
Violência urbana, obras públicas paralisadas e corrupção estão entre as principais preocupações apontadas por moradores de Minas Gerais em consulta do TCE-MG. Na Grande BH, também se destaca a preocupação com a população em situação de rua. (Foto: Instagram)
Belo Horizonte – Violência urbana, obras públicas paralisadas, corrupção e dificuldade de atendimento na saúde estão entre os principais problemas apontados por moradores de Minas Gerais. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), a criminalidade e a população em situação de rua despertam preocupação ainda maior.
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As informações fazem parte de um levantamento do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), que reuniu 4.376 participações de moradores de 515 municípios, o equivalente a 60,38% das cidades mineiras.
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O diagnóstico integra o projeto Você no Controle, iniciativa criada para identificar as principais demandas da população e orientar o planejamento das fiscalizações do Tribunal. A consulta durou 153 dias, entre 14 de abril e 13 de setembro deste ano, e também recebeu 2.095 manifestações abertas.
Entre os problemas específicos que afetam o dia a dia dos mineiros, violência urbana e criminalidade ocupam o primeiro lugar, com 2.551 votos. Depois aparecem obras paralisadas ou atrasadas, com 2.528 menções; combate à corrupção, com 2.488; e acolhimento de pessoas em situação de rua, com 2.472.
Ao serem perguntados sobre as grandes áreas que precisam de atenção do poder público, os participantes colocaram a saúde na liderança, com 2.345 votos. Obras e infraestrutura ficaram em segundo lugar, com 1.417, seguidas por educação (1.384) e gestão fiscal e governança (1.361).
Os resultados foram divulgados pelo TCE-MG na terça-feira (3/11), durante entrevista coletiva na sede do órgão, em Belo Horizonte.
GRANDE BH CONCENTRA QUASE METADE DAS PARTICIPAÇÕES
A Região Metropolitana de Belo Horizonte teve participação expressiva na consulta, com 2.171 registros, equivalentes a 49,61% do total recebido pelo Tribunal.
Na região, violência urbana e criminalidade estão entre as principais preocupações, com 66,32% das menções. O acolhimento de pessoas em situação de rua também aparece em destaque, com 66,21%. Já obras paralisadas ou atrasadas foram apontadas por 63,69% dos participantes.
O resultado revela demandas marcadas por questões de segurança pública, vulnerabilidade social e problemas de infraestrutura urbana.
Obras paralisadas também se destacam em outras áreas do estado. O problema representa 61,68% das menções no Campo das Vertentes e 58,97% no Jequitinhonha.
SAÚDE LIDERA PREOCUPAÇÃO DOS MINEIROS
Apesar das diferenças regionais, a saúde pública é uma preocupação disseminada por Minas Gerais. A dificuldade para marcar consultas, cirurgias e exames está entre os problemas mais citados em sete das 12 mesorregiões analisadas e ocupa o primeiro lugar em cinco delas.
No Vale do Mucuri, por exemplo, 68,42% dos participantes mencionaram a dificuldade de acesso aos atendimentos.
A falta de médicos especialistas também está entre as principais queixas. De acordo com Thiago Henrique da Silva, diretor de Auditoria e Avaliação de Políticas Públicas do TCE-MG, a gravidade dos problemas muda conforme a realidade de cada região.
“Saúde e infraestrutura podem ser consideradas gargalos comuns a todas as regiões de Minas Gerais, mas a intensidade dos problemas nessas áreas varia conforme cada território do estado”, explicou.
COLETA DE LIXO CHEGA A 90% DAS MENÇÕES NO NOROESTE
Outro ponto de destaque no levantamento é a preocupação com a coleta e a destinação adequada do lixo. O assunto está entre as três principais demandas de quatro mesorregiões e atingiu o maior percentual registrado em uma questão específica da pesquisa: 90% das menções no Noroeste de Minas.
O resultado indica que, além de temas como segurança e saúde, questões relacionadas a serviços básicos de infraestrutura e saneamento seguem presentes no cotidiano dos moradores do interior.
DADOS VÃO ORIENTAR FISCALIZAÇÕES DO TRIBUNAL
O levantamento faz parte do projeto Você no Controle, criado pelo TCE-MG para ampliar a participação popular na escolha dos temas que devem ser considerados em auditorias e monitoramentos do órgão.
A consulta reuniu um formulário eletrônico e atividades presenciais, estratégia adotada para chegar a diferentes públicos e ampliar a participação de moradores de diversas regiões.
“Os dados do projeto Você no Controle fornecem ao Tribunal uma base empírica e qualificada para ajudar a direcionar auditorias e monitoramentos, garantindo que o controle externo esteja alinhado às demandas sociais”, afirmou o presidente do TCE-MG, conselheiro Durval Ângelo.
Segundo o presidente, as informações servirão como subsídio adicional para planejar as fiscalizações. O diretor Thiago Silva também ressaltou que a iniciativa aproxima o trabalho do Tribunal das necessidades apontadas pela população.
O levantamento recebeu contribuições de moradores de 515 municípios, mas não corresponde a uma pesquisa eleitoral nem a uma amostra estatística da população mineira. Os números representam as prioridades indicadas por quem participou voluntariamente da consulta.
Os resultados podem ser acessados no painel interativo do TCE-MG, que permite filtrar as informações por município, região, faixa etária e escolaridade dos participantes.
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Tags: corrupção, Minas Gerais, obras públicas, Saúde, Violência







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