
PF indicia 15 pessoas por suspeita de fraude bilionária em operações entre Banco Master e BRB. (Foto: Instagram)
A Polícia Federal indiciou 15 pessoas por fraude bilionária em negócios entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). A conclusão da PF é que controladores, diretores, operadores e advogados cometeram crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa na negociação de R$ 12,2 bilhões em créditos considerados fictícios.
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A investigação apura a liquidação de carteiras de crédito sem lastro entre o Banco Master e o BRB. Os enquadramentos penais incluem crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Entre os indiciados estão Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master; Paulo Costa, ex-presidente do BRB; e mais 13 pessoas.
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As operações apontadas pela PF ocorreram entre dezembro de 2024 e abril de 2025. Segundo as investigações, o contrato entre o Master e o BRB previa que as carteiras compradas seriam formadas por créditos da modalidade Credcesta, originados pelo banco. Mais tarde, porém, a apuração mostrou que o Master, de Daniel Vorcaro, reconheceu a participação de terceiros na origem dos ativos e passou a apresentar versões divergentes.
A PF afirmou que, inicialmente, a origem de créditos bilionários foi atribuída a operações ligadas a duas associações sediadas no Estado da Bahia. Depois, as mesmas operações passaram a ser relacionadas à Tirreno Consultoria Promotoria de Crédito e Participações S.A., empresa que, conforme elementos examinados em perícia, não tinha capacidade econômico-financeira, estrutura operacional ou meios técnicos compatíveis com a geração de créditos consignados nesse volume.
O indiciamento da PF destacou que a fraude financeira ocorreu em negócios firmados entre duas instituições financeiras supervisionadas pelo Banco Central do Brasil. Segundo o documento, seus dirigentes atuaram em conluio e deixaram de cumprir obrigações normativas e contratuais essenciais para comprovar a existência dos ativos negociados, adotar procedimentos mínimos de governança e realizar a adequada precipitação das carteiras de crédito cedidas.
DIVISÃO DE TAREFAS
A lista descreve a divisão de funções no esquema criminoso, que envolveria a alta gestão do banco privado, dirigentes do banco público, intermediários de empresas de fachada e integrantes de comitês de governança. Confira:
Núcleo Estratégico e Liderança do Banco Master
- Daniel Bueno Vorcaro (controlador do Banco Master): indiciado por gestão fraudulenta, prestação de informação falsa e fraude. Também responde por organização criminosa, com papel de liderança e participação de funcionário público, e lavagem de dinheiro.
- Augusto Ferreira Lima (ex-dirigente/operador do Banco Master): indiciado por gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
- Angelo Antônio Ribeiro da Silva (diretor do Banco Master): indiciado por gestão fraudulenta, falsidade e fraude em operação financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
- Luiz Antonio Bull (diretor de Gestão de Riscos do Banco Master): indiciado por gestão fraudulenta, falsidade e fraude, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
- Alberto Félix de Oliveira Neto (superintendente de Tesouraria do Banco Master): indiciado por gestão fraudulenta, falsidade e fraude, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Núcleo Operacional e Estruturação de Empresas de Fachada
- Allan da Silva Machado (coordenador operacional do Banco Master): indiciado por gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
- Henrique Souza e Silva Peretto (Operador/colaborador do Banco Master): indiciado por gestão fraudulenta, falsidade e fraude, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
- André Felipe de Oliveira Seixas Maia (Suposto diretor da SPE/Tirreno): indiciado como partícipe em gestão fraudulenta, falsidade e fraude, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
- Daniel Lopes Monteiro (Advogado do escritório Monteiro Rusu): indiciado como partícipe em gestão fraudulenta, falsidade e fraude, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Núcleo de Comando e Cúpula do BRB
- Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa (ex-presidente do BRB): indiciado por gestão fraudulenta e organização criminosa, com papel de liderança e presença de funcionário público.
- Dario Oswaldo Garcia Junior (diretor Executivo de Finanças e Controladoria do BRB): indiciado por gestão fraudulenta e organização criminosa.
Núcleo da Diretoria Colegiada (DICOL) do BRB
- Luana de Andrade Ribeiro (Diretora Executiva de Controle e Riscos do BRB): indiciada por gestão fraudulenta.
- Cristiane Maria Lima Bukowitz (Diretora Executiva de Gestão de Pessoas do BRB): indiciada por gestão fraudulenta.
- Diogo Ilário de Araújo Oliveira (Diretor Executivo de Atacado e Governo do BRB): indiciado por gestão fraudulenta.
- José Maria Correa Dias Junior (Diretor Executivo de Tecnologia do BRB): indiciado por gestão fraudulenta.
OS FUNDAMENTOS DOS INDICIAMENTOS
Segundo o relatório da PF, os integrantes da Diretoria Colegiada (Dicol) do BRB foram responsabilizados por aderir repetidamente a um método decisório fraudulento.
O documento aponta que operações de grande impacto financeiro eram aprovadas de forma sistemática antes da conclusão dos pareceres de controle, permaneciam em alçadas inadequadas e eram renovadas sucessivamente, mesmo após alertas explícitos sobre riscos de liquidez e irregularidades técnicas.
Tags: Banco Master, Polícia Federal (PF)







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