
Escala de Kardashev: energia como medida de avanço civilizacional (Foto: Instagram)
Imagine que o avanço de uma civilização pudesse ser avaliado não pela riqueza, tamanho populacional ou tecnologia, mas pela quantidade de energia que consegue utilizar. Essa foi a proposta apresentada pelo astrofísico soviético Nikolai Kardashev em 1964.
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A Escala de Kardashev foi criada para ajudar cientistas a imaginar como seriam civilizações muito mais avançadas que a nossa e quais sinais elas poderiam deixar no Universo. A ideia surgiu durante estudos sobre a busca por vida inteligente fora da Terra e continua sendo uma referência em pesquisas da área.
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O doutor em Física Eberth Correa, professor da Universidade de Brasília (UnB), explica que a escala foi criada para orientar as buscas por possíveis civilizações extraterrestres. “O objetivo da criação da escala era saber que tipo de sinais de rádio deveríamos procurar ao buscar vida alienígena”, comenta.
Nos últimos meses, a classificação ganhou destaque novamente após reportagens vincularem os planos de longo prazo de Elon Musk para expandir a presença humana no espaço a conceitos próximos de uma futura civilização do Tipo II. Embora a comparação seja apenas conceitual, reacendeu o interesse por uma teoria criada há mais de seis décadas.
A escala original possui apenas três categorias. Uma civilização Tipo I seria capaz de aproveitar praticamente toda a energia disponível no próprio planeta, incluindo a energia solar, eólica, das marés e outros fenômenos naturais ainda pouco explorados.
Já uma civilização Tipo II conseguiria utilizar quase toda a energia produzida por sua estrela. Para ilustrar essa ideia, alguns cientistas propõem, teoricamente, estruturas gigantes que envolveriam uma estrela para captar a maior parte de sua energia.
No Tipo III, o conceito vai ainda mais longe. A civilização teria capacidade para utilizar a energia de toda uma galáxia, composta por centenas de bilhões de estrelas, algo muito além da tecnologia conhecida atualmente.
O QUE É A ESCALA DE KARDASHEV?
- Criada em 1964 pelo astrofísico soviético Nikolai Kardashev.
- Mede o desenvolvimento de uma civilização pela quantidade de energia que ela consegue utilizar.
- Tipo I: aproveita praticamente toda a energia disponível no planeta.
- Tipo II: utiliza quase toda a energia produzida por sua estrela.
- Tipo III: aproveita a energia de toda a galáxia.
- A humanidade ainda está abaixo do Tipo I.
- A classificação continua sendo usada em pesquisas sobre vida extraterrestre.
Apesar dos avanços tecnológicos das últimas décadas, a humanidade ainda não alcançou sequer o primeiro nível da escala. O pesquisador Washington Barbosa Silva explica que a lógica da classificação pode ser entendida por meio de uma comparação simples.
“Podemos esquecer a palavra ‘civilização’ por um momento e pensar apenas em energia. A diferença entre uma pessoa pobre e uma pessoa rica não é apenas quanto dinheiro possuem, mas quanta coisa conseguem mobilizar. Agora aumenta isso um bilhão de vezes e você começa a entender a escala de Kardashev”, diz o doutor em Física Atômica e Molecular.
Na prática, isso significa que os seres humanos ainda desperdiçam grande parte da energia disponível na Terra e dependem de fontes que não conseguem suprir todas as necessidades de forma sustentável.
“O que nos impede de chegar ao estágio Tipo I é a dependência de combustíveis fósseis, a falta de tecnologia de armazenamento global e o risco de autodestruição geopolítica antes de dominarmos o planeta”, explica Correa.
Mais de 60 anos após sua criação, a Escala de Kardashev continua sendo usada como referência em áreas como a astrobiologia, ramo da ciência que investiga a possibilidade de vida fora da Terra, e também em projetos como o SETI, que busca sinais de possíveis civilizações inteligentes no Universo.
Ao longo dos anos, pesquisadores também passaram a apontar limitações da classificação. Uma das principais críticas é que ela considera apenas a quantidade de energia consumida, enquanto uma civilização muito avançada poderia evoluir tornando suas tecnologias cada vez mais eficientes, sem necessariamente aumentar o consumo.
Silva afirma que essa possibilidade também ajuda a explicar por que ainda não encontramos evidências claras de outras civilizações. “Qualquer civilização que tenha atingido o Tipo III pode já ter se autodestruído ou simplesmente se tornado indetectável para nós. Nesse caso, o silêncio não significa destruição; significa apenas que estamos procurando o sinal errado”, comenta.






