conhecer alguém detido ou deportado pelo órgão nos dois anos anteriores à pesquisa.
Os dados indicam que o apoio ao controle migratório não significa necessariamente concordância com deportações generalizadas. A maioria dos entrevistados apoia a deportação de imigrantes sem documentação que cometeram crimes graves, mas o apoio é bem menor quando a proposta é deportar todos os imigrantes nessa situação.
O avanço republicano entre os latinos foi um dos movimentos significativos da eleição presidencial de 2024. Historicamente associados ao Partido Democrata, esses eleitores se aproximaram de Trump em meio à insatisfação com a inflação e às expectativas de melhora do poder de compra.
As pesquisas sobre o voto daquele ano apresentam diferenças metodológicas, mas apontam para o mesmo fenômeno: Trump conseguiu uma parcela expressiva do eleitorado latino. Dados do Pew Research Center indicaram que Kamala Harris recebeu 51% dos votos desse grupo, enquanto o republicano obteve 48%.
Esse desempenho representou uma mudança significativa em relação a 2020, quando Joe Biden venceu Trump entre os latinos por uma margem muito maior. A aproximação dos republicanos foi especialmente relevante entre os homens hispânicos, parte dos quais mostrou maior receptividade ao discurso conservador e às promessas de crescimento econômico.
A comunidade latina, no entanto, está longe de ser um bloco eleitoral uniforme. Existem diferenças de origem nacional, renda, religião, idade, região e posicionamento político que influenciam as escolhas nas urnas. Em 2024, por exemplo, eleitores de origem cubana demonstraram maior apoio a Trump, enquanto mexicanos e porto-riquenhos mantiveram maior preferência pela candidatura democrata.







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