El Niño pode ser o mais forte desde 1950, alerta NOAA

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Amanhecer dourado antecipa o impacto do El Niño extremo (Foto: Instagram)

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou, na sexta-feira passada (14/8), uma previsão da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) que aponta até 95% de chance de um El Niño extremamente forte nos próximos meses de 2026 e início de 2027.

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De acordo com as estimativas da NOAA, há 69% de probabilidade de que a intensidade do fenômeno seja a maior já registrada desde 1950. Isso se deve ao atual aquecimento significativo das águas do Oceano Pacífico, onde o El Niño se forma, podendo atingir ou superar 2,5ºC nos trimestres de setembro-outubro-novembro (SON), outubro-novembro-dezembro (OND) e novembro-dezembro-janeiro (NDJ).

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O fenômeno ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical se aquecem mais do que o normal por um período prolongado. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e afeta o clima em várias partes do mundo, incluindo o Brasil, especialmente nas regiões Sul, Norte e Nordeste.

Marcus Polette, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), alerta que os eventos climáticos causados pelo El Niño podem resultar em riscos de inundações, deslizamentos e enxurradas nas zonas costeiras do Brasil.

“O El Niño modifica a circulação atmosférica e oceânica em escala global, alterando o regime de chuvas, temperaturas e a frequência de eventos extremos. Em um cenário de mudanças climáticas, esses efeitos tendem a ser intensificados, expondo ainda mais as cidades e ecossistemas costeiros a secas, enchentes, tempestades, ondas de calor, erosão costeira e outros impactos ambientais e socioeconômicos”, explica Polette, que também é professor na Universidade do Vale do Itajaí (Univali).

O fenômeno teve início em junho, e as primeiras consequências já foram sentidas no Brasil, principalmente na Região Sul, onde as chuvas ficaram entre 30% e 90% acima da média para o período.

As ocorrências do El Niño devem continuar até março do próximo ano, podendo manter as chuvas acima da média no Sul do país e abaixo da média no Norte e Nordeste a partir de outubro.

O professor Micael Cecchini, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), ressalta que o Sul é uma das áreas que mais preocupam os cientistas devido à sua predisposição para chuvas intensas.

“O El Niño favorece uma configuração de bloqueio atmosférico. Isso significa que as frentes frias, ao chegarem ao continente, encontram uma área de alta pressão que impede seu avanço. Muitas vezes, elas acabam desviando para o oceano ou permanecem estacionadas sobre a Região Sul”, explica.

Em 2024, as precipitações atingiram recordes históricos e causaram danos de grandes proporções.

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