
Bebê morreu após cirurgia cardíaca em hospital na zona leste de São Paulo; mãe relata suspeita de negligência, e o caso é investigado pela Polícia Civil. (Foto: Instagram)
Três semanas depois de Marcos Lucca Freitas de Almeida completar um ano, ele foi levado ao Hospital Salvalus, na Mooca, zona leste de São Paulo, para passar por uma cirurgia cardíaca. O bebê não saiu mais vivo da unidade.
++ Sistema de IA mostra como pessoas estão criando conteúdo diário sem gravar vídeos
Ele morreu na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica, pouco mais de um mês depois da operação, em 10 de setembro do ano passado. Para a mãe, Bruna Freitas de Oliveira, a causa foi a negligência: “Sempre negligenciaram meu filho de todas as formas”, afirmou.
++ Bomba! Astro de Hollywood, Joe Manganirllo revela ter amputado membro
CIRURGIA CARDÍACA
Marcos nasceu em 17 de julho de 2024 com uma condição cardíaca, diagnosticada somente quando ele tinha sete meses. Como precisava passar por uma cirurgia no coração, foi encaminhado ao Hospital Salvalus, considerado referência na rede NotreDame Intermédica HapVida e investigado atualmente pela Polícia Civil de São Paulo após mortes suspeitas de bebês.
Como estava abaixo do peso, a equipe médica avaliou que o melhor seria aguardar até que ele completasse um ano. “Eu vou te falar exatamente as palavras que o cardiologista dele me falou quando ele ia operar: ‘eu vou deixar ele ficar em casa para comemorar um aninho, porque eu acho muita judiação ele não passar o aniversário com vocês”, contou a mãe à reportagem.
Marcos foi internado em 7 de agosto do ano passado e operado no dia seguinte. Nas primeiras 48 horas, teve complicações, incluindo o surgimento de um caroço roxo na cabeça. O coração já não respondia. “As médicas falaram para a gente que tinham feito tudo o que eles podiam, porém agora era com ele. Mas ele conseguiu se estabilizar após essas 48 horas, e estava evoluindo muito bem”, recordou Bruna.
Depois de ser extubado, Marcos não conseguiu respirar sozinho e precisou ser entubado novamente. “Ele foi entubado na minha frente, [eu estava] ali dentro da sala com ele, e ele teve ali um princípio de uma parada cardíaca. Porém conseguiram reanimar”, relatou a mãe.
De acordo com ela, após ser reanimado, o bebê foi entubado outra vez, mas com um tubo para adultos, em vez de um infantil. “Ele ficava ali numa posição horrorosa para que esse tubo funcionasse, era uma dor muito grande que a gente sentia, e nós perguntávamos para os médicos, e eles falavam que o tubo era irrelevante, e que ele conseguiria permanecer ali com o tubo normalmente, não teria problema algum”, contou.
MORTE
Em 10 de setembro, enquanto o pai acompanhava Marcos durante a internação, uma enfermeira do Salvalus deu ao menino a dieta de outra paciente, que continha Triglicerídeos de Cadeia Média (TCM), fórmula à qual ele era alérgico.
Ainda naquele dia, o bebê teve febre de 41 graus e morreu depois de sofrer duas paradas cardíacas.
“Na certidão de óbito dele consta sepse, que é infecção hospitalar. E em nenhum momento do meu filho foi falado que ele tinha contraído sepse. E eu entendo que a sepse é [por conta de] uma bactéria, que fica ali no centro cirúrgico. Então, se ele foi contaminado ali no centro cirúrgico, o que eu falo? A gente via que, das enfermeiras, poucas usavam paramentação, e no quarto dele todo mundo entrava”, denunciou a mãe.
A certidão de óbito de Marcos Lucca aponta como causas da morte insuficiência aguda, dependência de ventilador, distúrbios subsequentes a cirurgia cardíaca, comunicação interventricular e sepse.
Um mês depois da morte do filho, Bruna registrou boletim de ocorrência no 8º Distrito Policial (DP), do Brás, unidade mais próxima do hospital e responsável pela investigação das mortes recentes. Ela foi convocada para depor em julho deste ano.
A mãe contou à reportagem que a gravidez foi muito esperada e planejada do começo ao fim. “Para você ter uma noção, até hoje eu não consegui abrir a mala que foi encaminhada pro hospital. Faz mais de um ano, e até hoje a mala dele tá ali fechada. A gente nunca conseguiu abrir”, lamentou.
HOSPITAL FALOU EM “ALTA COMPLEXIDADE”
Segundo o Salvalus, os pacientes que morreram na unidade apresentavam “condições clínicas distintas” e de “elevada gravidade”. Todos teriam recebido “assistência contínua e multidisciplinar, com suporte de uma estrutura hospitalar de alta complexidade e atuação integrada de profissionais de diversas especialidades”.
O hospital afirmou ainda que “as condutas terapêuticas foram individualizadas, considerando as necessidades de cada paciente e a evolução de seus quadros clínicos”.
A nota termina informando que a unidade mantém um “canal aberto de diálogo” por meio da diretoria de acolhimento do hospital, disponível para prestar os esclarecimentos necessários, “com respeito à privacidade e ao sigilo médico”.
Tags: Bebê, Hospital, inquérito, investigação policial, morte, plano de saúde, Polícia Civil de São Paulo, São Paulo







Leave a Reply