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IA transforma princesas da Disney e frutas em histórias adultas, acendendo alerta

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Princesas da Disney invadem bailes funk nas favelas cariocas (Foto: Instagram)

Princesas da Disney retratadas como pobres, dançando em bailes funk nas comunidades do Rio de Janeiro. Frutas humanizadas enfrentando dívidas e traições. Heróis e vilões da Marvel e da DC envolvidos em brigas de condomínio e conflitos de trabalho. Com a Inteligência Artificial (IA), esse tipo de conteúdo se tornou um fenômeno nas redes sociais, com vídeos que já acumulam milhões de visualizações.

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Em plataformas como Instagram e TikTok, existem dezenas de perfis dedicados a esse formato de esquetes. Frequentemente, o sucesso é tanto que as histórias ganham novos capítulos e acabam se transformando em séries.

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Especialistas argumentam que o apelo está no contraste entre a estética infantil e tramas que envolvem sexo, crime e conflitos amorosos. O conteúdo, à primeira vista, parece ser mais uma tendência que explora o avanço da IA, cada vez mais presente entre publicações que disputam a atenção dos usuários nas redes.

O professor Thiago Costa, pesquisador do Laboratório CultPop da Universidade Federal Fluminense (UFF), emite um alerta: o conteúdo pode parecer divertido, mas não é seguro para todos os públicos. “Há histórias mais pesadas, com piadas de duplo sentido, sensualidade e até temas fetichistas escondidos sob uma estética quase infantil”, afirma.

“Esse estilo bem cartunesco dificulta para pais e plataformas entenderem para quem esse tipo de conteúdo é direcionado”, alerta. “Por mais que os vídeos sejam nitidamente voltados para o público adulto, a estética quase infantil faz com que eles facilmente se passem por conteúdo infantil. As ferramentas usadas talvez ainda não sejam suficientes para impedir que as crianças tenham acesso“, explica.

A responsabilidade, no entanto, vai além das plataformas. O professor ressalta que os criadores usam estratégias para escapar dos programas que identificam conteúdo adulto ou infrações de direitos autorais.

“Os sistemas automatizados, também de Inteligência Artificial (IA), precisam de contexto para remover ou indicar para um público específico. É por isso que os criadores não usam legendas, por exemplo. Tudo é estratégia para não captar esses detalhes e alcançar mais audiência”, avalia.

Mais uma vez, as crianças voltam ao centro do debate sobre a produção de conteúdo para as redes sociais. O assunto atingiu proporção nacional nos últimos meses, deixou o ambiente digital e agora encontra respaldo na legislação.

Em vigor desde 17 de março de 2026, a Lei Felca ou o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (Lei nº 15.211 de 2025) estabelece regras e diretrizes para proteger menores de 18 anos nas redes sociais e na Internet em geral.

Na prática, a legislação amplia para o virtual as garantias previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), criado em 1990. Entre as mudanças, estão regras mais rígidas de verificação de idade, maior supervisão parental e mecanismos para facilitar a remoção de conteúdos inadequados – já adotados pelas principais plataformas.

O texto foi aprovado na Câmara em agosto de 2025 e teve tramitação acelerada no Congresso, em meio ao debate público sobre exploração de crianças nas redes sociais. A vigência da norma também foi antecipada em seis meses.

Para se fazer cumprir a legislação brasileira nas redes sociais, a atuação ativa das plataformas é fundamental para proteger o direito de artistas e criadores.

Ao Metrópoles, plataformas como o Instagram e o TikTok afirmam que empregam canais próprios onde a comunidade pode acessar as diretrizes para compartilhamento de vídeos nas plataformas.

Além disso, as redes também contam com canais de denúncias onde qualquer usuário pode sinalizar vídeos que infrinjam políticas, sejam elas de direitos autorais, do próprio usuário ou de terceiros, além de conteúdo de cunho sexual, preconceituoso ou ofensivo.

Por trás do conteúdo inusitado, há também o interesse de criadores em usar a IA como ferramenta de expressão. A criadora Vitória da Cruz Correia, 23 anos, responsável pelo perfil @penelope_br23, conta que encontrou nas ferramentas de geração de imagens uma forma de finalmente produzir conteúdo para a internet.

“Há 7 anos eu queria entrar no ramo das redes sociais, mas sempre desistia por conta da vergonha e da opinião dos outros. E um dia meu marido assistindo a uma videoaula sobre IA me deu a ideia e foi aí que vi uma oportunidade”, conta.

Segundo ela, os criadores de animações de Inteligência Artificial partem da mesma fagulha artística que os autores das novelas da TV aberta. “Minha inspiração sempre foi a realidade que vivemos hoje.”

“Mostrar esses personagens que fizeram parte da infância de muitas pessoas em situações nas quais vivemos, e com uma pitada de humor, faz com que [os vídeos] ganhem atenção. E acho que [os internautas] amam ver as histórias, pois tudo viralizou muito rápido”, relata.

Vitória diz que desde que começou a publicar no perfil nas redes, há cerca de um ano, alcançou mais de 9 milhões de visualizações e 75 mil seguidores. Outros perfis apresentam números ainda maiores, ultrapassando a marca de 200 mil seguidores. A monetização, porém, ainda é um sonho distante, principalmente por conta das próprias diretrizes das plataformas.

A produtora de conteúdo nega que tenha a intenção de “enganar” crianças nas plataformas. “Eu acho que redes sociais não são lugar de crianças”, afirma. “Acho que controle parental é essencial pra que seus filhos não vejam o que não é apropriado para eles.”

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