Quando o choro da derrota se transforma em violência até contra indígenas

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A frustração eleitoral não justifica violência nem boicotes contra quem votou no candidato vencedor. (Foto: Instagram)

A frustração de 60 milhões de eleitores não justifica o boicote econômico nem o ataque brutal a quem votou no 13.

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Enquanto boa parte do mundo comemora a vitória que assegurou a Lula seu quarto mandato presidencial, no Brasil continua o lamento de quem não se conforma com a derrota de Flávio Bolsonaro no último domingo.

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Quase 60 milhões de brasileiros votaram nele. Alguns acreditaram na promessa de que, se eleito, faria do país um lugar melhor; outros queriam apenas se livrar de Lula e do PT. O luto dessas pessoas precisa ser respeitado. Que possam superar a frustração em paz ou repensar suas ideias.

O que não pode ser aceito, porém, é que o choro se converta em violência contra quem quer que seja. Infelizmente, é o que está ocorrendo. Há mortos e feridos entre aqueles que apenas apertaram o 13 nas urnas. Nem os povos originários escapam, enquanto se prega abertamente o boicote aos negócios dos vencedores.

Como de costume, o mau exemplo vem de cima. Cito apenas um caso para não cansá-los: o governo de Tarcísio de Freitas demitiu Silvana Gimenes do posto de coordenadora de Desenvolvimento de Programas da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Seu “crime” foi criticar uma declaração de Flávio, no debate da TV Globo, sobre Lula ter perdido um dedo em um acidente de trabalho quando jovem.

Tarcísio pretende se eleger presidente daqui a quatro anos. Se dependesse somente do apoio dos brasileiros mais ricos, dos milionários do agronegócio e da chamada grande mídia, já estaria eleito. Ou melhor, teria vencido há quase uma semana.

Mas Tarcísio não teve coragem de enfrentar a família Bolsonaro, a quem é leal. Deve continuar assim nos próximos anos também porque não tem votos suficientes para se eleger sozinho. Se os bolsonaristas o abandonarem, tchau, tchau.

Sem dois de seus enteados, Flávio e Eduardo, que não devem voltar tão cedo de Miami para evitar a prisão, a recém-eleita senadora Michelle Bolsonaro defendeu Tarcísio. De volta ao papel de porta-voz do marido condenado por tentativa de golpe de Estado, ela acolheu aqueles que participaram mais diretamente da segunda tentativa fracassada do clã de retomar o poder. Michelle quer ser vice de Tarcísio em 2030.

“Vivemos tempos difíceis. Precisamos refletir e só depois agir”, disse ela. “O meu marido ressalta que é momento de união e não de procurar culpados. Não caiamos nas enganações daqueles que sempre semeiam o ódio, a mentira e provocam a nossa divisão em troca de likes e engajamento. Deus está conosco e a Ele cabe o Julgamento e a Justiça”.

Ao que parece, Deus não se ocupou de acompanhar o avanço do “Exército de Lula”, liderado por André Janones.

Leão XIV, considerado o legítimo representante de Deus na Terra, ainda não se pronunciou sobre o que ocorreu no Brasil. O país concentra a maior população católica do mundo, estimada em cerca de 182 milhões de fiéis — aproximadamente 13% dos católicos do planeta, segundo dados do Anuário Pontifício do Vaticano.

Ele é o primeiro Papa da história a votar em uma eleição — no caso, a de seu país natal, os Estados Unidos. Votou por correspondência e, certamente, não escolheu o Partido Republicano de Donald Trump.

Tags: atos antidemocráticos, bolsonarismo, bolsonaristas, Bolsonaro, briga política, crise política, democracia, eleição, Flávio Bolsonaro, Governo Lula, Lula, política, políticos, reeleição, violência

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