
Influenciador Thiago ‘Ralado’ ao lado de policial durante live em 2020 (Foto: Instagram)
O influenciador Thiago Branco de Azevedo, conhecido como Ralado, foi apontado pela Polícia Federal (PF) como operador de uma rede de lavagem de dinheiro envolvendo pelo menos 100 empresas de fachada. Ele postou fotos nas redes sociais ao lado de Valdir Carvalho da Silva Filho, investigador da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Americana, órgão da Polícia Civil responsável por combater o tráfico de drogas na região.
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As postagens sugerem que Valdir Carvalho e Ralado mantinham uma amizade próxima e chegaram a viajar juntos enquanto, segundo a PF, o influenciador já estava à frente da rede de laranjas.
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Com 286 mil seguidores no Instagram, Ralado ostenta uma vida de luxo, exibindo fotos ao lado de cantores sertanejos e em países europeus. Na última quarta-feira (25/3), ele foi alvo da Operação Fallax, deflagrada pela PF por fraudes de até R$ 500 milhões contra o sistema financeiro. O influenciador está foragido.
De acordo com as investigações, Ralado utilizava as empresas de fachada para obter empréstimos bancários com documentos falsos, visando aumentar o patrimônio da célula do Comando Vermelho (CV) no interior de São Paulo e da holding de investimentos Fictor. O CEO do grupo, Rafael Góis, e o ex-sócio Luiz Rubini também foram alvos da PF.
Questionada pelo Metrópoles, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a relação entre Valdir Carvalho e Ralado está sob investigação por meio de um procedimento correcional. A SSP destacou que não compactua com condutas incompatíveis com a função policial e que pune com rigor qualquer irregularidade confirmada.
Em uma transmissão ao vivo realizada no final de 2020, Ralado aparece em uma festa ao lado de Valdir, que está de camiseta e sunga, segurando um copo de drink. Durante a live, Ralado provoca seu amigo Pedro Moura, conhecido como Anão do Pânico, que acompanhava a transmissão.
Segundo a Polícia Federal, há indícios de que Ralado mantinha sua rede de laranjas desde 2019, criando empresas de fachada em nome de terceiros e utilizando os CNPJ’s para obter empréstimos e financiamentos que não eram pagos. A investigação aponta que o influenciador cooptava agentes bancários por meio de propina.
A atividade criminosa de Ralado foi descoberta pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) em 2024, durante uma operação contra o Bando do Magrelo, gangue que rivalizava com o Primeiro Comando da Capital (PCC) na região de Rio Claro, interior de São Paulo.
A rede de empresas de fachada era usada pelo Bando do Magrelo para lavar dinheiro do tráfico de drogas. Meses depois, o MPSP apontou que o Comando Vermelho teria se associado ao Bando do Magrelo, fornecendo armamentos e apoio logístico. Após a prisão do líder da gangue, Anderson Ricardo de Menezes, o Magrelo, a facção carioca assumiu o controle da região.
Em 17 de novembro do ano passado, a Fictor anunciou uma proposta de compra do Banco Master, um dia antes da operação Compliance Zero e da liquidação da instituição financeira, suspeita de oferecer títulos falsos. Após o anúncio, a Fictor enfrentou uma crise de confiança e de liquidez, atribuindo o aperto financeiro ao aumento de notícias negativas.
Em 1º de fevereiro deste ano, a Fictor Holding e a Fictor Invest entraram com pedido de recuperação judicial, declarando dívida entre R$ 4 bilhões e R$ 4,2 bilhões e solicitando a suspensão de cobranças por 180 dias. As demais subsidiárias ficaram fora do pedido.


