Autoridades investigam conexão entre guerra na Ucrânia e facções no Rio de Janeiro

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Drone improvisado lança bomba em comunidade do Rio e expõe troca de tecnologia bélica com a guerra na Ucrânia (Foto: Instagram)

Um drone se aproxima de uma área residencial no Rio de Janeiro e, a poucos metros do solo, lança o que parece ser uma bomba improvisada que explode perto de um veículo. As imagens poderiam facilmente ser de conflitos em locais como Sudão, Irã ou Faixa de Gaza, onde o uso de veículos não tripulados se tornou comum.

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No entanto, a cena foi registrada no Rio de Janeiro, onde as autoridades estão acompanhando uma espécie de intercâmbio criminoso com a guerra na Ucrânia, visando importar tecnologias de guerra para o Brasil. O vídeo, que começou a circular nas redes sociais no último fim de semana, mostra um ataque que deixou uma pessoa ferida por estilhaços na comunidade Dois Irmãos, local de disputas entre milicianos e o Comando Vermelho (CV).

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No domingo (13/7), equipes do 18º Batalhão de Polícia Militar foram chamadas para investigar a denúncia de lançamento de bomba por drones na comunidade Dois Irmãos, mas nada foi encontrado. Apesar disso, o uso de drones e a conexão com a guerra na Ucrânia continuam a ser uma preocupação para a segurança no Rio de Janeiro.

Como os brasileiros chegam à Ucrânia? No início da invasão russa, o presidente Volodymyr Zelensky criou a Legião Internacional de Defesa Territorial da Ucrânia, com o objetivo de recrutar voluntários estrangeiros. Os salários variam de US$ 550 a US$ 4,8 mil mensais, dependendo da área de atuação. A Legião foi desmobilizada no final de 2025, sendo integrada às Forças Armadas da Ucrânia. Dados do Itamaraty indicam que 22 brasileiros que se juntaram às forças ucranianas morreram até agora, além de 8 que lutavam pela Rússia.

As aulas na guerra da Ucrânia. Para se juntar às Forças Armadas da Ucrânia como voluntário, é necessário não ter antecedentes criminais, uma regra que tem sido contornada por grupos criminosos brasileiros. Em maio deste ano, a Subsecretaria de Inteligência do Estado do Rio de Janeiro (SSI) identificou que o Comando Vermelho estava financiando passagens para enviar integrantes "ficha limpa" à Ucrânia. O objetivo era adquirir conhecimentos militares para repassar à facção. Um dos traficantes recebeu treinamento tático, incluindo o uso de drones, e ao retornar foi expulso das Forças Armadas ucranianas por uso de drogas.

Sandro Teixeira, analista e professor da Escola do Comando e Estado-Maior do Exército do Brasil (Eceme), afirma que este fenômeno é uma consequência da globalização, que também atinge atividades ilícitas. Ele alerta que não se pode colocar toda a responsabilidade na Ucrânia, pois grupos terroristas na África também usam essa tecnologia e têm ligações com facções na América Latina. Ele destaca a necessidade de adaptação das forças de segurança no Brasil para criar medidas anti-drones.

Nova realidade. A situação preocupa as autoridades, já que o avanço bélico e tecnológico das facções é crescente. A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) criou a Coordenadoria de Operações com Aeronaves Não Tripuladas (COANT) para monitorar o uso de drones por criminosos. A PCERJ informou que realiza diligências contínuas para mapear o uso de drones e outras tecnologias por criminosos, inclusive em ações ligadas ao tráfico de drogas e ataques contra forças de segurança.

Recentemente, o Rio de Janeiro registrou ao menos dois incidentes envolvendo drones operados por facções. Um deles ocorreu durante uma megaoperação no Complexo da Penha, em outubro de 2025, quando granadas foram lançadas contra policiais. Em março deste ano, explosivos foram arremessados contra militares na comunidade Vila Sapê, em Curicica. A Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ) também adota medidas para conter o uso criminoso de drones e proteger os drones institucionais usados em operações.

Falta de cooperação? Fontes diplomáticas ucranianas afirmam que a cooperação entre autoridades brasileiras e Kiev ainda não é suficiente para conter a entrada de criminosos brasileiros na guerra na Ucrânia. As autoridades ucranianas geralmente tomam conhecimento dos casos pela imprensa e não recebem informações de autoridades brasileiras sobre viagens à Ucrânia de suspeitos de integrarem facções no Brasil. O Ministério das Relações Exteriores enviou um alerta consular sobre a participação de brasileiros em conflitos armados, mas não informou se trabalha com o lado ucraniano para impedir que cidadãos brasileiros suspeitos de envolvimento com o crime viajem para a Ucrânia. A Polícia Federal não respondeu aos questionamentos até a publicação da reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.

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