PF afirma que Pacheco se reuniu com dirigente de entidade envolvida em fraude no INSS

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Senador Rodrigo Pacheco nega encontro citado pela PF em caso de fraudes no INSS (Foto: Instagram)

Em uma investigação que resultou no indiciamento de 48 pessoas por envolvimento em fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a Polícia Federal relatou que o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) teria se encontrado com o presidente de uma entidade suspeita de participação no esquema em 2023 para discutir a nomeação da presidência do órgão. O senador não foi indiciado e nega ter participado da reunião, afirmando desconhecer a pessoa mencionada pela PF.

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A reunião supostamente ocorreu em 1º de fevereiro de 2023, data em que Pacheco foi eleito presidente do Senado. De acordo com a PF, mensagens acessadas durante a investigação indicam que Carlos Lopes, presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), teria se reunido com Pacheco para tratar da nomeação do Presidente do INSS.

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Em nota, o senador negou a existência da reunião. “Não conheço e nunca estive com o senhor Carlos Lopes e a senhora Bruna Braz. Nunca me reuni para tratar de indicação da pessoa de Glauco André Fonseca Wamburg que, aliás, eu sequer sabia que havia sido presidente do INSS. Também nunca fiz indicação alguma para o INSS e não conheço seus diretores e ex-diretores”, afirmou.

“Parece se estar diante de uma confusão de informações que misturou a notícia da minha eleição para presidente do Senado, um fato nacional mencionado por um cidadão de Minas Gerais, com outros assuntos que não me dizem respeito. A referência a ir se ‘encontrar com eles’ por certo não me inclui”, concluiu Pacheco.

Carlos Lopes é apontado pela PF como uma figura central no esquema de fraudes contra segurados do INSS, que envolvia descontos ilegais. Segundo as investigações, ele teria pago R$ 14,7 milhões em propinas ao deputado federal Euclydes Pettersen, presidente do Republicanos em MG, para obter acesso a políticos como Pacheco.

PETTERSEN É INDICIADO
O deputado Euclydes Pettersen é suspeito de ser uma peça-chave na articulação parlamentar do esquema de desvios em investigação. O parlamentar mineiro teria atuado em nome da Conafer e recebido R$ 14,7 milhões em propinas, conforme o relatório da PF.

Em nota à reportagem, Euclydes Pettersen negou qualquer envolvimento no esquema. “Não tenho qualquer participação nos fatos apurados na Operação Sem Desconto e nunca indiquei ninguém para cargo no INSS. O indiciamento é ato unilateral da autoridade policial. Ele encerra uma investigação; não abre um processo. Suas conclusões foram formadas sem contraditório e sem que ainda se tenha examinado uma única linha da defesa. Não há denúncia, não há ação penal, não há julgamento”, declarou.

FARRA DO INSS
O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023. Três meses depois, o portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações de segurados.

As reportagens do Metrópoles levaram à abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) e abasteceram as apurações da Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, 38 matérias do portal foram listadas pela PF na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23/4 e que culminou nas demissões do presidente do INSS e do então ministro da Previdência, Carlos Lupi.

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