Justiça libera motociclista de app suspeito de morte de jovem em MG

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Justiça revoga prisão de suspeito na morte de jovem em Minas Gerais (Foto: Instagram)

Belo Horizonte – O motociclista de aplicativo, de 30 anos, suspeito de envolvimento na morte de Joice Batiston, de 27 anos, teve sua prisão revogada. A decisão foi tomada nesta terça-feira (14/7) pelo juiz Tarciso Moreira de Souza, que determinou que ele responda ao processo em liberdade, desde que cumpra medidas cautelares.

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O suspeito alegou que a jovem "caiu da moto" durante a corrida, mas não soube explicar o motivo. Ela estava a caminho de encontrar amigas para assistir ao jogo do Brasil em 19 de junho, em Varginha, sul de Minas, mas não chegou ao destino e foi encontrada morta horas depois.

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Ele foi preso temporariamente porque a Justiça considerou a prisão necessária para as investigações, como identificação de objetos e apuração da motivação do crime. A defesa solicitou a revogação da prisão, argumentando que as diligências restantes poderiam ser realizadas sem a necessidade de mantê-lo preso.

Ao conceder a liberdade, o juiz considerou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), que orientam que a prisão temporária só deve ser mantida quando indispensável para a investigação. Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), a soltura não prejudicaria o andamento do caso.

O magistrado também ressaltou que o suspeito não possui antecedentes criminais. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) concordou com a liberdade, desde que ele cumpra medidas cautelares. Ele deve manter o endereço atualizado, não pode sair da comarca sem autorização da Justiça, precisa comparecer ao fórum mensalmente para informar suas atividades e atender a todas as convocações judiciais.

As medidas são válidas até o julgamento do processo. Enquanto isso, a PC continua a investigação e deve concluir o inquérito.

RELEMBRE O CASO

  • Em 19 de junho, dia do jogo entre Brasil e Haiti pela Copa do Mundo, Joice pegou uma corrida por aplicativo para encontrar amigas, mas não chegou ao destino.
  • Ela foi encontrada ferida na Avenida Perimetral e morreu após ser socorrida e levada à UPA.
  • Inicialmente, a polícia investigou a hipótese de acidente de trânsito, mas, segundo a família, ferimentos incompatíveis com acidente ampliaram as linhas de investigação.
  • O desaparecimento do celular da vítima tornou-se um dos principais focos do caso.
  • Em 25 de junho, o motorista de app, suspeito de envolvimento na morte, foi preso.

FAMÍLIA REAGE À SOLTURA
A família da vítima recebeu a notícia da revogação da prisão com profunda tristeza e indignação. “Respeitamos o andamento do processo, mas manifestamos nosso total desacordo com essa decisão. Entendemos que ainda existem diversas diligências e perícias em andamento, e pontos importantes que precisam ser esclarecidos para que toda a verdade venha à tona”, disse em nota.

A família lembra que o próprio investigado admitiu ter descartado um capacete que atribuiu à vítima e não ter acionado imediatamente o socorro. Além disso, seu depoimento apresenta inconsistências que, na visão da família, precisam ser confrontadas com os laudos periciais e as demais provas ainda pendentes de conclusão.

“Nossa família continuará acompanhando cada etapa deste processo, buscando que todas as circunstâncias da morte de Joice sejam esclarecidas. Não iremos nos calar. Seguiremos lutando por respostas e por justiça até o fim”, declarou.

O QUE O SUSPEITO DISSE EM DEPOIMENTO
Em depoimento prestado no Presídio de Varginha em 2 de julho, ao qual o Metrópoles teve acesso no domingo (12/7), o investigado apresentou sua versão dos fatos. Segundo ele, tudo aconteceu por volta das 22h, após aceitar uma corrida no bairro Figueira com destino ao bar Arca de Noé, na zona rural de Varginha.

O motorista afirmou que seguia em velocidade normal pela Avenida Perimetral quando, “sem explicação, a passageira caiu, não sabendo o declarante explicar o motivo”. Ao parar a moto, encontrou a jovem desacordada e sem o capacete, que, segundo ele, pode ter se soltado com o impacto.

Em vez de chamar o socorro, ele disse que foi procurar a ajuda de um familiar. Segundo o depoimento, ao chegar à casa do pai e perceber que não havia ninguém, voltou ao local cerca de 10 minutos depois, mas a vítima já não estava mais lá.

Questionado sobre os pertences de Joice, o motorista negou ter levado celular, bolsa ou qualquer outro objeto dela. Ele disse que apenas retirou o capacete dela, que pertencia a ele. No entanto, admitiu que jogou o celular dela no mato, em um local que afirma não se lembrar.

Outro ponto central da investigação é a destruição do celular dele. Segundo o documento, o aparelho foi encontrado pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) escondido dentro de uma sacola com cimento fresco, destruído e queimado.

Ao ser questionado sobre o motivo de esconder o celular, o suspeito afirmou que o fez na segunda-feira (22/6), três dias após o ocorrido, alegando que o chip que estava no aparelho era da empresa do pai.

Uma camisa da Seleção Brasileira também foi apreendida. Ela estava de molho quando foi encontrada pela polícia. No depoimento, ele disse que um cachorro havia sujado a roupa.

Ele também alegou que só soube da morte da passageira no domingo, por volta das 9h, por meio da imprensa. O condutor informou ainda que trabalhava como motorista da plataforma 99 havia cerca de dois anos e meio.

Segundo ele, depois do incidente, entrou em contato com o advogado, que o orientou a permanecer em casa até a chegada das autoridades.

FAMÍLIA NÃO ACREDITA EM ACIDENTE
Inicialmente, a hipótese era de acidente de trânsito. No entanto, a família contestou essa versão ao apontar ferimentos considerados incompatíveis com uma queda ou atropelamento, como escoriações pelo corpo, roupas rasgadas e sangramento na região íntima.

Além disso, o celular da jovem desapareceu, enquanto bolsa, documentos e cartões foram encontrados no local. Familiares também afirmam que mensagens enviadas ao aparelho chegaram a ser visualizadas após o ocorrido, antes de o telefone parar de responder.

A PRISÃO
Ele foi preso em 25 de junho, após aparecer em imagens do circuito de segurança dando carona para Joice. “Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, foram recolhidos uma motocicleta, aparelhos celulares e vestimentas que podem contribuir para o esclarecimento do caso”, informou a corporação na época.

O QUE DIZ A 99
Por meio de nota, a 99 lamentou o ocorrido e se solidarizou com a família. “Assim que o relato foi registrado em sua Central de Segurança, uma equipe especializada foi designada e está em contato com familiares de Joice Batiston para oferecer acolhimento e informações para o acionamento do seguro, que inclui atendimento psicológico e suporte para despesas funerárias”, disse.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp) e aguarda um posicionamento.

A reportagem entrou em contato com a defesa do suspeito e aguarda um posicionamento.

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