
Jovem de 21 anos foi encontrado morto em uma banheira de motel na zona oeste de São Paulo; marido foi preso sob suspeita de homicídio. (Foto: Instagram)
São Paulo — Caio Henrique Ventura, de 21 anos, foi encontrado morto na banheira de um motel na Avenida Marquês de São Vicente, na Barra Funda, zona oeste de São Paulo, na madrugada de 1º de outubro.
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O suspeito do crime é Fernando Curti Tavares, casado com Caio desde junho. Ele foi preso nessa quarta-feira (28/10), suspeito de homicídio. Segundo a investigação, havia contratado cerca de R$ 15 milhões em seguros em nome da vítima. Os dois se conheceram por meio de um aplicativo de relacionamento.
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De acordo com as investigações da Polícia Civil, Fernando Curti Tavares teria matado o jovem, com quem era casado desde junho, para tentar receber os valores das apólices de seguro de vida da vítima.
Os policiais apuraram que Caio tinha mais de três apólices de seguro de vida em seu nome, com valores entre R$ 2 milhões e R$ 10 milhões. Os contratos previam cláusulas especiais que dobravam a indenização em caso de morte acidental. Fernando Tavares era o único beneficiário de todas as apólices e teria acionado os seguros poucas horas após a confirmação da morte do companheiro.
O advogado Adriano Scattini, especialista em fraudes contra seguros, avalia que, “se os fatos forem confirmados, o suspeito deverá ser indiciado por homicídio qualificado por motivo torpe, ou seja, a intenção de benefício financeiro com as indenizações.”
MORTO NA BANHEIRA
Conforme os registros policiais, Fernando Tavares encontrou a vítima morta dentro de uma banheira de hidromassagem do motel. O companheiro acionou o Samu, que constatou a morte do jovem na madrugada de 1º de outubro. A princípio, o caso foi registrado como acidental.
Ao atender à ocorrência, a Polícia Militar (PM) verificou que Fernando era a única pessoa que estava com a vítima na suíte do motel. O casal chegou ao local às 22h do dia 30 de setembro, e o suspeito pagou uma pernoite no check-in.
Fernando relatou aos agentes que ele e o jovem tiveram uma relação sexual na banheira. Depois, disse, saiu do local para tomar banho no andar de baixo da suíte duplex. Cerca de 20 minutos mais tarde, voltou e encontrou a vítima desacordada.
VERSÃO INCOMPATÍVEL
Durante a investigação, a polícia concluiu que as circunstâncias não correspondiam ao relato de Fernando: na suíte, a banheira ficava em um mezanino separado por um vidro e podia ser vista da porta do banheiro onde ele tomava banho.
A mãe do jovem também foi ouvida pela polícia. Ela afirmou que não sabia de nenhum relacionamento amoroso entre os dois, nem do casamento, e desconhecia a existência de seguros de vida em nome do filho.
Durante o plantão policial, quando soube que o celular seria apreendido, Fernando Tavares fez uma restauração completa do aparelho às configurações de fábrica, atitude que levantou suspeitas entre os policiais.
LAUDO APONTOU SUSPEITA DE HOMICÍDIO
O laudo necroscópico inicial apontou afogamento como causa da morte, o que causou estranheza porque a banheira do motel tinha menos de 70 centímetros de profundidade. Mais tarde, segundo a polícia, foram identificadas lesões de defesa nos dedos, nas mãos e nos antebraços do jovem, além de ferimentos na cavidade oral e infiltrações hemorrágicas profundas no pescoço.
A hipótese principal é que o jovem tenha sido vítima de violência física, imobilizado e submetido à compressão cervical antes de ser mantido submerso. “Os elementos periciais indicam, em tese, uma dinâmica compatível com a imobilização e manutenção da vítima sob a água até a produção do resultado morte”, afirma o documento policial.
Diante desses elementos, a Polícia Civil apontou indícios de homicídio doloso, risco de fuga e destruição de provas. A corporação pediu a prisão temporária do suspeito, além de busca e apreensão em seu endereço e extração de dados dos equipamentos eletrônicos dele. O caso é investigado pelo Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
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