
Arma em domicílio e aumento dos feminicídios em Minas Gerais (Foto: Instagram)
Belo Horizonte – O aumento no número de feminicídios em Minas Gerais está relacionado à maior circulação de armas de fogo e sua presença em domicílios, conforme mostram registros policiais analisados em uma pesquisa.
++ Sistema de IA mostra como pessoas estão criando conteúdo diário sem gravar vídeos
De acordo com Ludmila Ribeiro, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenadora da Rede Feminina de Estudos sobre Violência, Justiça e Prisões, mulheres que vivem em lares com armas de fogo têm um risco significativamente maior de serem assassinadas.
++ Bomba! Astro de Hollywood, Joe Manganirllo revela ter amputado membro
A pesquisa “Violência Doméstica e Respostas Institucionais: Evidências Geradas a partir da Análise dos Dados da Polícia Civil de Minas Gerais (2010–2023)”, conduzida por Ludmila Ribeiro e Maria Elisa Gomes, analisa a violência doméstica contra mulheres usando dados inéditos da Polícia Civil de Minas Gerais, abrangendo registros de 2010 a 2023, fornecidos ao projeto Vida em 2024.
Ludmila destaca que conflitos que antes resultavam em agressões físicas passaram a ter finais fatais devido ao fácil acesso às armas.
FEMINICÍDIOS EM MINAS GERAIS (2019–2026)
- 2019
Total de vítimas: 375
Distribuição: 149 feminicídios consumados e 226 tentativas
Dezembro foi o mês mais crítico, com 51 vítimas (36 tentativas e 15 consumados) - 2020
Total de vítimas: 341
Distribuição: 151 feminicídios consumados e 190 tentativas
Fevereiro teve o maior volume (38 vítimas), seguido por setembro (34) - 2021
Total de vítimas: 336
Distribuição: 155 feminicídios consumados e 181 tentativas
Dezembro novamente foi o mês com mais ocorrências (37 vítimas) - 2022
Total de vítimas: 370
Distribuição: 176 feminicídios consumados e 194 tentativas
Maio apresentou o maior pico, com 40 vítimas - 2023
Total de vítimas: 354
Distribuição: 186 feminicídios consumados e 168 tentativas
Foi o único ano onde os feminicídios consumados superaram as tentativas
Agosto foi o mais violento, com 39 vítimas - 2024
Total de vítimas: 417
Distribuição: 169 feminicídios consumados e 248 tentativas
2024 registra o maior número de vítimas de toda a série histórica
Março (41) e abril (43) tiveram os maiores índices de violência - 2025
Total de vítimas: 384
Distribuição: 177 feminicídios consumados e 207 tentativas
Dezembro registrou 56 vítimas, o maior volume mensal de todo o relatório - 2026 (Janeiro a Maio)
Total parcial de vítimas: 148
Distribuição: 63 feminicídios consumados e 85 tentativas
Fevereiro começou o ano com um número elevado, registrando 42 vítimas
NÚMEROS REGISTRADOS NOS PRIMEIROS MESES DE 2026
Nos primeiros cinco meses de 2026, Minas Gerais contabilizou 148 vítimas, e fevereiro registrou 23 feminicídios consumados, o maior número registrado para este mês desde 2019.
A análise, baseada em dados integrados de segurança pública, revela que a capital mineira concentra o maior volume de registros no estado, com 347 casos no período. Na Região Metropolitana, cidades como Betim (27 casos consumados) e Contagem (21 casos consumados) destacam-se pela violência.
PATRULHA MARIA DA PENHA É CONSIDERADA EFICAZ, MAS ALCANÇA POUCAS MULHERES
Entre as políticas públicas mais eficazes, a pesquisadora destaca as Patrulhas de Prevenção à Violência Doméstica, que protegem as vítimas e conscientizam os agressores.
“Um policial conversa com a vítima e outro com o autor da violência. Muitas vezes, é um trabalho de desconstrução de comportamentos naturalizados ao longo da vida”, explica Ludmila.
Apesar da eficácia, o programa tem alcance limitado. “A Patrulha visita, no máximo, cerca de 1% das mulheres que registram violência doméstica e recebem medida protetiva em Belo Horizonte.”
Além disso, mulheres em áreas controladas por organizações criminosas evitam solicitar esse acompanhamento por medo de represálias na comunidade.
A professora também defende o uso ampliado do Formulário Nacional de Avaliação de Risco (Fonar), criado para identificar mulheres com maior risco de feminicídio. Segundo ela, o formulário é pouco utilizado pelas instituições de segurança pública.
“Essa ferramenta deveria guiar quais mulheres precisam ser acompanhadas prioritariamente pelas patrulhas de prevenção, junto com outros indicadores, como histórico de violência doméstica.”
AÇÃO INTEGRADA PODE REDUZIR CRIMES
Para Ludmila Ribeiro, reduzir os feminicídios requer uma ação integrada entre segurança pública, educação, saúde e assistência social.
Ela menciona a experiência da Espanha, onde políticas educativas ajudaram a reduzir a violência contra a mulher.
“Muitos homens que cometem esses crimes cresceram em ambientes onde a violência contra a mulher era normalizada. É preciso romper esse ciclo desde a escola, discutindo igualdade de direitos e desconstruindo padrões que tratam a mulher como propriedade do homem.”
A pesquisadora também destaca que apenas incentivar a denúncia não é suficiente. “Hoje as mulheres denunciam mais, mas o Estado ainda tem dificuldades em fiscalizar as medidas protetivas. Precisamos de novas formas de proteção para que essa responsabilidade não recaia sobre quem já sofreu violência.”
Segundo ela, apenas uma atuação integrada entre segurança pública, educação, saúde e assistência social pode reduzir consistentemente os índices de feminicídio no Brasil.
Entre janeiro de 2019 e maio de 2026, Minas Gerais registrou 2.725 vítimas de feminicídio, incluindo casos consumados e tentados. O levantamento, baseado em dados integrados de segurança pública, indica que a capital mineira tem o maior volume de registros no estado.
Praticamente todos os dias, tanto na capital quanto em cidades do interior, há casos de tentativas de feminicídios ou fatos consumados. Os autores geralmente são homens motivados por ciúmes ou rejeição após o término de um relacionamento.







Leave a Reply