Jovem com leucemia falece aguardando medicamento já aprovado pelo SUS

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Atraso no SUS e morte de paciente com leucemia põem sistema sob investigação (Foto: Instagram)

Larissa Amorim faleceu 59 dias após uma decisão judicial que ordenava o fornecimento imediato de um medicamento que nunca chegou. Com 29 anos, dois filhos e lutando contra a leucemia desde a infância, Larissa precisava de um tratamento de imunoterapia já avaliado pelo governo e incorporado aos protocolos do Sistema Único de Saúde (SUS).

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Larissa tinha dois filhos: Benjamim, de 8 anos, e Sophia, de 7. Apesar de uma ordem judicial favorável, ela morreu em maio sem receber o tratamento. A Associação Brasileira de Câncer do Sangue (Abrale) levou o caso ao Ministério Público Federal para investigar falhas que impedem pacientes de acessar tratamentos reconhecidos.

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O Ministério da Saúde foi questionado sobre o atraso na entrega do medicamento e a representação da Abrale, mas não respondeu sobre a última. Informou apenas que tomou as providências necessárias para cumprir a decisão judicial, mas não obteve resposta para a autorização de depósito judicial.

O blinatumomabe, solicitado por Larissa, foi incorporado ao SUS para tratar Leucemia Linfoblástica Aguda, mas não cobria o quadro clínico dela. Larissa foi diagnosticada com Leucemia Mieloide Crônica aos seis anos.

A imunoterapia, diferente da quimioterapia, estimula o sistema imunológico a combater células cancerígenas. "Todo tumor gera um desarranjo no sistema imunológico", explica o hematologista Rafael Gaiolla, da Unesp.

Nascida em Vitória da Conquista, Bahia, Larissa veio a São Paulo para tratamento com apoio de entidades filantrópicas. Ela conheceu o marido, Murillo, com quem teve dois filhos, durante o controle da doença por duas décadas.

Em julho do ano passado, a doença evoluiu para uma crise blástica linfoide B, necessitando de transplante de medula óssea. Os médicos recomendaram imunoterapia após quimioterapia não conter a doença.

Larissa e a família recorreram à Justiça para obter os medicamentos blinatumomabe e ponatinibe, não disponíveis na rede pública. Após uma primeira negativa, Larissa obteve uma liminar em segunda instância para que a União fornecesse o tratamento. A decisão foi assinada em 13 de março pela desembargadora Monica Nobre, do TRF-3.

"Ela tinha tanta esperança de receber a medicação. Quando saiu a decisão, ela me ligou chorando, emocionada", relata Murillo Barbosa, marido de Larissa.

Enquanto a decisão não era cumprida, Larissa passou por mais ciclos de quimioterapia, o que a deixou vulnerável a infecções. Em 14 de maio, ela faleceu após contrair uma infecção. "Para quem tem câncer, o tempo é parte do tratamento. Não pode esperar", diz Murillo.

O QUE EXPLICA OS ATRASOS
Antes de ser disponibilizado no SUS, um medicamento passa por avaliação da Conitec. Após a incorporação, há um prazo de até 180 dias para chegar ao paciente. Luana Lima, da Abrale, explica que há todo um processo de pactuação, compra e atualização de diretrizes clínicas.

O ponatinibe foi incorporado ao SUS em janeiro de 2025, e o blinatumomabe, em julho do mesmo ano. O custo elevado dos medicamentos, entre R$ 11,9 mil e R$ 43 mil por caixa, também contribui para os atrasos.

"São tratamentos caros devido à tecnologia avançada necessária para produzi-los. O SUS trabalha com recursos limitados e precisa atender diversas áreas além do câncer", complementa o hematologista Rafael Gaiolla.

LEIA NA ÍNTEGRA A NOTA DO MINISTÉRIO DA SAÚDE
“O Ministério da Saúde adotou todas as providências necessárias para o cumprimento da decisão judicial que determinou a oferta do medicamento. Diante da indisponibilidade imediata do medicamento, a pasta solicitou autorização judicial para realização do depósito judicial, mas não obteve resposta. O blinatumomabe foi incorporado ao SUS para indicações específicas relacionadas à Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), não abrangendo o quadro clínico da paciente mencionada.

Com a Portaria da Assistência Farmacêutica Oncológica (AF-Onco), publicada em outubro de 2025, o Ministério da Saúde está acelerando o acesso dos pacientes aos medicamentos ao reestruturar a logística de distribuição, com sistemas integrados entre estados e municípios, aquisição centralizada e rastreabilidade de estoques. Com investimento de R$ 2,2 bilhões, a iniciativa ampliará em 35% a oferta de medicamentos para o tratamento do câncer. Ao todo, serão incorporados gradualmente 23 novos fármacos de alto custo, beneficiando cerca de 112 mil pacientes”.

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