Ahmadinejad em prisão domiciliar por alegado plano de Israel, diz NYT

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Ahmadinejad em prisão domiciliar no Irã (Foto: Instagram)

O ex-presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, foi colocado em prisão domiciliar após as autoridades iranianas descobrirem supostos contatos dele com o Mossad, a agência de inteligência de Israel. A informação foi divulgada pelo jornal The New York Times nesta segunda-feira (13/7).

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O jornal relata que Israel recrutou o antigo líder iraniano como parte de um plano secreto para derrubar o regime dos aiatolás e recolocá-lo no poder. A operação, desenvolvida ao longo de vários anos, contou com a participação de autoridades dos Estados Unidos e de Israel.

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A estratégia incluía utilizar Ahmadinejad como peça-chave em uma eventual transição de poder após a queda da República Islâmica. Fontes americanas e iranianas disseram ao NYT que o ex-presidente colaborou com a inteligência israelense antes de abandonar o plano.

Segundo a investigação, Israel via Ahmadinejad como um potencial líder de um governo pós-aiatolás, apesar de ele ter sido um dos principais símbolos da retórica anti-Israel no Oriente Médio por anos.

O Mossad teria convencido Ahmadinejad a fornecer informações estratégicas sobre o regime iraniano para facilitar sua queda. Em troca, ele seria resgatado por forças israelenses durante uma ofensiva militar contra o Irã e retornaria ao país como novo líder.

De acordo com o New York Times, os contatos entre Ahmadinejad e agentes israelenses ocorreram fora do Irã. A reportagem afirma que encontros aconteceram em países como Hungria e Guatemala. Um dos encontros teria ocorrido em uma conferência sobre mudanças climáticas em Budapeste, usada como fachada para negociações secretas. Israel também teria oferecido apoio financeiro ao ex-presidente durante esse período.

O plano entrou em colapso durante os primeiros ataques da guerra entre Israel e Irã, segundo o jornal. Forças israelenses bombardearam uma área próxima à residência de Ahmadinejad em Teerã, visando neutralizar agentes iranianos responsáveis por sua segurança e facilitar sua retirada do país.

Contudo, após o início da ofensiva, Ahmadinejad perdeu a confiança na operação e desistiu de colaborar com Israel, abandonando o local onde aguardaria o resgate.

Apesar de romper com o plano, Ahmadinejad foi colocado em prisão domiciliar após a Guarda Revolucionária descobrir parte de seus contatos com o Mossad. A custódia foi determinada pelo braço de inteligência da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), responsável pela segurança interna do regime. O ex-presidente reapareceu publicamente apenas no funeral do líder supremo Ali Khamenei, cercado por agentes de segurança.

O porta-voz de Ahmadinejad não comentou o conteúdo da investigação ao ser procurado pelo NYT. Mossad e autoridades israelenses também não se pronunciaram sobre o caso.

Mahmoud Ahmadinejad presidiu o Irã entre 2005 e 2013. Durante seus mandatos, tornou-se conhecido internacionalmente por suas declarações contra Israel, por negar o Holocausto e pelo avanço do programa nuclear iraniano. Nos últimos anos, rompeu politicamente com parte da elite religiosa do país e passou a ser visto como um crítico do establishment liderado pelos aiatolás, o que, segundo a investigação, despertou o interesse de Israel em utilizá-lo em um possível processo de mudança de regime.

As alegações fazem parte de uma investigação baseada em fontes anônimas dos governos dos Estados Unidos, Israel e Irã. Até o momento, não houve confirmação oficial por parte dos governos envolvidos.

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