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Servidor do Ministério dos Transportes é acusado de humilhar ex-caseiro em Planaltina

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Subsecretário dos Transportes é flagrado em áudios ofensivos a ex-caseiro (Foto: Instagram)

Uma série de humilhações que se transformou em caso policial e evoluiu para uma disputa na Justiça do Trabalho veio à tona com o vazamento de áudios atribuídos a um servidor de alto escalão do governo federal. “Você é um analfabeto, sim. Você não conhece a lei. Você é burro pra caralho”.

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As palavras, cheias de desprezo, não foram ditas em uma discussão de rua, mas sim enviadas do celular de Diogo da Fonseca Tabalipa, atual subsecretário de Gestão Estratégica, Tecnologia e Inovação do Ministério dos Transportes. O alvo das ofensas foi um ex-caseiro que trabalhava em sua chácara, localizada em Planaltina.

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O vazamento de áudios de visualização única enviados pelo WhatsApp revela um “rosário de humilhações” do alto funcionário público contra um trabalhador rural. Nas gravações, Tabalipa usa sua posição de superioridade intelectual e financeira para intimidar o ex-empregado, que admite ter dificuldades com leitura e escrita.

Em uma sequência de ataques verbais, o subsecretário não economizou em termos degradantes e ameaças de asfixia financeira: “Você mesmo falou que não sabe ler e escrever, tá querendo discutir comigo, idiota? Você não tem direito a nada, você tem direito a se foder, tá bom?”

Tabalipa ainda ameaçou usar seu aparato jurídico para bloquear as contas bancárias do trabalhador e de sua esposa: “Eu vou bloquear a sua conta, todo o dinheiro que cair na sua conta e na conta da sua mulher… Eu quero ver o que você vai fazer”. O tom de voz, que varia entre a exaltação e uma calma cínica, reforça o uso do conhecimento jurídico como arma: “Como não sabe ler, não sabe o que assinou”, provocou o servidor.

O episódio, ocorrido há cerca de um ano, teve desfechos distintos nas esferas judicial e policial:

  • Esfera criminal: o caso foi registrado na Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), mas acabou arquivado, não resultando em punições imediatas ao subsecretário na esfera penal.

  • Esfera trabalhista: O cenário mudou em fevereiro deste ano. A Justiça do Trabalho proferiu uma decisão favorável ao ex-caseiro, reconhecendo seus direitos e desmentindo a tese de Tabalipa de que o funcionário “não teria direito a nada”.

Ao ser procurado, o caseiro alvo dos ataques reforçou que o ataque ultrapassa a esfera de uma simples disputa trabalhista. “Eu não pensava em entrar na Justiça, mas quando ele me xingou e ameaçou a minha família, mudei de ideia”.

Procurado pela coluna, Diogo Tabalipa afirmou que “não teve tempo” de responder aos questionamentos da reportagem e que enviaria sua manifestação sobre o caso no decorrer da manhã desta terça-feira (31/3).

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