Mulher de 46 anos descobre nova sexualidade com fetiche cuckold após traições

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Cuckold: confiança e diálogo redefinem o fetiche (Foto: Instagram)

Apesar de ainda causar estranheza e preconceito, o fetiche cuckold tem despertado curiosidade sobre o que leva algumas pessoas a se excitarem ao imaginar ou ver o parceiro envolvido sexualmente com outra pessoa. Essa prática faz parte das diversas formas de expressão da sexualidade e não deve ser confundida com infidelidade, falta de amor ou problemas no relacionamento.

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Lidyane Santos, professora de psicologia, explica ao Metrópoles que não há uma única explicação para esse tipo de fantasia. “Do ponto de vista psicológico, o interesse pelo fetiche pode ser compreendido como uma das muitas variações da sexualidade humana. Não há uma causa única”, afirma.

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Segundo a professora, para algumas pessoas, o fetiche está ligado à busca por novidade, intensidade emocional ou maior excitação sexual. Em outros casos, pode envolver voyeurismo, quebra de normas sociais ou até a erotização de emoções complexas, como o ciúme. “A literatura atual entende que fantasias são multifatoriais e influenciadas por fatores biológicos, psicológicos e culturais.”

Foi justamente a curiosidade em entender seus próprios desejos que levou Mariana Sales*, de 46 anos, a se identificar com essa dinâmica. Após o término de um relacionamento de cerca de seis anos — descrito como monótono e marcado por traições do parceiro — ela relata que passou por um processo de autoconhecimento que transformou sua visão sobre sexualidade.

Nesse contexto, Lidyane destaca que é um equívoco associar o fetiche à baixa autoestima ou ao desejo de humilhação. Embora algumas pessoas possam encontrar excitação em dinâmicas de submissão ou humilhação consensual, muitas não apresentam essas motivações. Em diversos casos, a experiência está relacionada à confiança no parceiro.

Para Mariana, é exatamente essa confiança que desperta o interesse. “O que mais me atrai é o conjunto da experiência, com estímulo apenas fantasioso. Para mim, isso está muito ligado à autoconfiança, à cumplicidade e à liberdade que existe entre o casal.” Ela acrescenta que só faz sentido quando há reciprocidade e respeito por todas as pessoas envolvidas.

Antes de qualquer tentativa de colocar o desejo em prática, ela menciona que a conversa com o parceiro, com quem está há cerca de três anos, ocorreu sem pressão e com regras bem definidas. “Ambos tiveram espaço para expressar expectativas, inseguranças e dúvidas. Antes de qualquer experiência, combinamos limites muito claros, definimos o que seria confortável para cada um e deixamos claro que qualquer pessoa poderia mudar de ideia, ou interromper a ‘brincadeira’ a qualquer momento”, pontuou sobre a relação com o rapaz que tem 34 anos.

Para a docente, esse tipo de comunicação é um dos fatores que diferenciam uma vivência saudável de situações problemáticas. “Tende a ser considerado saudável quando ocorre entre adultos, de forma consensual, com comunicação clara, respeito aos limites, possibilidade de recusa e ausência de sofrimento significativo para os envolvidos”, elenca.

Em contrapartida, ela alerta que merece atenção quando a prática se torna compulsiva, acontece por coerção ou passa a substituir completamente outras formas de intimidade ou a ser utilizada como tentativa de resolver conflitos importantes do relacionamento. “Em um contexto consensual e previamente acordado, emoções como ciúme, competição ou vulnerabilidade podem ser reinterpretadas pelo cérebro como parte de uma experiência erótica segura. O contexto de confiança, controle e consentimento diferencia essa fantasia de uma vivência real de infidelidade, na qual há quebra de acordos e sofrimento”, destaca a professora do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsp).

Por último, Mariana reforça a importância de combater estereótipos. “Acredito ser importante desmistificar a ideia de que significa ‘falta de amor’, infidelidade ou problemas no relacionamento. Na minha experiência, é justamente o contrário — exige uma comunicação clara, maturidade emocional e confiança”, conclui.

*Nome fictício a pedido da personagem