
Gomas e vitaminas não aceleram o crescimento do cabelo, alertam especialistas. (Foto: Instagram)
A promessa de fazer o cabelo crescer rapidamente com gomas mastigáveis e complexos vitamínicos populares na internet não tem comprovação científica. Não há tratamento ou medicamento que aumente a velocidade natural do ciclo capilar, tanto em pessoas saudáveis quanto em quem tem condições dermatológicas.
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Estudos divulgados pelo Instituto Nacional de Saúde dos EUA (NIH) reforçam que não existem evidências clínicas de que a suplementação diária melhore o crescimento ou a densidade dos fios em pessoas sem deficiência nutricional diagnosticada.
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O MITO DA ACELERAÇÃO E A FUNÇÃO DOS NUTRIENTES
A procura por fios longos em pouco tempo movimenta um mercado milionário, mas a biologia capilar tem seu próprio ritmo. Especialistas destacam que os nutrientes atuam na estrutura dos fios, e não na aceleração do crescimento.
“Vitaminas podem ajudar a melhorar a estrutura, o viço e a qualidade dos fios, mas não fazem com que cresçam mais rápido”, explica a farmacodermatologista Paula Sian.
Mesmo o minoxidil, substância bastante prescrita na dermatologia, não acelera o crescimento. Ele prolonga a fase de crescimento ativo do fio, mantendo o cabelo preso ao couro cabeludo por mais tempo.
Para formar queratina, os fios precisam de proteínas e micronutrientes. No entanto, o organismo estabelece prioridades para sua sobrevivência.
“O cabelo não é uma prioridade metabólica para o organismo. Quando há uma deficiência nutricional importante, o corpo tende a preservar funções essenciais à sobrevivência, e o crescimento capilar pode ser prejudicado”, afirma a nutricionista integrativa Camilla Simões.
QUEDA, DEFICIÊNCIAS NUTRICIONAIS E O RISCO DO EXCESSO
A queda intensa e o enfraquecimento dos fios geralmente estão ligados a fatores específicos, como anemia e dietas muito restritivas. Em mulheres em idade fértil, a falta de ferro é um dos principais fatores associados à perda capilar, já que o organismo direciona o mineral para funções vitais.
Por outro lado, tomar suplementos sem orientação pode provocar o efeito contrário. A hipervitaminose A, causada pelo excesso de vitamina A e de compostos derivados, está diretamente relacionada à queda de cabelo e a alterações na pele.
O consumo exagerado de selênio ou zinco também pode provocar desequilíbrios no organismo e levar à perda dos fios. Esses minerais estão presentes sobretudo em frutos do mar, carne vermelha e de frango, ovos, leite e derivados, entre outros alimentos.
A conhecida biotina (vitamina B7), vendida como ingrediente milagroso em gomas capilares, só é necessária em casos raros de deficiência real. “A deficiência verdadeira de biotina é relativamente rara em pessoas saudáveis que mantêm uma alimentação variada. E as evidências científicas não demonstram benefícios consistentes para indivíduos sem essa deficiência”, ressalta Camilla.
Doses altas de biotina também podem interferir em exames laboratoriais da tireoide e de marcadores cardíacos.
QUÍMICAS, QUEBRA E INVESTIGAÇÃO MÉDICA
Uma confusão comum é não diferenciar a queda que começa no folículo capilar da quebra da fibra já exposta. Procedimentos químicos, como alisamentos e descolorações, além do uso frequente de fontes de calor, danificam a parte do fio que já emergiu.
“É importante entender que a parte visível do cabelo é formada por células mortas. A partir do momento em que o fio emerge do couro cabeludo, ele não possui mais a capacidade de regeneração biológica. Tomar suplementos não resolve o problema de um cabelo que já está quebradiço devido a agressões externas”, destaca Paula.
Antes de comprar cápsulas em farmácias, a recomendação médica e nutricional é investigar a origem do problema com exames de sangue, histórico clínico e avaliação dermatológica. Com uma alimentação equilibrada e tratamentos específicos, é possível preservar a saúde do couro cabeludo sem gastos desnecessários ou riscos à saúde.
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Tags: cabelo, ciência, Saúde







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