
Na beira do gol: eleição tensiona o Brasil como um pênalti decisivo (Foto: Instagram)
Ainda é cedo, mas há um paradoxo que quase dispensa explicação: quanto mais se aproxima o 4 de outubro, data do primeiro turno da eleição, mais ela parece distante. Vou explicar.
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Quanto menor a margem de manobra, maior o risco para todos. Quem está por um triz, em qualquer situação ou tema, está à beira da glória ou do opróbrio.
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Sempre há um livro, um drama, um filme: “O Medo do Goleiro Diante do Pênalti”, de Wim Wenders. Sinto falta do tempo em que eu criticava, pela esquerda, meus amigos alternativos que gostavam de Wenders… Já fui um marxista chato. Hoje sou legal. Alerta de ironia. Sigamos.
Até agora, Flávio Bolsonaro não conseguiu o apoio do União Brasil e do PP. E também o Republicanos, partido de Tarcísio de Freitas, está prestes a se afastar. “Mas Tarcísio é, no caso, partidário?” Ah, ele sempre estará “empenhado”, com a dedicação de quem foi atropelado por figuras como Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo.
Reitero: a eleição está muito perto e muito longe. E o caso Master transita naquele fio de navalha que pode, a qualquer momento, provocar eventos que oscilam entre o estado de direito e a barbárie jurídica. Se não sairmos desse limiar, o futuro não só é incerto, mas o passado também. Mas isso fica para outra hora.
Agora sigo com o pré-candidato Flávio Bolsonaro e as duas cartas do pai, afirmando ser ele o candidato. É um momento em que a análise é um emblema: FLÁVIO É O PRIMEIRO CANDIDATO À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA QUE PRECISA DE DUAS CARTAS DO PAI PARA SE PROTEGER DA MADRASTA. DEPOIS DE TER PRIVATIZADO A DIREITA E A EXTREMA DIREITA, OS BOLSONAROS QUEREM PRIVATIZAR O BRASIL TAMBÉM EM TERMOS, DIGAMOS, FREUDIANOS. COMO É QUE MERGULHAMOS NESSE PÂNTANO?
Sempre pode haver um soneto. Se Flávio realmente ficar sem o PP, sem o União Brasil e sem o Republicanos, teremos de recitar “Versos Íntimos” para ele, de Augusto dos Anjos:
Vês! Ninguém assistiu ao formidável Enterro de sua última quimera. Somente a Ingratidão – esta pantera – Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera! O homem, que, nesta terra miserável, Mora, entre feras, sente inevitável Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro! O beijo, amigo, é a véspera do escarro, A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se alguém causa inda pena a tua chaga, Apedreja essa mão vil que te afaga, Escarra nessa boca que te beija!
Insisto: a eleição está longe. Mas já temos a antecipação do desastre se Flávio for eleito. Ao contrário do que pensa o reacionarismo intelectualmente pobre do Brasil, estamos entre um país que pode ser hoje um enigma — o que viria com a reeleição de Lula — e aquele que é um pacto com o atraso.
Entre o que não sei direito o que seja e o que sei ser o abismo, eu me reservo o direito à esperança.







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