
Eric Burlison questiona CIA e FBI sobre Caso ET de Varginha (Foto: Instagram)
Belo Horizonte – Trinta anos após o famoso Caso do ET de Varginha, o tema voltou a ganhar destaque nos Estados Unidos. O deputado republicano Eric Burlison fez solicitações formais à Agência Central de Inteligência (CIA) e ao Departamento Federal de Investigação (FBI) para que realizem uma busca detalhada por documentos relacionados ao incidente ocorrido em janeiro de 1996, em Minas Gerais.
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O parlamentar está interessado em saber se há registros sobre voos norte-americanos, trocas de informações com autoridades brasileiras e possíveis transferências de materiais envolvendo o governo dos Estados Unidos.
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O pedido do congressista se soma a outras declarações polêmicas. Nos últimos meses, o Caso Varginha voltou a ser comentado por personalidades como Steven Spielberg, Aldo Rebelo e o neurocirurgião Ítalo Venturelli, que alegou ter visto o ET.
DEPUTADO COBRA DOCUMENTOS DA CIA E DO FBI
Eric Burlison, membro da Força-Tarefa para Desclassificação de Segredos Federais da Câmara dos Representantes, enviou cartas ao diretor da CIA, John Ratcliffe, e ao diretor do FBI, Kash Patel, solicitando uma revisão extensa dos arquivos relacionados ao Caso Varginha.
O pedido não sugere que houve envolvimento dos EUA no caso nem valida as alegações sobre o suposto resgate de uma criatura extraterrestre. O objetivo é verificar se há registros oficiais sobre qualquer envolvimento ou conhecimento dos acontecimentos por parte do governo americano.
Nas cartas, Burlison argumenta que o Congresso possui prerrogativas de fiscalização mais amplas do que aquelas aplicadas aos pedidos feitos por cidadãos por meio da Lei de Liberdade de Informação (FOIA), razão pela qual solicita uma nova análise dos arquivos.
PEDIDO SURGIU APÓS RESPOSTA DA CIA À SOLICITAÇÃO VIA FOIA
O novo requerimento se baseia em um pedido de acesso à informação anteriormente apresentado à CIA, identificado como FOIA F-2023-00442.
Em janeiro de 2025, a agência respondeu utilizando uma resposta “Glomar”, que nem confirma nem nega a existência de documentos sobre o assunto. A CIA justificou que a confirmação ou negação da existência desses registros está protegida por dispositivos legais relacionados à segurança nacional.
Para Burlison, essa resposta não impede que o Congresso solicite uma revisão mais ampla dos registros históricos.
O QUE O DEPUTADO PEDIU À CIA
Na carta ao diretor da agência, o parlamentar solicita uma nova busca em todos os sistemas que possam conter informações relacionadas ao período entre 14 e 28 de janeiro de 1996.
Entre os principais pedidos estão:
- nova busca em arquivos atuais e históricos da CIA;
- preservação de todos os documentos relacionados ao tema;
- identificação de registros sobre voos do governo dos EUA para o Brasil no período;
- informações sobre possíveis transferências de materiais vindos do Brasil;
- registros de cooperação entre agentes americanos e autoridades brasileiras;
- documentos internos, memorandos e análises produzidas posteriormente;
- entrega dos documentos ao Congresso, incluindo anexos classificados quando necessário;
- explicação detalhada para qualquer documento que permaneça sob sigilo.
O QUE BURLISON PEDIU AO FBI
Ao FBI, o congressista fez um pedido ainda mais abrangente, solicitando que a agência verifique se existem interesses investigativos relacionados ao caso e preserve qualquer documentação existente.
Entre as solicitações encaminhadas estão:
- verificar se existem investigações abertas ou encerradas sobre o episódio;
- localizar registros em todos os sistemas do FBI;
- preservar documentos, comunicações e relatórios;
- identificar eventual participação de cidadãos americanos ou aeronaves registradas nos EUA;
- verificar registros sobre transporte de materiais do Brasil;
- investigar se universidades ou empresas contratadas pelo governo americano receberam materiais relacionados ao caso;
- identificar eventual destruição ou ocultação de documentos;
- coordenação com outras agências federais;
- apresentar um relatório e uma sessão informativa ao Congresso.
TRANSPARÊNCIA SOBRE “FENÔMENOS ANÔMALOS” É ARGUMENTO CENTRAL
Nas cartas, Burlison afirma que o pedido faz parte do esforço da força-tarefa criada para revisar documentos históricos relacionados aos Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAPs).
Segundo o parlamentar, o objetivo é garantir que registros relevantes não permaneçam inacessíveis ao Congresso devido a classificações de sigilo ou erros de indexação.
Ele também cita iniciativas recentes do governo americano voltadas à transparência sobre arquivos envolvendo UAPs como justificativa para uma nova revisão do material.
QUEM É ERIC BURLISON
Eric Burlison é deputado republicano pelo estado do Missouri e integra a força-tarefa criada para revisar documentos considerados sensíveis pelo governo federal.
Nos últimos anos, ele se tornou um dos principais defensores da divulgação de informações relacionadas aos UAPs. Em 2024, pediu a criação de um comitê específico sobre o tema e apresentou propostas legislativas para a divulgação de documentos governamentais relacionados a fenômenos aéreos não identificados.
Sua atuação, no entanto, também gerou críticas. Em 2025, Burlison participou da análise das chamadas “múmias de Nazca”, posteriormente apontadas como fraude. Em outra ocasião, apresentou imagens que inicialmente foram associadas a um possível UAP, mas análises indicaram tratar-se de um balão meteorológico.
O QUE FOI O CASO VARGINHA
O Caso Varginha, ocorrido em janeiro de 1996, é um dos episódios mais conhecidos da ufologia brasileira.
Na época, moradores relataram a queda de um objeto não identificado e a presença de uma criatura de aparência incomum em Varginha e região. Três jovens afirmaram ter visto um ser de pele marrom e olhos grandes, relato que ganhou repercussão nacional e internacional.
Também surgiram relatos de intensa movimentação militar e supostas capturas de criaturas, além de alegações de que materiais teriam sido enviados para análise.
As Forças Armadas e autoridades brasileiras sempre negaram qualquer captura de ser extraterrestre ou recuperação de nave alienígena. Ao longo das últimas três décadas, investigações independentes, documentários e programas de televisão mantiveram o episódio em evidência, sem que uma prova oficial confirmasse as alegações.
Agora, três décadas depois, o caso volta ao debate internacional após o pedido de um congressista norte-americano para que CIA e FBI revejam seus arquivos e informem ao Congresso se existem registros relacionados ao episódio ocorrido em Minas Gerais.







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